Educação

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Scopel
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Re: Educação

Mensagem por Scopel » 09 Ago 2012, 18:14

Chad Little #94 escreveu:Acabei de ouvir no rádio que quem estuda em federal não irá ter reposição e irá perder o ano.

Procede?
Não é por ano, é por semestre. Na minha o reitor garantiu que as aulas serão repostas e que os alunos não podem ser prejudicados. Isso de perder o semestre é terrorismo daqueles que são contra a greve e é bem possível que isso venha a acontecer em algumas universidades para tirar a legitimidade do movimento.

Tenham sempre em mente que os altos cargos, como reitoria e diretoria, bem como os cargos comissionados, são cargos políticos. Digo isso no sentido de que algumas posições devem ser defendidas, ainda que em detrimento dos interesses dos três seguimentos de uma universidade: professores, alunos e técnicos administrativos (a exceção, obviamente, dos terceirizados, pois não podem entrar em greve).

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Antonio Felipe
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Re: Educação

Mensagem por Antonio Felipe » 28 Ago 2012, 14:22

Fascinado que sou por questões da educação, fiquei encantado quando soube desta página, que foi destaque hoje em vários portais de notícias, como Veja, G1 e Estadão. Uma menina de 13 anos decidiu criar uma página para relatar os problemas que sua escola - pública - vem enfrentando. Desde o descaso com as instalações e até mesmo o ambiente que um professor permitia em sala de aula, impedindo a compreensão da matéria. Por causa de sua ação, a menina - que a princípio vinha exercendo uma luta solitária, tendo apoio dos pais, parentes - sofreu represálias até mesmo de merendeiras, virou alvo de risadinhas e até mesmo uma professora teria tentado criar um meio de ridicularizar o "Diário".

E eis que desde ontem, essa página vira notícia nacional, angariando milhares de curtidores e expondo de forma massiva as dificuldades que representam uma realidade não apenas dela, mas de estudantes de muitas escolas públicas pelo país. E isso demonstra também uma formas que temos para transformar a realidade: agir.

Vocês vejam, a menina de 13 anos não se intimida de lutar pelo que acha certo. E ela deixa bem claro, não está fazendo aquilo por ela apenas. Faz pelos colegas. Faz pelo bem do ambiente onde vive boa parte da vida e que tem um papel primário: fornecer, difundir educação, conhecimento.
Seria maravilhoso se mais e mais estudantes como Isadora surgissem por aí. Não para mobilizar-se com objetivos políticos como alguns movimentos, mas para lutar pela mudança de sua realidade. Para defender a chave da nossa evolução como profissionais, como cidadãos, como seres de uma cidade, de uma comunidade: a educação.

Certa vez tentei fazer algo parecido. Meio que provoquei uma pequena insurreição contra a vice-diretora da manhã de meu último colégio, em razão de seu descaso com os alunos em uma oportunidade. Movimentei alguns alunos, fiz um abaixo-assinado pedindo soluções. Alguns preferiram evitar represálias. Outros seguiram em frente. A vice-diretora seguiu, mas mudou sua postura. Eu e colegas fomos ouvidos pela direção.

Pequenas coisas, pequenos movimentos, pequenas atitudes, mas com um potencial imenso. É isso que a Isadora fez, talvez não imaginando o quão longe iria chegar. É isso. Se em cada um florescer esse espírito de transformação, de que é possível modificar o ambiente, vamos conseguir mudar o retrato de nossas escolas. Mas não basta que um apenas faça sua parte. Essa é uma briga coletiva. Pois com uma educação de qualidade, todos nós vamos ganhar, como cidadãos, como profissionais, como pais, como brasileiros. Mudar a realidade! Não é fácil! Mas é possível!

A página: https://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1 ... 4980576682

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Re: Educação

Mensagem por Raphael Gustavo » 28 Ago 2012, 14:43

Essa atitude é boa , seria muito bom mesmo se os estudantes ao invés de ficar se preocupando em fazer poses e ficarem se exibindo , se preocupassem em fazer álguma coisa pra tentar melhorar as condições das escolas públicas .

Na escola que eu estava estudando no primeiro semestre , o pessoal ( com ajuda dos professores ) , conseguiram derrubar o diretor , que era considerado um " ditador " , foi uma vitória , pelo menos pessoal agora lá tá tendo aula até o 12:20 .

O ideal seria que atitudes de protesto e clamação fossem mais comuns e habituais , pena que não é assim . :triste:
Principais campanhas no FCH :
1° lugar do Bolão Fórum Chaves VIP 2012
2° lugar do Bolão Fórum Chaves 2012
2° lugar da Chapoliga ( Cartola FC ) 2012
3° lugar do Trívia FCH ( 1ª Edição)
3° lugar da Fazenda do Fórum Chaves
Pior jogador de Haxball do Fórum Chaves

Raphael Gustavo - ex-muléki doidão ch e desde 2006 acessando e frequentando fóruns CH .

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Re: Educação

Mensagem por dedediadema » 01 Set 2012, 23:14



A situação dos estudantes no Brasil é tão enojante , que prefiro estar numa favela rodeado de traficante do que numa universidade .
Graças a Deus que terminei o ensino médio e não me enfiei numa merda dessas .

Esses ditos "estudantes" são a maior fonte de atitude vergonha no Brasil atualmente .

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Re: Educação

Mensagem por Scopel » 01 Set 2012, 23:22

Antonio Felipe escreveu:
Fascinado que sou por questões da educação, fiquei encantado quando soube desta página, que foi destaque hoje em vários portais de notícias, como Veja, G1 e Estadão. Uma menina de 13 anos decidiu criar uma página para relatar os problemas que sua escola - pública - vem enfrentando. Desde o descaso com as instalações e até mesmo o ambiente que um professor permitia em sala de aula, impedindo a compreensão da matéria. Por causa de sua ação, a menina - que a princípio vinha exercendo uma luta solitária, tendo apoio dos pais, parentes - sofreu represálias até mesmo de merendeiras, virou alvo de risadinhas e até mesmo uma professora teria tentado criar um meio de ridicularizar o "Diário".

E eis que desde ontem, essa página vira notícia nacional, angariando milhares de curtidores e expondo de forma massiva as dificuldades que representam uma realidade não apenas dela, mas de estudantes de muitas escolas públicas pelo país. E isso demonstra também uma formas que temos para transformar a realidade: agir.

Vocês vejam, a menina de 13 anos não se intimida de lutar pelo que acha certo. E ela deixa bem claro, não está fazendo aquilo por ela apenas. Faz pelos colegas. Faz pelo bem do ambiente onde vive boa parte da vida e que tem um papel primário: fornecer, difundir educação, conhecimento.
Seria maravilhoso se mais e mais estudantes como Isadora surgissem por aí. Não para mobilizar-se com objetivos políticos como alguns movimentos, mas para lutar pela mudança de sua realidade. Para defender a chave da nossa evolução como profissionais, como cidadãos, como seres de uma cidade, de uma comunidade: a educação.

Certa vez tentei fazer algo parecido. Meio que provoquei uma pequena insurreição contra a vice-diretora da manhã de meu último colégio, em razão de seu descaso com os alunos em uma oportunidade. Movimentei alguns alunos, fiz um abaixo-assinado pedindo soluções. Alguns preferiram evitar represálias. Outros seguiram em frente. A vice-diretora seguiu, mas mudou sua postura. Eu e colegas fomos ouvidos pela direção.

Pequenas coisas, pequenos movimentos, pequenas atitudes, mas com um potencial imenso. É isso que a Isadora fez, talvez não imaginando o quão longe iria chegar. É isso. Se em cada um florescer esse espírito de transformação, de que é possível modificar o ambiente, vamos conseguir mudar o retrato de nossas escolas. Mas não basta que um apenas faça sua parte. Essa é uma briga coletiva. Pois com uma educação de qualidade, todos nós vamos ganhar, como cidadãos, como profissionais, como pais, como brasileiros. Mudar a realidade! Não é fácil! Mas é possível!

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Então a sua rapidez em condenar movimentos sociais ou a luta de classes é só hipocrisia?

dedediadema escreveu:


A situação dos estudantes no Brasil é tão enojante , que prefiro estar numa favela rodeado de traficante do que numa universidade .
Graças a Deus que terminei o ensino médio e não me enfiei numa merda dessas .

Esses ditos "estudantes" são a maior fonte de atitude vergonha no Brasil atualmente .
Fique sempre em alerta quando a sua opinião estiver coadunante com a da classe dominante.

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Re: Educação

Mensagem por Antonio Felipe » 01 Set 2012, 23:48

Scopel escreveu:
Antonio Felipe escreveu:
Fascinado que sou por questões da educação, fiquei encantado quando soube desta página, que foi destaque hoje em vários portais de notícias, como Veja, G1 e Estadão. Uma menina de 13 anos decidiu criar uma página para relatar os problemas que sua escola - pública - vem enfrentando. Desde o descaso com as instalações e até mesmo o ambiente que um professor permitia em sala de aula, impedindo a compreensão da matéria. Por causa de sua ação, a menina - que a princípio vinha exercendo uma luta solitária, tendo apoio dos pais, parentes - sofreu represálias até mesmo de merendeiras, virou alvo de risadinhas e até mesmo uma professora teria tentado criar um meio de ridicularizar o "Diário".

E eis que desde ontem, essa página vira notícia nacional, angariando milhares de curtidores e expondo de forma massiva as dificuldades que representam uma realidade não apenas dela, mas de estudantes de muitas escolas públicas pelo país. E isso demonstra também uma formas que temos para transformar a realidade: agir.

Vocês vejam, a menina de 13 anos não se intimida de lutar pelo que acha certo. E ela deixa bem claro, não está fazendo aquilo por ela apenas. Faz pelos colegas. Faz pelo bem do ambiente onde vive boa parte da vida e que tem um papel primário: fornecer, difundir educação, conhecimento.
Seria maravilhoso se mais e mais estudantes como Isadora surgissem por aí. Não para mobilizar-se com objetivos políticos como alguns movimentos, mas para lutar pela mudança de sua realidade. Para defender a chave da nossa evolução como profissionais, como cidadãos, como seres de uma cidade, de uma comunidade: a educação.

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Então a sua rapidez em condenar movimentos sociais ou a luta de classes é só hipocrisia?
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Re: Educação

Mensagem por Scopel » 02 Set 2012, 00:02

Por que o medo das palavras? Novamente o alerta para a reprodução de atitudes virulentas que correspondem às da classe dominante. Ou você nega que exista uma luta de classes? Acha que os interesses do capitalista e do trabalhador se confundem?

O "social" está aí só para contrapor o "individual". É um mito que muitas atitudes individuais correspondem a uma atitude social. Isso é que dizem na televisão. É clássico por exemplo como colocam a culpa nas sacolinhas, como se elas estivessem degradando o ambiente. Inventam o horário de verão como se fossem as pessoas que consumissem demais... ah, "desligue o chuveiro quando se ensaboar", porque é você quem desperdiça água e consome energia. Papo furado.

Não adiante sermos milhões se não formos um...

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Re: Educação

Mensagem por E.R » 08 Set 2012, 00:52

Já publicaram essa matéria - http://playboy.abril.com.br/entretenime ... ne-deu-pt/ - neste tópico ?

Quinta-feira, 15h21. Em meio ao calor de 27 graus do inverno goiano, jovens da UNE se concentram atrás de um trio elétrico. A música eletrônica genérica e o forte cheiro de maconha pairam igualitariamente entre bandeiras de grupos partidários rivais. Estamos no segundo dia do 52o Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (Conune), e a passeata que deveria percorrer os 3 quilômetros entre o Centro de Convenções de Goiânia e a Praça Universitária, próxima à Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), está parada. Das caixas de som vem um anúncio: “Atenção, Pedro Cometi, vulgo ‘Peidinho’, dirija-se ao trio elétrico. Pedro Cometi, vulgo ‘Peidinho’, dirija-se ao trio elétrico”.

O microfone passa às mãos de uma dirigente da União da Juventude Socialista (UJS), grupo ligado ao PCdoB, que tenta esquentar os ânimos. “Cadê a galera capixabaaaaa?” Cinquenta respondem. “Cadê o pessoal do Paranááááá?” Trinta respondem. “E do Amazonaaaaas?” Uma menina estrebucha e agita sua bandeira.

Então o som começa a falhar. A dirigente insiste: “Pessoal! Aq… frente vai… Sonho! Pess… fundo… berdade! No 3! U…! Dois! …!” Os estudantes se entreolham em busca de algum vestígio de instrução. Em vez disso, o que encontram é um mendigo maluco que abre a multidão como um Mar Vermelho brandindo um pedaço de pau de 1 metro e meio contra inimigos imaginários. Na recém-aberta clareira, sozinho e estrábico, o homem grita e desafia os estudantes. Ninguém respira. Uma vez convencido de que não estão contra ele, larga o pedaço de pau e se perde na multidão. O mendigo não sabe, mas acaba de protagonizar o gesto mais combativo do congresso, que entre 13 e 17 de julho tomou ruas e praças de Goiânia.

A União Nacional dos Estudantes foi fundada em 1937 e sempre demonstrou preferência por governos populistas de esquerda. A organização teve papel importante na repulsa ao fascismo na década de 1940, no apoio ao nacionalismo e à criação da Petrobras, em 1953, e na posse de João Goulart, em 1961. Durante o regime militar, mesmo perseguida e ilegalizada, a UNE teve seu período mais brilhante e combateu a ditadura nas ruas. Em 1968, o ano mais marcante no confronto entre a UNE e os militares, o estudante Edson Luís foi assassinado no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, e o Congresso da UNE em Ibiúna (SP) foi invadido. Mil estudantes foram presos – entre os quais José Genoino e José Dirceu, este à época presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Foi só ao fim da década de 1970, com o enfraquecimento da ditadura, que a UNE voltou a se estruturar. Em 1979, conseguiu realizar seu congresso de reconstrução em Salvador. Engrossou a campanha Diretas Já em 1984 e voltou à legalidade em 1985. Levou os caras-pintadas às ruas contra Collor em 1992 e várias vezes nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1994-2001).

Já com o PT a relação sempre foi amistosa : a UNE apoiou as candidaturas do partido à Presidência em 2002, 2006 e 2010. Sob o governo Lula, a UNE tornou-se praticamente uma estatal recebendo dinheiro público para organizar seus congressos nacionais.

Um dos últimos atos do ex-presidente Lula antes de passar a faixa a Dilma Rousseff foi liberar 44,6 milhões de reais para a UNE reconstruir sua sede na Praia do Flamengo, no Rio.

As estatais também colaboram com a UNE. A Petrobras contribuiu com 100 000 reais em cada um dos dois últimos Conunes, em 2007 e 2009. Neste ano, entrou de novo como patrocinadora majoritária do evento, ao lado da Eletrobras e de quatro ministérios : Turismo, Saúde, Educação e Transportes (que, enquanto o Congresso acontecia, perdeu o ministro e uma dúzia de funcionários graças a escândalos de corrupção).

O Governo de Goiás e a Prefeitura de Goiânia forneceram ginásio e escolas como alojamentos, ambulâncias e banheiros químicos. Até o fechamento desta edição, tanto Petrobras como UNE se esquivaram de revelar o valor do patrocínio. Sabe-se, no entanto, que este Conune contou com 4 milhões de reais de dinheiro público, além da participação da patrocinadora minoritária Caixa Econômica Federal, de cerca de 20 000 reais.

Augusto Chagas, 29 anos, estudante de sistemas de informação na USP (sua terceira faculdade incompleta em dez anos de vida acadêmica) e presidente da UNE até o final do congresso, se defende da acusação de peleguismo. “O que a UNE recebe dos patrocinadores é valor publicitário porque eles expõem as marcas no Congresso”, argumenta.

As marcas, no caso, estavam apenas no cartaz de fundo de uma palestra, alguns pôsteres menores no mesmo auditório e o logotipo da Petrobras no site da UNE.

Pergunto se a ausência de críticas à corrupção no governo federal por parte da UNE é mera coincidência. “Sempre nos posicionamos quando aparecem escândalos”, rebate Augusto Chagas.

Então pergunto se eles se mobilizaram contra o mensalão. Ele ignora a pergunta e declara que não dá para exigir que a UNE resolva o problema da corrupção no Brasil.

Digo que ninguém está cobrando que a UNE resolva o Brasil, mas que é estranho o silêncio dos estudantes sobre isso. Ele conclui: “A UNE cobra. Mas, com toda a legitimidade do mundo, a UNE escolhe suas prioridades nos fóruns”. Protestar contra a corrupção não está entre as prioridades da organização.

São 10h34 da manhã do segundo dia, e o Centro de Convenções de Goiânia reverbera os gritos de pelo menos 500 jovens. O andar de baixo da plateia é ocupado pela “situação”, que reúne filiados de determinadas tendências do PT, do PMDB, do PPL e, principalmente, do PCdoB. Já o mezanino é ocupado pela “oposição”, que amontoa menos de um terço do total de estudantes e é dividida entre membros da tendência Articulação de Esquerda do PT e um grupo pequeno, mas ruidoso, ligado ao PSOL. Todos estão ali por um só motivo : a anunciada presença do ex-presidente Lula, estrela maior deste Conune.

O atraso de 1 hora e meia é aliviado por palavras de ordem, olas e batidas de tambor. “Estudante de luta, qual é sua missão ? 10% do PIB para a educação !”, canta a situação. “Partido Comunista, pelego e ruralista !”, brada a Articulação de Esquerda. “O Palocci é do PT !”, relembra o grupo do PSOL. Tento me aproximar dos estudantes e compreender quais são os grupos que concorrem à presidência da UNE. Não é fácil. Meu instinto de entrevistar mulheres bonitas se mostra ineficiente : de modo geral, quanto mais atraente a militante, menos politizada ela é. Pergunto a uma menina da Articulação de Esquerda quais são as diferenças entre o seu movimento e a situação, representado pela UJS. Ela responde : “Não sei !” E ri. Eu devia ter antecipado a resposta pela tatuagem de borboleta no seu cofrinho.

As palavras de ordem se alternam até que enfim os palestrantes sobem ao palco. A mesa é ocupada por reitores de universidades particulares, políticos locais, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad (que Lula pretende lançar como candidato à prefeitura de São Paulo no ano que vem), e por membros da diretoria da UNE, entre eles o então presidente Augusto Chagas. Mas a plateia só tem olhos para o ex-presidente. Os estudantes vão à loucura. Gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro” tentam abafar o canto da oposição: “Lula e Dilma, que papelão, cortaram verba na educaçã o!” Luiz Inácio, por sua vez, parece distante. Durante a execução do Hino Nacional e os discursos que antecedem o seu, o ex-presidente mantém uma expressão melancólica, constipada.

Seu rosto só se ilumina quando toma o microfone. Ele espera o fim do frisson e começa. Diz que estava com saudade. Ovação. Diz que é apaixonado por microfones. Gargalhadas. Garante que Dilma estaria ali se pudesse e afirma que ele próprio deveria estar em uma viagem à Tunísia e ao Egito para palestras sobre democracia, mas que preferiu a UNE. Ovação. Ataca a elite, diz que nenhum dos depredadores da USP era pobre. Ovação. Ataca a imprensa. Ovação. Chama um jornalista de babaca. Ovação. Lula é ovacionado muitas outras vezes antes de concluir o discurso : “Do fundo do coração, muito obrigado por tudo o que vocês fizeram no meu mandato. Muito obrigado por tudo o que eu tenho certeza que vocês vão fazer pela nossa querida presidenta Dilma Rousseff. Muito obrigado pela compreensão que vocês tiveram com o ministro Fernando Haddad todo este tempo. E muito obrigado por vocês existirem”, finaliza. Então ele é cercado por seguranças, assessores e membros da mesa feito um pedaço de pão em um aquário.

Na borda do palco, os mais entusiasmados o aguardam. Dois deles tentam escalar o tablado, mas são frustrados por um assessor com um safanão armado na mão direita. Quando o ex-presidente finalmente se aproxima dos fãs, eles parecem querer comê-lo vivo. Estou no meio da turba, mas, elite, imprensa e babaca que sou, Lula me ignora quando solicito uma entrevista. Mãos se estendem tentando tocá-lo, algumas meninas choram de emoção. Quando ele vira as costas, puxado pelos seguranças, uma jovem divide sua emoção com a amiga: “Ai, meu Deus, ele segurou a minha mão por um tempão! Um tempão!” Quando eu olho de volta para o palco, Lula desapareceu.

São 22h30 do segundo dia, e a Praça Universitária, ponto final da marcha dos estudantes e epicentro do congresso, se enche de jovens de banho tomado. A 8 quilômetros dali, o grupo do PSOL (de oposição à atual diretoria) está esperando a água dos chuveiros voltar. O alojamento designado pela UNE à oposição é um ginásio decrépito em um bairro deserto e remoto. Em barracas e redes espalhadas por um ginásio apertado, os 120 estudantes descansam, conversam e tomam cachaça. No banheiro de chuveiros frios e coletivos, três rapazes de toalha esperam a caixa-d’água encher, seus mamilos pré-pubescentes espetando o escuro. Alguns ainda têm pinturas tribais no rosto.

Depois de convencer uma das líderes do Vamos à Luta (tendência do PSOL) de que não sou um tal de Léo que faz ciências sociais, ela concorda em conceder uma entrevista. Bárbara Sinedino tem 24 anos e faz teatro na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela acredita que a UNE não se mobiliza contra o governo porque a UJS só tem “pelegos”. Perguntada sobre por que os filiados do PCdoB conseguem se manter no poder, denuncia um esquema de criação de delegados fantasmas para engrossar o eleitorado.

A votação da diretoria da UNE é indireta desde a reconstrução da entidade, no final da década de 1970.

Bárbara acredita que Lula é um dos maiores problemas para os movimentos sociais brasileiros porque consegue mantê-los estáticos com sua popularidade. Também acredita que entre quatro lonas de barraca vale tudo dependendo da companhia.

Alojada em uma escola bem mais ampla e mais bem estruturada a um quarteirão da Praça Universitária, a delegação da UJS não tem problema com os chuveiros, o que fica claro quando sou interpelado por duas meninas bem vestidas, cheirosas e maquiadas em busca de uma tomada. Sugiro que elas procurem nas paredes, que é onde geralmente se encontram tomadas. Elas riem. Mais tarde eu as encontro secando o cabelo ao lado de um bebedouro. Um sujeito toma água e reclama: “Porra, vocês desligaram a água gelada pra ligar o secador!” “Ah, é rapidinho”, diz uma delas.

Conversamos. Elas são de Cascavel (PR), têm 18 anos, uma se chama Bruna e a outra, Andressa. Afirmam que são filiadas à UJS, mas não parecem dispostas a falar de política. Pergunto se elas vieram para a votação das plenárias. “Viemos pra votar, mas também pra curtir”, declaram.

O sentimento é compartilhado por muitos dos estudantes presentes, delegados que foram eleitos em suas universidades para representar os estudantes nas votações. Dos quase 6 mil delegados que vieram a Goiânia, cerca de 4 200, apenas, retiraram seus crachás para votar – pagando até 200 reais para fazê-lo. Desses, 3 181 estavam sóbrios ou acordados o suficiente para a plenária final, realizada na manhã de domingo, último dia de congresso. A chapa Movimento Estudantil Unificado para as Mudanças do Brasil, formada principalmente pela coalizão das duas maiores forças da UNE, a UJS e a Kizomba (da linha Democracia Socialista do PT), levou 75,5% dos votos. A Oposição de Esquerda, da Articulação de Esquerda do PT, levou 18,5% dos votos. A Mude – Movimento UNE Democrático, do PSOL, levou 5,8%. E a Por uma Nova UNE, do PSDB (cujos integrantes não foram localizados pela reportagem), conseguiu 5 votos, 0,2% do total. A presidência da UNE ficou nas mãos do UJS Daniel Iliescu, 26 anos, aluno de ciências sociais na UFRJ. O resultado era tão previsível que, dois dias antes da eleição, Daniel já me havia sido apresentado como “o novo presidente da UNE”.

É 1h27 da madrugada do terceiro dia, e a Praça Universitária ferve. Livres de bandeiras, camisetas políticas e pinturas tribais no rosto, os estudantes se embebedam com chope Klaro (o litro sai por 5 reais e tem gosto de milho) e vodca Rustoff (direto das garrafas plásticas). A maioria dos presentes dança nas tendas montadas pelos partidos. Como a praça não é muito grande, há uma constante cacofonia de estilos musicais que inclui rap, funk carioca, Bezerra da Silva, Raul Seixas, pagode, música eletrônica e muitos gêneros indecifráveis.

Uma loira razoável me olha fixamente, duas outras moças decidem dançar precisamente no meu campo de visão, e uma terceira vem puxar papo. Tenho tempo apenas para descobrir que ela é de Mato Grosso do Sul e esquecer seu nome quando um grandalhão estaca do seu lado, me olha com cara de mau e exibe o bíceps. A Mato Grosso do Sul tem algum rolo com ele. Me esquecem. A 3 metros dali, um sujeito gordo com boné e camiseta do Metallica cambaleia até uma cadeira e vomita roxo. Um engraçadinho empurra uma mesa de plástico até ele para fazê-lo vomitar em cima dela, mas ele a repele debilmente e desmaia sentado.

Um velho careca com cara de Ney Matogrosso doente se aproxima e pergunta se estou anotando o nome de todo mundo que passa por mim. Digo que não. Ele parece aliviado. Pergunto quem ele é. Enigmático, ele responde: “Eu sou nada…”

Nos próximos 5 minutos, sempre cuspindo perdigotos no meu rosto, ele conta que recebeu da Unesco o título de Sportsman for Peace por ter pedalado por dois anos em defesa dos direitos humanos. Ele ainda reproduz uma conversa supostamente travada entre o papa João Paulo 2o, a política irlandesa Iris Robinson e o antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan a respeito dele. Em italiano. Compreendo que o sujeito é completamente louco. Ele só sossega quando aceito fazer parte da produção do filme sobre ele mesmo que, afirma, realizará com os 10 milhões de dólares que levantou graças à Lei Rouanet.

Mal me livro do maluco e um hippie para ao meu lado, olha para meu bloco de notas e grasna (ele não ri, grasna). “Deve ser estranho ser observado observando os outros…”, diz. Respondo que não, não é. Ele vai embora.

Sou então interpelado outra vez. Agora por um homem de 56 anos que pergunta onde fica a fila do chope. Ele se diz defensor público do estado de Goiás e antigo filiado do Partido Comunista Brasileiro (PCB). “Isso aqui é uma vergonha. A UNE faz eleições indiretas, senta do lado do presidente e fala em democracia e independência ? No Congresso de 1982 não era assim ! Era 60% política e 40% putaria. Hoje é, no máximo, 20% política”, protesta. Ele me oferece um cigarro mentolado e prossegue : “O foda é que naqueles tempos só tinha baranga no PCdoB e no PCB. No PT, não. Elas bebiam, fumavam um, e todo mundo metia !”

Dou corda, e conversamos por meia hora, ao fim da qual ele insiste, seriíssimo, que eu leia os “Protocolos do Priorado dos Sábios de Sião”, um documento histórico antissemita forjado por membros da corte do czar Nicolau 2o para convencê-lo de que a modernização da Rússia era na verdade uma tentativa de dominação mundial pelos judeus. O documento foi usado para atacar os bolcheviques na Revolução Russa, o que torna ainda mais absurdo o fato de um ex-partidário do PCB levá-lo a sério. Mas, enfim, tudo é meio absurdo neste Conune.
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Re: Educação

Mensagem por Antonio Felipe » 08 Set 2012, 01:58

A UNE tem alguma utilidade hoje em dia?
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Re: Educação

Mensagem por Scopel » 08 Set 2012, 13:22

Para os estudantes, não.

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Re: Educação

Mensagem por @EA » 09 Set 2012, 16:15

Bem... O meu bilhete único foi fornecido pela UNE. :rolleyes:
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Re: Educação

Mensagem por Billy Drescher » 09 Set 2012, 17:41

O Conselho de Ensino e Graduação da UFRJ se reuniu nesta quarta-feira (5/9) para definir o calendário acadêmico pós-greve da universidade. Considerando as devidas especificidades de cada curso, o conselho buscou a formação de um calendário único, em que o início das aulas de reposição está marcado para a próxima segunda-feira (10/9). Devido à constatação de que professores de algumas unidades reiniciaram as aulas ainda durante o período de greve, foi decidido que qualquer atividade que descumpra o calendário será desconsiderada.

A duração do período de reposição das aulas será de cinco semanas, com início em 10 de setembro e término em 13 de outubro. Será facultada às unidades, no entanto, a extensão do período de reposição em mais uma semana, totalizando seis.

Após ouvir sugestão de estudantes presentes à reunião, o conselho determinou que na primeira semana do retorno às aulas não haverá realização de provas ou entrega de trabalhos, recomendando-se, ainda, que se faça o mesmo na segunda semana. A realização de avaliações fora do horário normal das aulas de cada curso também está vedada, assim como o cômputo de frequência. As exceções a esta determinação são os cursos em que as avaliações já são aplicadas normalmente fora do horário de aula.

O período de trancamento de disciplinas referentes ao primeiro período letivo está aberto desde o dia 5 e se encerra em 22 de setembro, sendo que a rematrícula da disciplina trancada se encerra uma semana após esse período, no dia 29. O lançamento de notas se inicia no dia 25 de setembro e se encerra em 22 de outubro, dia do início do segundo período letivo.

Está determinado um período de recesso entre os dias 22 de dezembro e 13 de janeiro de 2013, podendo a volta ser adiantada em uma semana para os cursos que tiveram uma semana a mais de reposição. O segundo período letivo referente a 2012 se encerra no dia 16 de março de 2013.

O período letivo referente ao primeiro semestre de 2013 começa em 1º de abril e se encerra em 3 de agosto. O período seguinte ocorre entre os dias 19 de agosto e 21 de dezembro.

O conselho definiu o calendário de aulas até 2014, quando será obrigatório um recesso de um mês entre junho e julho, devido à realização da Copa do Mundo. Assim, as aulas referentes ao primeiro período desse ano terão início em fevereiro.
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Re: Educação

Mensagem por Scopel » 09 Set 2012, 19:33

Erick Alessandro escreveu:Bem... O meu bilhete único foi fornecido pela UNE. :rolleyes:
De ônibus ou de meia entrada? Aqui o primeiro é fornecido pela própria empresa de transportes e o segundo pela nossa biblioteca. :vamp:

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Re: Educação

Mensagem por @EA » 10 Set 2012, 00:54

De ônibus, embora também sirva pra meia-entrada. Foi fornecido pela SPTrans em parceria com a UNE. :P
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Ouça Don Cristóvão quero avisar que a tripulação está com fome!
E por que não comem?
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Re: Educação

Mensagem por E.R » 15 Set 2012, 12:30

http://g1.globo.com/jornal-nacional/not ... cacao.html

As famílias brasileiras estão gastando mais com o transporte e com a saúde e menos com a alimentação. O IBGE divulgou dados baseados na pesquisa de orçamentos familiares realizada em 2008 e em 2009.

De carro ou de ônibus, ninguém escapou. Os preços das passagens subiram e os milhares de brasileiros que compraram o primeiro carro entre 2003 e 2009 descobriram que os gastos estavam só no começo.

“Estacionamento é o que pega mais, é mais caro e combustível também”, diz um motorista.

Em seis anos, o peso do transporte na despesa das famílias subiu pra 16%. Hoje, o brasileiro gasta para se deslocar quase o mesmo que para comer. O aumento do crédito e da renda que fez disparar a venda de carros, também mudou outros hábitos.

“As pessoas vão ficando com mais dinheiro no bolso e acabam gastando com bens de serviços que não são essenciais”, aponta o economista Celso Toledo.

Aos poucos, produtos de higiene e beleza abocanham uma parte maior do salário. Viraram os preferidos de Sandra, depois que ela se separou.

“Sente melhor, fica mais bonita, entendeu ? Chama mais a atenção”, defende ela.

Gastos com saúde também subiram. A maioria é com remédio.

“Para o joelho, para os ossos, para dor. Vai um dinheirão nisso”, diz uma senhora.

Pela primeira vez o IBGE detalhou os gastos dos brasileiros com viagens. Esse tipo de despesa é maior entre as pessoas que estudaram mais. No Brasil inteiro, a maioria das famílias viaja a lazer. Já o segundo principal motivo varia de região para região.

Viagens de negócios aparecem com destaque no Norte e Nordeste. Enquanto no Centro-Sul, o motivo é visita a parentes.

“Tenho irmã em Aracaju, tenho filho em Goiânia e hoje viemos para comemorar o aniversário do filho aqui”, conta uma mulher.

Mas tem coisa que o brasileiro não quer por perto. Estrada movimentada do lado de casa é a maior queixa, segundo a pesquisa do IBGE. Um efeito colateral do crescimento.

Outro dado dessa pesquisa mostra que as famílias estão gastando menos com educação.

Josefa da Conceição anda bem mais, hoje, para levar o filho até o colégio. A compensação é que não gasta quase nada com a educação de Juan. A troca da escola particular pela escola pública foi uma necessidade para aliviar o orçamento.

“Fiz as contas e fica muito puxado, além da mensalidade você teria que pagar e teria que comprar todo o material escolar”, diz a promotora de eventos.

Reduzir os custos com educação foi uma decisão tomada por muitos brasileiros nos últimos anos. É o que revela a pesquisa do IBGE : no gasto total das famílias, esse tipo de despesa teve queda de quase 25%.

Em seis anos, a fatia do orçamento que vai para educação caiu para 2,5%. Já a que vai para o pagamento de impostos subiu para 4,6%. O corte foi maior nas casas em que as mães criam seus filhos sozinhas : redução de 31%.

A única exceção está nas famílias chefiadas por trabalhadores domésticos. Nesse caso, o gasto com educação aumentou de 1,5% para 1,9%.

“Isso pode ser algum investimento, seja na escola privada, seja nos cursos de aperfeiçoamento, nos cursos de idioma, informática, profissionalizante”, aponta o pesquisador do IBGE José Mauro de Freitas Júnior.

Segundo os pesquisadores do IBGE, o custo do ensino privado pode ser uma das explicações para a diminuição dos gastos.

Para o economista Rubens Penha Cysne, cortar qualquer tipo de investimento em educação é preocupante.

“Isso é ruim, porque o que nós queremos é incluir pessoas que hoje em dia estão fora do mercado de trabalho e também pessoas que hoje em dia querem planejar, querem ter ideias, querem ser inovadoras e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento nacional”, defende o diretor de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas.
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