http://oglobo.globo.com/esportes/rmp/po ... 387678.asp
. Dia sim, outro também, pipocam na minha caixa postal eletrônica (e na de inúmeros outros jornalistas, Rio afora) e-mails de leitores indignados, revelando encontros com
Ronaldinho Gaúcho na madrugada. Com o advento dos celulares que fotografam, vez por outra, as mensagens chegam até com fotos — de qualidade geralmente duvidosa, mas veracidade indiscutível.
Já não é segredo para ninguém que o
Ronaldinho Gaúcho anda
barbarizando na noite carioca — e o que é pior, em várias ocasiões acompanhado por colegas de clube. A grande diferença de seu comportamento para o de Adriano é que, ao contrário do Imperador, o Dentuço ainda não se meteu em nenhum embalo com a presença de traficantes ou contraventores de qualquer tipo e tampouco faltou a treinos ou jogos. Aí voltamos àquela velha, insuportável e, não
raramente, demagógica discussão: a imprensa deve se meter na vida particular dos jogadores? É válido criticar o que fazem em suas horas de folga? Continuo fiel ao que sempre achei: se o que o atleta (ou qualquer outro pessoa pública) apronta fora do seu horário de trabalho não é crime, nem perturba ou influencia o seu rendimento esportivo (ou profissional), nada a comentar. Problema dele.
Se, entretanto,
a vida desregrada começa a atrapalhar é notícia, sim — e, no caso dos jogadores, de alto interesse dos dirigentes (seus patrões) e dos torcedores (que, em última análise, financiam parte de seus salários, comprando ingressos, pacotes de TV por assinatura, pay-per-view, produtos do clube etc). Ronaldinho Gaúcho já suscita tal questão. Há relatos de autênticas
maratonas na noite carioca, como a acontecida nas últimas quinta e sexta-feiras, com passagens pra lá de animadas numa festa na qual também estavam o ex-craque e atual deputado Romário e o lutador de MMA Anderson Silva; esticadada, às cinco da matina, no Botequim "São Nunca", na Barra (reduto que abrigava a famosa "Noite do Imperador", quando Adriano ainda estava no Fla) e complemento, no dia seguinte, na boate Praia, na Lagoa. Isso tudo sem levar em conta o relato de uma (ainda prefiro crer, improvável)
fuga da concentração para a Boox, em Ipanema, no sábado — há quem jure que o viu por lá...
Coincidência ou não,
Ronaldinho Gaúcho se arrastou em campo contra o Botafogo. E como também já tivera atuação apagadíssima no Paraná, contra o Atlético Paranaense (quando atuou com estranhíssimas olheiras), a paciência da torcida se esgotou e as vaias começaram a persegui-lo, antes mesmo de sua substituição — ocasião em que se tornaram ensurdecedoras, no Engenhão. Apupos que devem ser entendidos como um verdadeiro grito de alerta; um recado bem claro para o jogador. Se toca, Gaúcho !
Converso com técnicos e com fisiologistas do futebol (que pela delicadeza do tema preferem não ser identificados) e todos são unânimes em reforçar o óbvio: não há organismo que resista a seguidas noitadas, ainda mais com consumo de álcool, energético, às vezes cigarros etc. Qualquer corpo, inclusive os dos atletas, precisa de descanso adequado. E, quando isso não acontece, cobra o seu preço — em contusões ou em declínio evidente do preparo físico e do fôlego. Exemplos não faltam.
— O grande problema é que essa turma está ganhando rios de dinheiro e, com um bando de puxa-sacos em volta, se sente acima do bem e do mal. No caso desses jogadores que estão voltando do exterior, então, a coisa é mais grave. Como a maioria é bem mais talentosa do que os que estão aqui, a tendência é acreditar que nem é preciso estar em forma para brilhar. E, neste aspecto, o Ronaldo e o próprio Adriano acabaram reforçando esta impressão, pois mesmo acima do peso e com comportamentos declaradamente boêmios, conseguiram se destacar em uma temporada (a de 2009, quando o primeiro foi campeão paulista e da Copa do Brasil e o segundo, campeão brasileiro). É verdade. Mas no caso do Dentuço, o gás parece ter durado apenas para um Estadual mixuruca. Ou ele dá uma parada para reabastecer ou não sei, não. Quem vai colocar o guizo neste gato? Não deu pra entender Vanderlei Luxemburgo, dizendo que não pode ir atrás de jogador e que a crítica à queda de rendimento deve ser da imprensa e da torcida. Ué, e o treinador fatura aquela fortuna toda (no caso dele, R$ 600 mil/mês) pra que ?