Há pouco falei sobre um gibi colombiano, vou falar agora sobre o que achei do primeiro luso que li. Comprei um exemplar
português do "
Disney Especial". Trata-se do número #06 (Patinhas vs. Patacôncio), de fevereiro de 2014. A editora é Goody.
Com tiragem de
20.000 exemplares e preço de 3,90 euros, o título trouxe 13 histórias,
todas italianas, sendo
11 ainda inéditas no Brasil. A fonte utilizada nos balões é exatamente a mesma usada pela Editora Abril por aqui. O nome dos personagens também são os mesmos que os utilizados no Brasil. Ao invés de "roteiro", usam a palavra "texto" nos créditos. As páginas são maiores que formatinho, do mesmo tamanho que os exemplares do "Essencial Disney".
Como era de se esperar, pude notar diversas
palavras diferentes, ou com signficação diferente do português brasileiro, como "fatos". Lá isso parece ser uma espécie de casaco. O "fato" de fato é "facto"
Também notei muitas - muitas mesmo -
expressões e formas de falar restritas a Portugal (ou também usadas aqui, mas eventualmente). Como exemplos, "forreta" (avarento), "cebola" (relógio de má qualidade), "furibundo" (furioso), "sarilho", "cobarde" (com B), "tarte" (torta), "palrar" (falar com voz de papagaio), "ornitólogo" (biólogo de aves), "caluda" (pedido de silêncio), "coscuvilheiro" (causador de intrigas), "aldrabão" (trapaceiro, mentiroso), "amaragem" (pouso de hidroavião na água), "pavonear" (ostentar), "metediço" (intrometido), "petardo", "batota" (trapaça), "carris" (rastros de pneu) e "motor de iões".
Gostei também de outras
frases: "a quem o dizes" (muito usada, quando alguém te diz algo que você também sente ou passa pela mesma coisa) e "sem um especialista, teria de certeza problemas". Equivalente a "vende como água", usam "vende que nem ginja".
Mas a melhor expressão é esta:
Dá pra perceber também
variações na colocação pronominal, deixando uma conversa coloquial culta demais ("Vimo-vos a vir", etc.).
Estas colocações pronominais ficam até repetitivas, como em "perguntas-me a mim". Ora, claro que seria a ti, como vão perguntar-te a outro?
Também notei que
nunca usam o gerúndio. Ao menos nesse gibi, nunca mesmo. Fica até estranho, dando a entender que as ações são contínuas e nunca acabam. Eles usam "a fazer", "a jogar", "a estar", "estão a ser", e por aí vai. Também vi que usam a condicional (assim que se chama?) de uma forma diferente, que soaria errada no Brasil. Exemplo, "bem que eu gostaria" lá dizem "bem que eu gostava", mesmo que o sujeito nunca praticou o que está falando.
(detalhe para o trocadilho com a banda portuguesa Xutos & Pontapés).
Encontrei também alguns
erros, como:
Esta aqui nem entendi, para aparecer primeiro no índice, o Patacôncio mudaria seu nome para... Patacôncio?
O "
Disney Big" também é publicado por lá:
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Mais um post exclusivíssimo. Se gostou, curta e comente! PS: não sei porque as fotos ficaram tão enormes.