Mensagem
por Antonio Felipe » 11 Nov 2016, 19:12
Vou só deixar uma passagem de "A Vontade de Poder", de Nietzsche, que li ontem:
Psicologia rudimentar do homem religioso: – Todas as modificações são efeitos, todos os efeitos são efeitos-da-vontade. Falta o conceito “natureza”, “lei da natureza”. A todo efeito pertence um efetivador [Täter]. Psicologia rudimentar: apenas se é si mesmo, no caso: causa, quando se sabe que se quis.
Por conseguinte: os estados de poder imputam ao homem o sentimento de não ser a causa, de ele ser irresponsável em relação a eles: eles chegam sem ser queridos: logo, não somos os autores; a vontade não livre (isto é, a consciência de uma modificação em nós sem que a tenhamos desejado) necessita de uma vontade estrangeira.
Consequência: o homem não ousou se atribuir todos os seus momentos mais fortes e assombrosos, – ele os concebeu como “passivos”, como “sofridos”, como dominações –: a religião é um rebento [Ausgeburt] de uma dúvida sobre a unidade da pessoa, uma altération da personalidade –: toda a grandeza e toda a força do homem eram concebidas como sobre-humanas, como estrangeiras, o homem apequenava-se, – ele cindiu os dois lados em duas esferas: uma muito deplorável e fraca, a outra tremendamente forte e assombrosa; chamou a primeira de “homem” e a segunda de “Deus”.
Prosseguiu sempre com isso, não interpretou seus estados-morais elevados e sublimes, nos períodos de idiossincrasia moral, como “desejados”, como “obra” da pessoa. Cristo também cinde a sua pessoa em uma mesquinha e fraca ficção, que ele chama de homem, e em uma outra, que ele chama de Deus (salvador, redentor) -
A religião degradou o conceito de “homem”; sua extrema consequência é que tudo o que é bom, grande, verdadeiro é sobre-humano, sendo presenteado, apenas, por meio de uma graça...
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