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João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 03 Dez 2024, 23:23

Nesse link são citadas somente vagas sazonais que surgem em época de safra agrícola e em época de turismo em lugares muito específicos. Não se trata de emprego fixo de CLT pelo Brasil.

Isso é normal e esperado... Ou seria desejável uma massa de desempregados nessas cidades específicas esperando o ano inteiro por 2 ou 3 meses de trabalho nesses picos sazonais?
Barbano escreveu:
03 Dez 2024, 16:34
Liberalismo econômico. Não foi implantando escala reduzida que eles chegaram lá, foi chegando lá que eles conseguiram implantar a jornada reduzida.
E Islândia é do tamanho de Piracicaba, não tem como ter comparação mais descabida.
Por essa lógica, vale lembrar que a escala dos trabalhadores livres europeus era bem reduzida em comparação à dos escravos brasileiros... Então, se fosse questão de horas trabalhadas, o brasileiro deveria ser mais rico que o inglês.

A questão é que o inglês participava da produção de industrializados, e o brasileiro plantava e colhia agro para exportação (além de não poder consumir nem herdar, pois era escravo).

É claro que a Islândia é minúscula. O Brasil é muito diferente da Islândia... O Brasil foi planejado para ser um terrenão de onde se extrai produtos agrícolas ou mineração para a Europa consumir. Por isso estamos aqui. Melhorou um pouco quando a Inglaterra interviu na nossa economia, pressionando o Estado Brasileiro a proibir o direito de ter escravos (e assim, formando um mercado consumidor que trabalhava menos horas e comprava produtos ingleses).

Compare a Islândia com a própria Islândia, Inglaterra com a própria Inglaterra: quanto mais ricos foram ficando com o consumo interno (e também externo no caso da Inglaterra), mais foram reduzindo suas jornadas de trabalho.

Está na hora de o Brasil pensar para dentro do Brasil também.
Barbano escreveu:
03 Dez 2024, 16:34
Só para começar precisaríamos de um governo que torrasse menos dinheiro com assistencialismo e alocasse mais recursos para desenvolver a infra-estrutura do país. Também precisaríamos de mais segurança jurídica, redução da burocracia e dos impostos sobre o setor produtivo, etc. Medidas essenciais para o país se desenvolver Não tem como um país sub-desenvolvido querer torrar dinheiro como se fosse um país rico.
Não entendi o contexto... Qual país subdesenvolvido enriqueceu sem "torrar dinheiro"? O que seria torrar dinheiro?

Esses argumentos sempre na direção de "corte de gastos" servem para acionista, investidor, especulador em bolsa de valores. Mas para a economia real, principalmente comércio e serviços, não é simples assim. A mão-de-obra em Moçambique é muito mais barata que a do Brasil. Então, montar um salão de beleza em Maputo em regime 7x0 gera mais dinheiro que um 5x2 em São Paulo? Não, porque a demanda é São Paulo é muito maior.

Vale relembrar o exemplo da faxineira com carro próprio que você citou. Isso é exceção da exceção na América Latina. Será que é porque "o carro é mais barato em São Paulo"? Ou será que é porque existem tantas pessoas dispostas (e com renda) para pagar por uma faxina que é possível cobrar mais caro, e as pessoas aceitam pagar?

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Mensagem por Barbano » 04 Dez 2024, 11:57

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Por essa lógica, vale lembrar que a escala dos trabalhadores livres europeus era bem reduzida em comparação à dos escravos brasileiros... Então, se fosse questão de horas trabalhadas, o brasileiro deveria ser mais rico que o inglês.
É uma lógica que não faz sentido nenhum. Trabalhar mais horas com produtividade baixa obviamente não vai resultar em mais renda. Trabalhar 12 horas cortando grama com uma tesoura vai render menos do que trabalhar 6 horas cortando grama com um cortador de grama.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Compare a Islândia com a própria Islândia, Inglaterra com a própria Inglaterra: quanto mais ricos foram ficando com o consumo interno (e também externo no caso da Inglaterra), mais foram reduzindo suas jornadas de trabalho.

Está na hora de o Brasil pensar para dentro do Brasil também.
Eles não foram ficando ricos com o consumo interno, isso não existe. Foram enriquecendo sendo produtivos e produzindo coisas de maior valor agregado. A redução de jornada é consequência.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Não entendi o contexto... Qual país subdesenvolvido enriqueceu sem "torrar dinheiro"? O que seria torrar dinheiro?
Gastar

Não tem país no mundo que tenha adotado política de alta tributação e Estado inchado sem ter se desenvolvido antes. E não tem como se desenvolver aumentando gasto com Bolsa Família, aposentadorias e pensões, funcionalismo, etc em vez de gastar com a infra necessária.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Esses argumentos sempre na direção de "corte de gastos" servem para acionista, investidor, especulador em bolsa de valores. Mas para a economia real, principalmente comércio e serviços, não é simples assim. A mão-de-obra em Moçambique é muito mais barata que a do Brasil. Então, montar um salão de beleza em Maputo em regime 7x0 gera mais dinheiro que um 5x2 em São Paulo? Não, porque a demanda é São Paulo é muito maior.
A demanda é maior porque a renda do paulistano é maior do que a do moçambicano. Não é reduzindo a jornada que o moçambicano vai resolver isso, pelo contrário.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Vale relembrar o exemplo da faxineira com carro próprio que você citou. Isso é exceção da exceção na América Latina. Será que é porque "o carro é mais barato em São Paulo"? Ou será que é porque existem tantas pessoas dispostas (e com renda) para pagar por uma faxina que é possível cobrar mais caro, e as pessoas aceitam pagar?
É isso. São Paulo é o estado mais desenvolvido e industrializado, e isso se reflete na renda da população.

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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 04 Dez 2024, 22:47

Barbano escreveu:
04 Dez 2024, 11:57
Trabalhar mais horas com produtividade baixa obviamente não vai resultar em mais renda. Trabalhar 12 horas cortando grama com uma tesoura vai render menos do que trabalhar 6 horas cortando grama com um cortador de grama.
Exatamente! Agora estamos falando a mesma língua!

No Japão, país industrializado e produtor de máquinas, quando é necessário levar 20 caixas de madeira do ponto A ao ponto B, dois funcionários montam uma esteira rolante ultratecnológica comprada "ali na esquina", e completam o serviço em poucos minutos.

No Brasil, agroexportador, é mais barato chamar Zé, Crispim e Sebastião para carregarem as caixas no lombo do que importar a máquina que vem de navio lá do Japão.

O aumento da produtividade (que é intimamente relacionado a máquinas e infraestrutura) muitas vezes não é a prioridade do Brasil. Assim como não é em Bangladesh, que está conseguindo exportar para EUA e Europa produtos da indústria têxtil - mão de obra muito barata e menos mecanizada do que a da China, que é a maior potência industrial do mundo.

Ou seja, se a ideia é lucrar com exportação, faz todo o sentido ter trabalhadores de baixa produtividade ou até semi-escravos (pois os clientes não serão eles).

Se a ideia é enriquecer com consumo interno, são outros 500.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
03 Dez 2024, 23:23
Eles não foram ficando ricos com o consumo interno, isso não existe.
Vamos focar na Islândia: exportadora basicamente de peixe (pouco valor agregado). A maior fonte de renda é o turismo. Ficaram ricos com base em qual setor econômico?

Simplesmente o dinheiro que é gerado lá, fica por lá mesmo. O consumo é interno. População quase toda urbana, pouquíssima zona rural.

Quem nasce lá recebe herança de gerações e gerações, não é descendente de escravos que produziram riqueza sem direito a receber nada.

Já no Brasil escravocrata, os produtos eram vendidos para fora do Brasil, e o dinheiro da venda ficava na mão de poucos nhonhôs, que mandavam os filhos para morar e consumir fora do Brasil.
Barbano escreveu:
04 Dez 2024, 11:57
Foram enriquecendo sendo produtivos e produzindo coisas de maior valor agregado. A redução de jornada é consequência.
As duas coisas andam juntas. Para aumentar a produtividade, eles importam uma máquina baratinha ali do lado (Noruega, Alemanha etc). E com o aumento da produtividade, aumenta-se o tempo livre para consumir dentro do país.

Fiquei curioso: qual é esse produto de grande valor agregado na Islândia?
Barbano escreveu:
04 Dez 2024, 11:57
Não tem país no mundo que tenha adotado política de alta tributação e Estado inchado sem ter se desenvolvido antes. E não tem como se desenvolver aumentando gasto com Bolsa Família, aposentadorias e pensões, funcionalismo, etc em vez de gastar com a infra necessária.

A demanda é maior porque a renda do paulistano é maior do que a do moçambicano. Não é reduzindo a jornada que o moçambicano vai resolver isso, pelo contrário.

É isso. São Paulo é o estado mais desenvolvido e industrializado, e isso se reflete na renda da população.
Você mesmo se respondeu de trás pra frente: a industrialização é capaz de enriquecer uma região. São Paulo foi escolhido para ser o centro industrial do Brasil, assim como uma área na Califórnia foi escolhida para ser o Vale do Silício, e o Sudeste da China foi escolhido para serem as ZEE (Zonas Econômicas Especiais).

Você acha que a indústria de São Paulo e do Sul é de exportação? Basicamente é consumo interno dentro do Brasil. A pouca exportação é mais para Argentina, Paraguai, Uruguai... E geralmente produtos de multinacionais, de Cheetos a Volkswagen.

Se Moçambique se industrializasse para exportação, seria ótima a escala 7x0 (para os consumidores estrangeiros, pois baratearia o custo). Mas se a ideia fosse se industrializar para consumo interno, o caminho natural seria formar um mercado consumidor. Isso se faz com aumento da produtividade (máquinas) que é básico da industrialização, e assim o mercado consumidor interno surgiria quando houvesse renda e dias livres para consumo.

O Brasil tem essa industriazinha interna (olha São Paulo aí) e tem o setor terciário (serviços) como a maior fonte de renda da população... Só tem a ganhar se esses CLTs de serviços ganharem 1 dia para consumir (e não jogar no Tigrinho! pois Tigrinho é o real problema).

Segue um link de onde surgiu a semana de 5x2... EUA. Fonte: Você S/A, revista liberal, num texto com várias críticas aos soviéticos:
NOTÍCIAS

Isso só foi possível porque os interesses dos sindicalistas e dos patrões, numa ocasião rara, correspondiam: no pós-Guerra, os EUA produziam tudo em uma escala inédita na história da civilização. Inclusive lazer: havia muitos filmes para assistir, bicicletas para pedalar, hambúrgueres para comer, carros conversíveis para dirigir… Os trabalhadores precisavam de tempo para consumir o que eles próprios fabricavam.

https://vocesa.abril.com.br/sociedade/q ... empregados

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Mensagem por Barbano » 05 Dez 2024, 10:15

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
04 Dez 2024, 22:47
Vamos focar na Islândia: exportadora basicamente de peixe (pouco valor agregado). A maior fonte de renda é o turismo. Ficaram ricos com base em qual setor econômico?

Simplesmente o dinheiro que é gerado lá, fica por lá mesmo. O consumo é interno. População quase toda urbana, pouquíssima zona rural.
Meu Deus, de novo esse papo de comparar com a Islândia :lol:

Só o fato da maior fonte de renda ser o turismo (discutível, pelo que vi turismo representa só 10% do PIB de lá) já comprova que não tem como comparar com um país como o Brasil, que é extenso e populuso. Aliás, nem é um dinheiro de fato gerado lá, é grana que vem de fora e gringo torra lá.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
04 Dez 2024, 22:47
Fiquei curioso: qual é esse produto de grande valor agregado na Islândia?
Pesca, indústria relacionada à pesca, e, como você disse, turismo. Turismo tem um bom valor agregado porque você tem um custo mínimo (as atrações naturais já estão lá) e o valor que as pessoas estão dispostas a pagar em viagens costuma ser alto.

A população pequena influencia. Veja que MT hoje tem um dos maiores PIBs per capita do Brasil, com população relativamente pequena (ainda assim 10 vezes maior que a da Islândia). Se o MT tivesse uma população igual à de MG, provavelmente o per capita seria bem menor, já que o PIB gerado pelo agro seria "dividido" por uma base maior.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
04 Dez 2024, 22:47
O Brasil tem essa industriazinha interna (olha São Paulo aí) e tem o setor terciário (serviços) como a maior fonte de renda da população... Só tem a ganhar se esses CLTs de serviços ganharem 1 dia para consumir (e não jogar no Tigrinho! pois Tigrinho é o real problema).
Mas eu já rebati várias vezes essa falácia, consumo não tem relação com tempo disponível, tem relação com renda. Essa indústria interna vai é ter custos maiores se houver uma redução de jornada, o que vai dificultar o acesso da população a esses bens de consumo que ela produz, com tudo mais caro.

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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 05 Dez 2024, 12:27

Barbano escreveu:
05 Dez 2024, 10:15
Meu Deus, de novo esse papo de comparar com a Islândia :lol:
Só está sendo citada Islândia para explicar como a escala 4x3 adotada lá aumenta o consumo, aquece o comércio local. Se preferir debater outro país populoso, podemos focar em Brasil (220 milhões) x Bangladesh (173 milhões). Ou China, ou Índia, como preferir.
Barbano escreveu:
05 Dez 2024, 10:15
Só o fato da maior fonte de renda ser o turismo (discutível, pelo que vi turismo representa só 10% do PIB de lá) já comprova que não tem como comparar com um país como o Brasil, que é extenso e populuso. Aliás, nem é um dinheiro de fato gerado lá, é grana que vem de fora e gringo torra lá.
Pesca, indústria relacionada à pesca, e, como você disse, turismo. Turismo tem um bom valor agregado porque você tem um custo mínimo (as atrações naturais já estão lá) e o valor que as pessoas estão dispostas a pagar em viagens costuma ser alto.
A população pequena influencia. Veja que MT hoje tem um dos maiores PIBs per capita do Brasil, com população relativamente pequena (ainda assim 10 vezes maior que a da Islândia). Se o MT tivesse uma população igual à de MG, provavelmente o per capita seria bem menor, já que o PIB gerado pelo agro seria "dividido" por uma base maior.
Você está confundindo três conceitos: 1) participação do setor no PIB; 2) fonte de renda das pessoas; 3) PIB per capita.

No caso do Brasil, o agro em 2023 representou 17% do PIB, indústria 25%, serviços 58%. Cálculo aproximado com base no site do IBGE:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/a ... 9-trilhoes

Outra coisa completamente diferente são as fontes de renda dos habitantes: trabalho (juntando os 3 setores), rendimento de investimento financeiro, aposentadoria, benefício, aluguel de imóvel etc.

E dentre os setores do trabalho como fonte de renda, não quer dizer que o agro empregue 17%. Emprega menos, pela natureza da atividade.

PIB per capita é outra coisa completamente diferente. Ficam à frente paraísos fiscais (Ilhas Cayman, Bermuda etc) e países ricos com população de baixa renda (Qatar). Não significa que abrir um comércio nesses lugares vai gerar mais dinheiro que no Brasil. Muito pelo contrário!

Acho que vai ficando mais claro quem tem uma lojinha urbana precisa escolher um ponto onde tenham clientes que consumam. Não importa se o cliente é trabalhador do agro, da indústria, dos serviços, ou aposentado, turista, beneficiário etc.

Dizer que turismo tem alto valor agregado é forçar a barra. Por essa lógica, Salvador que tem 25% do PIB vindo do turismo seria uma cidade rica, com um setor de alto valor agregado. Você acerta quando fala da população pequena (= menor concorrência), pois pra ver a aurora boreal (turismo sazonal que não tem o ano todo), você terá 2 ou 3 lojinhas disputando a renda do turista em determinado ponto. Já no Pelourinho, serão centenas de pessoas competindo para tentar o ganha-pão todos os dias.

Percebe que a Islândia não é rica por "exportar peixe que dá 12% do PIB" nem porque "existe turismo de 10% do PIB"? É porque as pessoas têm renda (herdada ou acumulada por diversos fatores) e consomem lá dentro. Inclusive, é uma facilidade das ilhas. Se o islandês viajasse muito e consumisse tudo de fora, o dinheiro ficaria longe. Esse problema acontece em cidades de fronteira, onde a pessoa trabalha em um país e consome em outro.
https://www.canalrural.com.br/projetos/ ... dia-74859/
Barbano escreveu:
05 Dez 2024, 10:15
Mas eu já rebati várias vezes essa falácia, consumo não tem relação com tempo disponível, tem relação com renda. Essa indústria interna vai é ter custos maiores se houver uma redução de jornada, o que vai dificultar o acesso da população a esses bens de consumo que ela produz, com tudo mais caro.
Aí já é não querer entender. "E tá tudo bem". Acabei de postar um link da Você S/A relatando que os empresários americanos perceberam no início do Século XX que venderiam mais bicicletas, mais automóveis, teriam maior bilheteria em filmes de Hollywood ao trocar o 6x1 por 5x2. Assim surgiu o "weekend" que não existia antes. Folga era só domingo.

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Mensagem por Barbano » 09 Dez 2024, 11:59

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
05 Dez 2024, 12:27
No caso do Brasil, o agro em 2023 representou 17% do PIB, indústria 25%, serviços 58%. Cálculo aproximado com base no site do IBGE:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/a ... 9-trilhoes
Tá errado, e não é a primeira pessoa que vejo nos últimos dias superestimando o PIB do agro. É coisa de 7% (700 bi de 11 tri de PIB)
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
05 Dez 2024, 12:27
Outra coisa completamente diferente são as fontes de renda dos habitantes: trabalho (juntando os 3 setores), rendimento de investimento financeiro, aposentadoria, benefício, aluguel de imóvel etc.

E dentre os setores do trabalho como fonte de renda, não quer dizer que o agro empregue 17%. Emprega menos, pela natureza da atividade.

PIB per capita é outra coisa completamente diferente. Ficam à frente paraísos fiscais (Ilhas Cayman, Bermuda etc) e países ricos com população de baixa renda (Qatar). Não significa que abrir um comércio nesses lugares vai gerar mais dinheiro que no Brasil. Muito pelo contrário!
Tirando essas exceções como paraísos fiscais, PIB e renda tendem a caminhar mais ou menos juntos. É raro país com PIB per capita alto e renda baixa, e praticamente impossível país com PIB per capita baixo e renda alta.

Uma porcentagem considerável do PIB é arrecadada pelo governo por tributação, e isso acaba retornando para a sociedade de algumas formas, como remuneração de servidores, benefícios sociais, aposentadorias e pensões, etc. Então o PIB per capita tende a acabar refletindo no rendimento da população.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
05 Dez 2024, 12:27
Dizer que turismo tem alto valor agregado é forçar a barra. Por essa lógica, Salvador que tem 25% do PIB vindo do turismo seria uma cidade rica, com um setor de alto valor agregado. Você acerta quando fala da população pequena (= menor concorrência), pois pra ver a aurora boreal (turismo sazonal que não tem o ano todo), você terá 2 ou 3 lojinhas disputando a renda do turista em determinado ponto. Já no Pelourinho, serão centenas de pessoas competindo para tentar o ganha-pão todos os dias.
Mas é isso que eu disse, no caso específico da Islândia o turismo gera um alto valor agregrado. É um país com população do tamanho da população de Limeira, mas que certamente atrai muito mais turistas do que Limeira. E turistas com grana.

Tem muito dado furado na internet. Isso de que o turismo corresponde a 25% do PIB do Salvador é um exemplo, não existe isso. O PIB de Salvador tá acima de 60 bilhões por ano:

https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2 ... pais.ghtml

Se 25% do PIB viesse do turismo, ele movimentaria 15 bilhões por ano. Mas não chega nem perto desse valor. No estado todo não chega a 4 bilhões:

https://atarde.com.br/municipios/pib-do ... es-1288754

No estado todo o turismo representa menos de 4% do PIB baiano:

https://bahiaeconomica.com.br/wp/2022/1 ... 11-e-2021/
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
05 Dez 2024, 12:27
Percebe que a Islândia não é rica por "exportar peixe que dá 12% do PIB" nem porque "existe turismo de 10% do PIB"? É porque as pessoas têm renda (herdada ou acumulada por diversos fatores) e consomem lá dentro.
.
Não existe renda sem produção. Sem a exportação de peixes, turismo, etc a renda do país tenderia a zero.

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 10 Dez 2024, 00:47

Barbano escreveu:
09 Dez 2024, 11:59
Tá errado, e não é a primeira pessoa que vejo nos últimos dias superestimando o PIB do agro. É coisa de 7% (700 bi de 11 tri de PIB)
Eu trouxe o dado do próprio site do IBGE e postei o link. Realmente os valores estão próximos do que você falou (agro R$ 677,6 bilhões e PIB 10,9 trilhões). Só a porcentagem (calculada por mim) realmente não bateu.
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/a ... 9-trilhoes.

Você viu em qual fonte? Qual a porcentagem da indústria e dos serviços nessa fonte?
Barbano escreveu:
09 Dez 2024, 11:59
Tirando essas exceções como paraísos fiscais, PIB e renda tendem a caminhar mais ou menos juntos. É raro país com PIB per capita alto e renda baixa, e praticamente impossível país com PIB per capita baixo e renda alta.

Uma porcentagem considerável do PIB é arrecadada pelo governo por tributação, e isso acaba retornando para a sociedade de algumas formas, como remuneração de servidores, benefícios sociais, aposentadorias e pensões, etc. Então o PIB per capita tende a acabar refletindo no rendimento da população.
Sim, claro. Porém, para uma lojinha de bairro, o que importa não é PIB per capita, e sim a demanda (pessoas com renda, tempo e interesse em consumir).

Vamos pegar o próprio estado da Bahia para mostrar a diferença: a cidade baiana com maior PIB per capita é São Francisco do Conde, por causa da refinaria de petróleo. São apenas 40 mil habitantes "assistindo" o petróleo jorrar. Isso não se reflete em renda para a população, de modo que S.F. do Conde não tem uma demanda alta por consumo.

Salvador é uma cidade gigantesca, e é disparada a campeã de consumo na Bahia. Uma das cidades com maior PIB no Brasil (é o 6º município brasileiro em total de receitas brutas). Mas em PIB per capita, está na 53ª posição dentro do estado (e último lugar entre todas as capitais do Brasil):
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/salvador/panorama

Ou seja, para o assunto que estamos discutindo (CLT, redução de jornada e aumento da demanda por consumo), o PIB per capita não ajuda muito.

Olhando para o Brasil... Você acha que alguma dessas cidades com maiores PIB per capita do Brasil tem mais consumo que a cidade de São Paulo?
NOTÍCIAS
O município de Catas Altas, em Minas Gerais, ficou com o primeiro lugar no ranking do país, com R$ 920.833,97. A cidade mineira tem a extração de minério de ferro como a principal atividade da economia. O segundo e terceiro lugares ficaram com o munícios de Canaã dos Carajás/PA (R$ 894.806,28) e São Gonçalo do Rio Abaixo (R$ 684.168,71) - ambos também têm o minério de ferro como protagonista das atividades econômicas.
https://www.correio24horas.com.br/minha ... ional-1223
Barbano escreveu:
09 Dez 2024, 11:59
Mas é isso que eu disse, no caso específico da Islândia o turismo gera um alto valor agregrado. É um país com população do tamanho da população de Limeira, mas que certamente atrai muito mais turistas do que Limeira. E turistas com grana.
Tem muito dado furado na internet. Isso de que o turismo corresponde a 25% do PIB do Salvador é um exemplo, não existe isso. O PIB de Salvador tá acima de 60 bilhões por ano:
Se 25% do PIB viesse do turismo, ele movimentaria 15 bilhões por ano. Mas não chega nem perto desse valor. No estado todo não chega a 4 bilhões:
No estado todo o turismo representa menos de 4% do PIB baiano:
Não existe renda sem produção. Sem a exportação de peixes, turismo, etc a renda do país tenderia a zero.

Não entendi bem o que você quis dizer com "valor agregado". O conceito que conheço se refere a produtos manufaturados: um lingote de ferro tem mais valor agregado do que o minério de ferro bruto.

Sobre turismo x proporção de habitantes, está correto: na Islândia o turismo é de belezas naturais e são só 400 mil habitantes, sendo que a maioria já possui renda de outras fontes e não depende disso. Do outro lado, a Jamaica é privilegiadíssima em quesito de belezas naturais, com suas praias paradisíacas, mas são quase 3 milhões de pessoas, as quais não herdaram renda.

A Jamaica recebe mais turistas em termos absolutos do que a Islândia:
https://www.dadosmundiais.com/america/j ... urismo.php
https://www.dadosmundiais.com/europa/is ... urismo.php

Sabemos que a formação de renda da Jamaica é muito parecida com a de Salvador. As pessoas que trabalharam durante séculos na agricultura de exportação não tinham direito a receber os frutos do seu trabalho (muito menos seus filhos, que eram mercadorias e não herdeiros). Já na Islândia, cada um que trabalhou recebia parte do que produzia, e ainda passou a herança adiante.

Como você acha que é esse PIB "invisível" da Islândia, longe dos 12% de exportação da pesca, e longe dos 10% do turismo? O que são os outros 78% do PIB deles? A maior parte é simplesmente islandês comprando de islandês. Numa caricatura, o ferreiro (que é bisneto de ferreiro) comprando pão do padeiro (que é bisneto de padeiro). Agrozinho, industriazinhas e servicinhos locais, sem importância alguma para o resto do mundo. É esse o poderoso mercado interno. Infelizmente, o Brasil foi idealizado para agroexportação. Mas está na hora de mudar.

E quanto à participação do turismo no PIB de Salvador, realmente não deve ser 25% do PIB. É algo que às vezes se fala na cidade, mas que pode ser um telefone-sem-fio. Talvez o correto seja: 25% dos dólares que entram em Salvador vêm do turismo. Só pesquisando depois.

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Mensagem por Barbano » 10 Dez 2024, 16:05

Vou tentar não me alongar muito, pois já estamos girando em círculos :P
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 00:47
Eu trouxe o dado do próprio site do IBGE e postei o link. Realmente os valores estão próximos do que você falou (agro R$ 677,6 bilhões e PIB 10,9 trilhões). Só a porcentagem (calculada por mim) realmente não bateu.
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/a ... 9-trilhoes.

Você viu em qual fonte? Qual a porcentagem da indústria e dos serviços nessa fonte?
Site do IBGE mesmo. É um dado que deveria ser encontrado facilmente, mas na prática tem sido meio chatinho de achar a informação correta. Mas como o IBGE tem os dados nominais, dá para inferir as participações por regra de 3.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 00:47
Como você acha que é esse PIB "invisível" da Islândia, longe dos 12% de exportação da pesca, e longe dos 10% do turismo? O que são os outros 78% do PIB deles? A maior parte é simplesmente islandês comprando de islandês. Numa caricatura, o ferreiro (que é bisneto de ferreiro) comprando pão do padeiro (que é bisneto de padeiro). Agrozinho, industriazinhas e servicinhos locais, sem importância alguma para o resto do mundo. É esse o poderoso mercado interno. Infelizmente, o Brasil foi idealizado para agroexportação. Mas está na hora de mudar.
Dá mais, né? Indústria (em sua maior parte relacionada à pesca) responde por quase 25% do PIB da Islândia.

A maior parte do PIB deles é do setor de comércio e serviços, mas isso não é só islandês trocando figurinha. Isso é uma visão simplista. Por exemplo, parte desse PIB do comércio e serviços é gasto de pessoas que recebem benefícios do governo. Benefícios que o governo consegue pagar arrecadando impostos principalmente de setores como a indústria. O pessoal que trabalha nos setores de turismo, indústria e agro também consome serviços e compra no comércio. Ou seja, parte do PIB atribuído a serviços e comércio também é consequência do valor gerado nos outros setores. Claro que aí também vai ter trabalhador do comércio comprando coisa da indústria e do agro, etc. Certamente o turismo, a pesca e a indústria da Islândia são essenciais para fazer a roda da economia girar por lá.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 00:47
Não entendi bem o que você quis dizer com "valor agregado". O conceito que conheço se refere a produtos manufaturados: um lingote de ferro tem mais valor agregado do que o minério de ferro bruto.
Sim, é por aí o conceito. Assim como uma pizza tem um valor agregado maior do que 300 gramas de farinha, 2 litros de leite e 1 tomate.

De fato no turismo é mais difícil quantificar isso. Mas, exemplificando, uma roda gigante tem um valor agregado maior do que o aço utilizado para construir ela. O turista pode estar disposto a pagar um valor alto para andar nela. Já no caso de atrações naturais você pode atrair turistas com um custo zero, ou custo apenas de manutenção (como limpeza, segurança e iluminação de uma praia). A infra-estutura construída na praia seria o valor agregado no caso. Algo que custou pouco para o Estado vai gerar arrecadação e movimentar a economia.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 00:47
Salvador é uma cidade gigantesca, e é disparada a campeã de consumo na Bahia. Uma das cidades com maior PIB no Brasil (é o 6º município brasileiro em total de receitas brutas). Mas em PIB per capita, está na 53ª posição dentro do estado (e último lugar entre todas as capitais do Brasil):
E em renda per capita também entre as capitais com renda mais baixa. Também é uma das capitais que mais sofre com o desemprego elevado. Ou seja, já mostra que há aí alguma correlação entre renda e PIB.

Não adianta a gente querer comparar cidadezinhas no cu do Judas porque obviamente vai haver distorções. Por exemplo, Gavião Peixoto tem um PIB per capita 5 vezes maior do que o da vizinha Araraquara, por sediar uma fábrica da Embraer. A sede fica na área rural, entre Araraquara e Gavião Peixoto. É meio óbvio que a maior parte dos peão da Embraer moram em Araraquara, e não na minúscula Gavião Peixoto. A indústria ajuda a elever o PIB da cidade, a arrecadação da prefeitura, e com isso a cidadezinha é muito bem cuidada, com excelentes serviços públicos. Mas não tem o dinamismo da cidade maior, e isso não se reflete na renda da população. Em nível de país já costuma haver uma correlação maior entre PIB e renda.

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 10 Dez 2024, 22:39

Barbano escreveu:
10 Dez 2024, 16:05
Site do IBGE mesmo. É um dado que deveria ser encontrado facilmente, mas na prática tem sido meio chatinho de achar a informação correta. Mas como o IBGE tem os dados nominais, dá para inferir as participações por regra de 3.
O que eu fiz foi justamente regra de três, mas antes somei agropecuária (677,6 bilhões) + indústria (2,4 trilhões) + serviços (6,4 trilhões) = PIB 9,4 trilhões. Aí o agro dá 16%, 17% do PIB. Já você deve ter feito a regra de três com o número de PIB 10,9 trilhões. Ou seja, falta 1,5 trilhão que não está claro de onde vem.

De qualquer forma, sendo o agro 7% ou 17% do PIB, é muito pouco. Somos um país desde 1500 projetado para ser exportador de commodities e, mesmo assim, a nossa economia é dominada pelos serviços.
Barbano escreveu:
10 Dez 2024, 16:05
Dá mais, né? Indústria (em sua maior parte relacionada à pesca) responde por quase 25% do PIB da Islândia.
A maior parte do PIB deles é do setor de comércio e serviços, mas isso não é só islandês trocando figurinha. Isso é uma visão simplista. Por exemplo, parte desse PIB do comércio e serviços é gasto de pessoas que recebem benefícios do governo. Benefícios que o governo consegue pagar arrecadando impostos principalmente de setores como a indústria. O pessoal que trabalha nos setores de turismo, indústria e agro também consome serviços e compra no comércio. Ou seja, parte do PIB atribuído a serviços e comércio também é consequência do valor gerado nos outros setores. Claro que aí também vai ter trabalhador do comércio comprando coisa da indústria e do agro, etc. Certamente o turismo, a pesca e a indústria da Islândia são essenciais para fazer a roda da economia girar por lá.
Então estamos concordando. É renda de lá que fica lá dentro mesmo.
Ainda que fosse exportação de pesca 15% + indústria de pesca supostamente voltada para exportação 25% + turismo 15%, daria 40% de receita vinda de fora.
Os outros 60% são serviços internos, são agro para consumo interno, são indústria de bolacha para consumo interno, etc.
E esses trabalhos internos serão prestados em escala 4x3, para que os consumidores possam consumir. Sejam eles operários, pescadores ou beneficiários da assistência social.
Do ponto de vista interno, o problema seria comprar tudo de fora. Ou então, ficar jogando jogo do Tigrinho ou bets, mandando o dinheiro gerado na Islândia para Aruba ou Curaçao.
Várias grandes empresas do "Betil" (Vivo, Itaú, Assaí etc) já fizeram estudos demonstrando que essas porcarias estão impactando o consumo dos produtos deles. Espera-se que a jornada de trabalho de 5x2 dê uma nova perspectiva de futuro, longe desse caminho de fuga.
Barbano escreveu:
10 Dez 2024, 16:05
A infra-estutura construída na praia seria o valor agregado no caso. Algo que custou pouco para o Estado vai gerar arrecadação e movimentar a economia.
Aí tudo bem. Um corrimão, uma ponte, uma escada num lugar turístico realmente deixam de ser objetos simples e agregam valor à atividade turística.

O que não faz sentido é falar que turismo é uma atividade "de alto valor agregado" que fez a Islândia ficar rica. É o contrário... Não há nenhum exemplo de país que ficou rico com turismo.

Vale relembrar que a Jamaica também é uma ilha, e recebe muito mais turistas que a Islândia. A verdade é que todo país poderia ser rico, desde que não levassem a riqueza dele para outro lugar.
Barbano escreveu:
10 Dez 2024, 16:05
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 00:47
Salvador é uma cidade gigantesca, e é disparada a campeã de consumo na Bahia. Uma das cidades com maior PIB no Brasil (é o 6º município brasileiro em total de receitas brutas). Mas em PIB per capita, está na 53ª posição dentro do estado (e último lugar entre todas as capitais do Brasil):
E em renda per capita também entre as capitais com renda mais baixa. Também é uma das capitais que mais sofre com o desemprego elevado. Ou seja, já mostra que há aí alguma correlação entre renda e PIB.
"PIB per capita" e "renda per capita" são a mesma coisa.

A correlação que não existe é entre "PIB/renda per capita" e CONSUMO.

Para uma lojinha que vende fone de ouvido de R$ 10, ou manicure que cobra R$ 10, a renda per capita é irrelevante; importante é a quantidade de pessoas com R$ 10 querendo comprar fone ou fazer unhas. E isso Salvador tem bastante.

Já para abrir uma loja da Zara, aí sim pode fazer algum sentido olhar renda per capita (e olhe lá... pois Salvador tinha 2 lojas e ficou com 1; enquanto isso "as cidades do cu do Judas" têm alta renda per capita, mas não têm consumo que justifique a abertura de lojas dessas).
Ranking do consumo brasileiro aponta Salvador como quinta colocada; veja números
https://www.bnews.com.br/noticias/econo ... meros.html

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Mensagem por Barbano » 12 Dez 2024, 17:23

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 22:39
O que eu fiz foi justamente regra de três, mas antes somei agropecuária (677,6 bilhões) + indústria (2,4 trilhões) + serviços (6,4 trilhões) = PIB 9,4 trilhões. Aí o agro dá 16%, 17% do PIB. Já você deve ter feito a regra de três com o número de PIB 10,9 trilhões. Ou seja, falta 1,5 trilhão que não está claro de onde vem.
Onde que dá 17%? :lol:

0,678/9.4 = 7,2%.

Mas achei no site do IBGE uma tabela que traz luz aos fatos:

https://ftp.ibge.gov.br/Contas_Nacionai ... ab13_1.xls

Dados de 2022: Agro 6,7%, Indústria 26,3%, Serviços 67%. A soma dá 100% bonitinho.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 22:39
Então estamos concordando. É renda de lá que fica lá dentro mesmo.
Ainda que fosse exportação de pesca 15% + indústria de pesca supostamente voltada para exportação 25% + turismo 15%, daria 40% de receita vinda de fora.
Os outros 60% são serviços internos, são agro para consumo interno, são indústria de bolacha para consumo interno, etc.
Sim né. A questão é que esses 60% são em boa parte dependente da receita gerada pelos outros 40%. Afinal o trabalhador desses setores consome nos supermercados, lojas, manicures e padarias locais, o que engrossa o PIB do setor. Digamos que, sem esses 40%, uma boa parte dos outros 60% também evaporaria.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 22:39
"PIB per capita" e "renda per capita" são a mesma coisa.
Claro que não. Renda per capita é a renda média da população:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_ ... per_capita
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 22:39
Para uma lojinha que vende fone de ouvido de R$ 10, ou manicure que cobra R$ 10, a renda per capita é irrelevante; importante é a quantidade de pessoas com R$ 10 querendo comprar fone ou fazer unhas. E isso Salvador tem bastante.

Já para abrir uma loja da Zara, aí sim pode fazer algum sentido olhar renda per capita (e olhe lá... pois Salvador tinha 2 lojas e ficou com 1; enquanto isso "as cidades do cu do Judas" têm alta renda per capita, mas não têm consumo que justifique a abertura de lojas dessas).
Isso aí é questão meramente populacional. É óbvio que uma cidade de 3 milhões de pessoas vai ter mais público consumidor pra qualquer coisa do que uma cidade de 30 mil habitantes. Por isso que o adequado é utilizarmos o per capita.

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 19 Dez 2024, 01:20

Barbano escreveu:
12 Dez 2024, 17:23
Onde que dá 17%? :lol:
0,678/9.4 = 7,2%.
Mas achei no site do IBGE uma tabela que traz luz aos fatos:
https://ftp.ibge.gov.br/Contas_Nacionai ... ab13_1.xls
Dados de 2022: Agro 6,7%, Indústria 26,3%, Serviços 67%. A soma dá 100% bonitinho.
Putz... Verdade. Não lembro mais de onde veio aquele cálculo errado. Obrigado pela correção.

O agro realmente representa pequena parte do PIB. É importante para a balança comercial do Brasil porque nossas exportações são basicamente agro e mineração. Mas gera renda para pouquíssimos brasileiros.
Barbano escreveu:
12 Dez 2024, 17:23
Sim né. A questão é que esses 60% são em boa parte dependente da receita gerada pelos outros 40%. Afinal o trabalhador desses setores consome nos supermercados, lojas, manicures e padarias locais, o que engrossa o PIB do setor. Digamos que, sem esses 40%, uma boa parte dos outros 60% também evaporaria.
Exato. Da mesma forma, os empregados CLT do setor de serviços do Brasil são grande parte do mercado consumidor. Os autônomos brasileiros (ou "microempreendedores") ganham mais dinheiro se os clientes brasileiros estiverem bem empregados. É assim que funciona o mercado interno em qualquer país com economia saudável e sustentável. E é esse mercado interno que gera a maior parte da renda nesses países. É mais conterrâneo vendendo para conterrâneo do que exportando. Aliás, o excesso de exportação ainda aumenta os preços no mercado interno.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
10 Dez 2024, 22:39
"PIB per capita" e "renda per capita" são a mesma coisa.
Barbano escreveu:
12 Dez 2024, 17:23
Claro que não. Renda per capita é a renda média da população:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_ ... per_capita
Virou "o gato ou o quico"...? O cálculo do PIB per capita é o PIB dividido pela população. E a renda per capita? Também.

Agora, se por "renda per capita" você quer dizer "renda domiciliar per capita", aí sim é diferente.
Barbano escreveu:
12 Dez 2024, 17:23
Isso aí é questão meramente populacional. É óbvio que uma cidade de 3 milhões de pessoas vai ter mais público consumidor pra qualquer coisa do que uma cidade de 30 mil habitantes. Por isso que o adequado é utilizarmos o per capita.
Então vamos pegar Balneário Camboriú (130 mil habitantes), que tem renda per capita muito maior que Salvador (2,5 milhões de habitantes).

No mercado de luxo e alto padrão, é claro que Balneário Camboriú tem um mercado consumidor maior que Salvador. A demanda nesse ramo é maior em BC.

Já para o microempreendedor, para a lojinha de bairro simples, humilde e modesta (a manicure que precisa da presença física do cliente pobre), é claro que Salvador tem um mercado consumidor muito maior. A demanda nesse ramo é maior em SSA.

Ou seja, para analisar o impacto positivo do fim do 6x1 na demanda da lojinha de bairro, a renda per capita não é o melhor índice. É preciso conferir a DEMANDA pelo serviço que está sendo oferecido. É bem simples isso.

Em Balneário Camboriú (que já tem preços megainflacionados e é voltada propositadamente para ricos), o benefício do fim do 6x1 aquecendo a economia local pode não ser tão grande quanto será em Salvador.

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Mensagem por Barbano » 19 Dez 2024, 08:49

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 01:20
Virou "o gato ou o quico"...? O cálculo do PIB per capita é o PIB dividido pela população. E a renda per capita? Também.

Agora, se por "renda per capita" você quer dizer "renda domiciliar per capita", aí sim é diferente.
Renda per capita é exatamente isso (renda domiciliar per capita). Não sei porque você tá fazendo essa confusão de renda com PIB. A lista que eu mandei inclusive é de renda, não de PIB per capita.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 01:20
Então vamos pegar Balneário Camboriú (130 mil habitantes), que tem renda per capita muito maior que Salvador (2,5 milhões de habitantes).

No mercado de luxo e alto padrão, é claro que Balneário Camboriú tem um mercado consumidor maior que Salvador. A demanda nesse ramo é maior em BC.

Já para o microempreendedor, para a lojinha de bairro simples, humilde e modesta (a manicure que precisa da presença física do cliente pobre), é claro que Salvador tem um mercado consumidor muito maior. A demanda nesse ramo é maior em SSA.
Será que tem? Talvez, por ser um nicho bem específico. Mas veja que a renda média de BC não é nem maior que a da capital do estado, Floripa.

Vou pegar um exemplo: Coco Bambu. Não é restaurante pra pobre, convenhamos. Eles tem duas unidades em Salvador, uma unidade em Florianópolis, e não têm nenhuma unidade em Balneário Camboriú.

Mais um exemplo: Vivara. Loja de joias que também não são exatamente baratas, né? Eles têm uma unidade em Balneário Camboriú, e nove unidades em Salvador.

Então eu me pergunto o quão elevado tem que ser o padrão para ter mais demanda em BC do que em Salvador. Em geral não é só pra lojinha do bairro que a demanda é bem maior em Salvador do que em Balneário Camboriú. Se 1% da população de Salvador e 10% da população de BC for de renda alta, ainda tem mais gente com renda alta em Salvador do que em BC.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 01:20
Ou seja, para analisar o impacto positivo do fim do 6x1 na demanda da lojinha de bairro, a renda per capita não é o melhor índice. É preciso conferir a DEMANDA pelo serviço que está sendo oferecido. É bem simples isso.
Sim, mas demanda tem relação com renda. Se o fim da jornada implicar em redução da renda real (com possível redução da jornada), a demanda não sobe, ela cai. Também é simples entender isso.

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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 19 Dez 2024, 11:10

Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 08:49
Não sei porque você tá fazendo essa confusão de renda com PIB. A lista que eu mandei inclusive é de renda, não de PIB per capita.
A lista que você mandou agora, sim! A renda domiciliar per capita até pode ajudar a entender alguns aspectos da demanda por consumo.

Mas antes, você estava citando PIB per capita, como no post abaixo. E eu respondi que o conceito de PIB per capita não ajuda em nada a entender a demanda por consumo, pois as distorções são imensas - um trabalhador do Qatar consome muito pouco.
Barbano escreveu:
05 Dez 2024, 10:15
Veja que MT hoje tem um dos maiores PIBs per capita do Brasil, com população relativamente pequena (ainda assim 10 vezes maior que a da Islândia). Se o MT tivesse uma população igual à de MG, provavelmente o per capita seria bem menor, já que o PIB gerado pelo agro seria "dividido" por uma base maior.
PIB per capita é irrelevante para o tema.
Barbano escreveu:
05 Dez 2024, 10:15
Será que tem? Talvez, por ser um nicho bem específico. Mas veja que a renda média de BC não é nem maior que a da capital do estado, Floripa.
Vou pegar um exemplo: Coco Bambu. Não é restaurante pra pobre, convenhamos. Eles tem duas unidades em Salvador, uma unidade em Florianópolis, e não têm nenhuma unidade em Balneário Camboriú.
Mais um exemplo: Vivara. Loja de joias que também não são exatamente baratas, né? Eles têm uma unidade em Balneário Camboriú, e nove unidades em Salvador.
Então eu me pergunto o quão elevado tem que ser o padrão para ter mais demanda em BC do que em Salvador. Em geral não é só pra lojinha do bairro que a demanda é bem maior em Salvador do que em Balneário Camboriú. Se 1% da população de Salvador e 10% da população de BC for de renda alta, ainda tem mais gente com renda alta em Salvador do que em BC.
"Nicho bem específico" é mercado de acarajé ou de chimarrão. Mercado de luxo é basicamente o mesmo em todo lugar, só que limitado a pessoas de renda muito alta.

Cocobambu e Vivara são lojas de shopping. Isso não é mercado de luxo. Uma pessoa de classe média compra nesses lugares, ainda que demore a voltar.

Você tem que comparar é mercado de automóveis de luxo, como Ferrari, Lamborghini, Porsche... Mercado imobiliário de luxo... Mercado de iates de luxo... Coisas que uma pessoa de classe média não tem acesso. E estatisticamente, podemos dizer que não terá. A não ser que mude de classe, sendo a exceção da exceção.


Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 08:49
Sim, mas demanda tem relação com renda. Se o fim da jornada implicar em redução da renda real (com possível redução da jornada), a demanda não sobe, ela cai. Também é simples entender isso.
Claro que tem relação com renda. Só que você está partindo da premissa que o aumento do tempo livre vai reduzir a renda dos empregados CLT, seja por redução de salários, ou seja por aumento de preços.

Primeiro, redução de salário não vale para quem ganha salário mínimo, por motivo óbvio.

Tem mais empregado CLT no Brasil que ganha salário mínimo do que os que ganham entre 1 e 2, ou mais de 2. É a maior faixa. Pesquisa de 2022:
NOTÍCIAS
Segundo a pesquisa, a divisão dos trabalhadores de acordo com faixa de renda fica na seguinte forma:

• até 1 salário mínimo (R$ 1.212): 35,63% – 34.766 milhões de pessoas.
• entre 1 a 2 salários mínimos (R$ 2.424) – 30.798 milhões de pessoas.
• acima de 2 salários mínimos – 32.009 milhões de pessoas.
https://www.educamaisbrasil.com.br/educ ... diz-estudo
Segundo, para quem ganha mais que o mínimo, uma escala 5x2 significa tempo livre para desenvolver uma atividade autônoma (uma atendente de farmácia poderá fazer bolos para vender e aumentar sua renda), ou estudar para uma vaga mais qualificada. 6x1 é uma prisão que te exclui de outras oportunidades de aumentar sua renda futuramente.

E vale lembrar que quem ganha até R$ 5 mil terá isenção de Imposto de Renda e poderá consumir mais.

Terceiro, mesmo que essa pessoa não queira estudar ou fazer um bico (em que você complementa sua renda, podendo ganhar R$ 200 num dia enquanto seu emprego CLT paga R$ 50 por dia... e se ficar doente, continua recebendo o dinheiro da empresa que te contratou pela CLT, ou do INSS), essa pessoa satisfeita com a renda que tem poderá consumir o que não conseguia antes. Trocar a lasanha Sadia ultraprocessada que comia por falta de tempo pela Lasanha da Dona Maria da esquina.

E sobre aumento de preços, não é um problema em si. O pão francês (ou pão de sal em Salvador) é muito mais caro em São Paulo e Balneário Camboriú. Você está caindo naquele discurso de que "aumentar o salário mínimo vai reduzir o poder de compra". Sendo que o salário mínimo pode aumentar acima da inflação, e aumentar assim o poder de compra. O salário mínimo na Inglaterra é muito maior que no Brasil. O pão francês também é muito mais caro. Mas as pessoas podem comprar.

E no Brasil, também poderão. E o maior aumento do poder de compra virá dos donos de lojinhas de bairro, que terão aumento de renda com o aumento de demanda por consumo. Entendo o seu ponto de vista de "corte de gastos", mas o importante mesmo para o lojista é o aumento da demanda. Só não é assim para quem já opera na capacidade máxima sem capacidade ociosa, que é a exceção (multinacionais e megaempresas).

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Mensagem por Barbano » 19 Dez 2024, 16:49

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
A lista que você mandou agora, sim! A renda domiciliar per capita até pode ajudar a entender alguns aspectos da demanda por consumo.

Mas antes, você estava citando PIB per capita, como no post abaixo. E eu respondi que o conceito de PIB per capita não ajuda em nada a entender a demanda por consumo, pois as distorções são imensas - um trabalhador do Qatar consome muito pouco.

PIB per capita é irrelevante para o tema.
Não é irrelevante, ainda mais falando em país. Não existe país de PIB per capita baixo e renda alta, simplesmente renda depende de que o país seja produtivo. O inverso pode até acontecer (PIB per capita alto e renda baixa). Mas melhoria na renda implica necessariamente em um PIB decente.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
"Nicho bem específico" é mercado de acarajé ou de chimarrão. Mercado de luxo é basicamente o mesmo em todo lugar, só que limitado a pessoas de renda muito alta.
Nicho é porção restrita do mercado. Justamente por ser um público reduzido, é um nicho específico (pessoas de alta renda).
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
Cocobambu e Vivara são lojas de shopping. Isso não é mercado de luxo. Uma pessoa de classe média compra nesses lugares, ainda que demore a voltar.

Você tem que comparar é mercado de automóveis de luxo, como Ferrari, Lamborghini, Porsche... Mercado imobiliário de luxo... Mercado de iates de luxo... Coisas que uma pessoa de classe média não tem acesso. E estatisticamente, podemos dizer que não terá. A não ser que mude de classe, sendo a exceção da exceção.
Tanto faz. Se prefere a Porshe como exemplo, ok. Tem concessionária Porshe em Salvador, e não tem concessionária Porshe em Balneário Camboriú.

Independente do exemplo, fica claro que essa tua premissa de que o mercado de luxo de BC é maior do que o de Salvador não tem fundamento. É mero achismo.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
Claro que tem relação com renda. Só que você está partindo da premissa que o aumento do tempo livre vai reduzir a renda dos empregados CLT, seja por redução de salários, ou seja por aumento de preços.

Primeiro, redução de salário não vale para quem ganha salário mínimo, por motivo óbvio.
Não, não é óbvio. A redução não precisa ser nominal. Se o custo com mão de obra aumenta, isso é repassado ao produto/serviço, e o poder de compra cai. Quem ganha o mínimo pode continuar com o mesmo salário, mas com poder de compra menor. Não tem mágica.

Se o governo reajustar na canetada, duas hipóteses: hiperinflação (já que vira bola de neve) ou mão de obra sendo substituída por automação, onde for viável. Onde não for, ou o serviço se torna mais caro, ou inviável e baixa as portas.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
Segundo, para quem ganha mais que o mínimo, uma escala 5x2 significa tempo livre para desenvolver uma atividade autônoma (uma atendente de farmácia poderá fazer bolos para vender e aumentar sua renda), ou estudar para uma vaga mais qualificada. 6x1 é uma prisão que te exclui de outras oportunidades de aumentar sua renda futuramente.
Ou seja, é uma redução de jornada que na prática fará a pessoa ter uma jornada maior e trabalhar mais para conseguir uma renda decente. Redução pra inglês ver.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
essa pessoa satisfeita com a renda que tem poderá consumir o que não conseguia antes. Trocar a lasanha Sadia ultraprocessada que comia por falta de tempo pela Lasanha da Dona Maria da esquina.
A lasanha da Dona Maria da esquina geralmente é mais cara (e melhor) que a da Sadia :]

Mais provável que essa pessoa tenha que trocar a Sadia pela Rezende, e comer algo pior ainda.

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 19 Dez 2024, 23:15

Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 16:49
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 11:10
PIB per capita é irrelevante para o tema.
Não é irrelevante, ainda mais falando em país. Não existe país de PIB per capita baixo e renda alta, simplesmente renda depende de que o país seja produtivo. O inverso pode até acontecer (PIB per capita alto e renda baixa). Mas melhoria na renda implica necessariamente em um PIB decente.
Ou seja, você mesmo se respondeu: "Não São Todos os que Estão, Nem Estão Todos os que São".

PIB per capita alto pode coexistir com o consumo baixo (ex: Ilhas Cayman, Doha no Qatar, São Francisco do Conde na Bahia).

E o consumo alto pode coexistir com PIB per capita baixo (que é o exemplo de Salvador).

Ou seja, o que importa para abrir uma lojinha de bairro é a DEMANDA. É o consumo na prática.

Se o tema é impacto do fim do 6x1 nas lojinhas de bairro, é melhor citarmos dados de consumo na prática.

Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 16:49
Tanto faz. Se prefere a Porshe como exemplo, ok. Tem concessionária Porshe em Salvador, e não tem concessionária Porshe em Balneário Camboriú.

Independente do exemplo, fica claro que essa tua premissa de que o mercado de luxo de BC é maior do que o de Salvador não tem fundamento. É mero achismo.
Tá de brincadeira? kkkkkkkk

A concessionária Porsche de Salvador foi inaugurada em 2022 para começar a explorar esse mercado.

A concessionária Porsche de Florianópolis foi inaugurada em 2016. Florianópolis fica a menos de 100 Km de Balneário Camboriú, que é considerada a Dubai brasileira justamente por carros de luxo transitando pela cidade, prédios luxuosos etc.

Dados de consumo na prática:
NOTÍCIAS
SC fica em segundo lugar na venda de carros de luxo no país em agosto
Alto número de empresários e profissionais liberais ajuda a impulsionar vendas de carros de luxo em SC
09/09/2024
Levantamento de concessionárias de automóveis mostra que Santa Catarina ficou em segundo lugar na venda carros de luxo em agosto no país, totalizando o emplacamento de 392 unidades. Esse ranking tem São Paulo à frente, com 1.651 unidades vendidas, seguido por SC (392), Paraná (297), Minas Gerais (273) e Rio Grande do Sul (245).

(...)
Considerando as marcas de automóveis premium, a liderança em SC seguiu com a BMW, que vendeu em agosto 102 unidades. Em segundo lugar ficou a Volvo com 75 unidades, seguida pela Porsche com 72, a Audi com 50 e a Mercedes-Benz com 37 unidades vendidas.
https://www.nsctotal.com.br/colunistas/ ... -em-agosto
NOTÍCIAS
Ceará lidera venda de Porsche no Nordeste; veja modelos mais procurados
31 de Maio de 2024 - 07:00
O Ceará continua se mostrando um mercado relevante para a Porsche em 2024. Foram 85 veículos da marca emplacados de janeiro a maio de 2024 (dados até o dia 28) - maior número do Nordeste, desbancado os mercados de Bahia (65) e Pernambuco (51). Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
https://diariodonordeste.verdesmares.co ... -1.3517616
Ou seja, em um único mês, Santa Catarina teve mais vendas de Porsches (72) do que as vendas de 5 meses na Bahia (65, portanto uma média de 13 por mês). Dá 5 vezes mais! kkkkkkkk

E imagino que você entenda que grande parte desses Porsches catarinenses está na Dubai brasileira, não é? Ou precisa se aprofundar ainda mais nos dados para acreditar que a demanda por Porsches em BC é maior que em SSA?

Agora, se formos discutir manicure de bairro, te garanto que a demanda de Salvador vai superar com folga. Podemos pesquisar também.
Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 16:49
A redução não precisa ser nominal. Se o custo com mão de obra aumenta, isso é repassado ao produto/serviço, e o poder de compra cai. Quem ganha o mínimo pode continuar com o mesmo salário, mas com poder de compra menor. Não tem mágica.

Se o governo reajustar na canetada, duas hipóteses: hiperinflação (já que vira bola de neve) ou mão de obra sendo substituída por automação, onde for viável. Onde não for, ou o serviço se torna mais caro, ou inviável e baixa as portas.
Ou seja, aumento de preços. Você está concordando com o que eu falei.

A redução do poder de compra pode ocorrer por redução de salário ou por aumento de preços. E você descreveu o aumento de preços (por motivo de aumento de custos).

A sua dificuldade até aqui é entender como funciona o aumento de DEMANDA. E como o aumento de custos pode coexistir com o aumento de demanda (pense na Inglaterra ou na China, se não conseguir enxergar isso no Brasil).
Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 16:49
Ou seja, é uma redução de jornada que na prática fará a pessoa ter uma jornada maior e trabalhar mais para conseguir uma renda decente. Redução pra inglês ver.

Renda decente = poder de compra maior do que o atual, seja pelo "bico" de maior valor mantendo a segurança da CLT, seja pela faculdade ou curso técnico que a pessoa poderá fazer no tempo livre.

Consegue achar isso ruim? kkkkkkkkk. Ou acha que é fácil pra quem trabalha 6x1 fazer faculdade?
Barbano escreveu:
19 Dez 2024, 16:49
A lasanha da Dona Maria da esquina geralmente é mais cara (e melhor) que a da Sadia :]

Mais provável que essa pessoa tenha que trocar a Sadia pela Rezende, e comer algo pior ainda.
Então vamos tentar o exercício contrário: você consegue imaginar algum cenário de AUMENTO DE DEMANDA na Lasanha da Dona Maria, mantendo a escala 6x1?

A loja dela (salão com karaokê, com rodízio, com som ao vivo etc) fica num bairro popular e não existe a menor chance de passar um turista por lá. E o delivery para outras regiões também não compensa, pois fica distante dos grandes centros. Ela já faz delivery dentro do próprio bairro.

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