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por Jonas Pereira » 30 Out 2011, 21:06
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13/01/2010 - 12h56 - Atualizado em 29/10/2011 - 02h12
Mário Lúcio de Freitas comenta a dublagem do seriado Chaves
Por Paulo Pacheco, aluno do 1º ano de Jornalismo
Bodas de Prata
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Paulo Pacheco
Mário Lúcio de Freitas
Chaves comemora bodas de prata na televisão brasileira. Em 25 de agosto de 1984, foi exibido o primeiro episódio pelo SBT, emissora da qual jamais saiu. Mário Lúcio de Freitas trabalhou para o canal de Silvio Santos, por quinze anos, e acompanhou de perto a dublagem do humorístico.
Em entrevista, revela como foi a adaptação do seriado mexicano para o público brasileiro e sobre sua amizade com Marcelo Gastaldi, o primeiro dublador da personagem Chaves, que faleceu em 1995.
Quando começou sua carreira?
Foi no circo do meu pai, que também era palhaço, o Marabá, em 1952. Eu era o palhaçinho, meus pais eram trapezistas e trabalharam em circos como o Circo Garcia, mas ele acabou comprando o seu. Anos depois, comecei a fazer alguns programas de televisão. Acho que eles me viram no circo e me convidaram para fazer programas como o Praça da Alegria, criado por Manuel de Nóbrega. Comecei a fazer figuração, vestido de palhaço, e fui contratado.
E a carreira musical?
No circo eu já cantava. Em 1962, meu pai me comprou uma guitarra e comecei a tocar. Minha amiga Soninha, namorada de um amigo que já faleceu, o Marcelo Gastaldi, tocava violão e começou a me ensinar a música “Ouça”, da Maysa. E me convidaram para entrar em um conjunto que estava começando, Os Giannini’s. Era o contrabaixista, porque, como tinha quatro guitarristas e um baterista, alguém tinha que tocar contrabaixo (risos). Surgiu o programa Jovem Guarda, com todo aquele sucesso, a fila era muito grande e naquela época contrataram meu conjunto para ficar tocando na rua, animando a fila. Quando o baixista da Jovem Guarda saiu da banda, me convidaram para entrar no lugar e virei profissional.
Desse grupo fazia parte Marcelo Gastaldi, o primeiro dublador de Chaves?
Não. Éramos o quarteto vocal, Os Iguais, eu, o Antônio Marcos, que ficou famoso, o Apolo e o Marcelo Gastaldi. O Marcelo e eu éramos atores da TV Paulista, quando o conjunto acabou separamos e nos reencontramos depois, na época do SBT, nos anos 1980.
Como o senhor conheceu Silvio Santos?
Conheço o Silvio Santos desde 1959, enquanto estava ainda no circo e ele, na televisão. A primeira coisa que ele fez foi circo, e eu cheguei a fazer a “Caravana do Peru”, a caravana de circo do Silvio Santos.
Quando Chaves chegou ao SBT, o Silvio pediu para a Maga dublar. A Maga era um estúdio sem estúdio?
A Maga não tinha estúdio, mas nem precisava ter. O SBT tinha feito seis estúdios e terceirizava a dublagem. E me contratavam para fazer música para todas as séries. Eu dirigi muitas, como Jem e as Hologramas, Ursinhos Carinhosos, nos estúdios do SBT. O diretor da Maga era o Salathiel Lage, um amigo meu, que lutou bastante para o Chaves entrar no ar. O departamento artístico do SBT, que, na época, era TVS ainda, não gostava do projeto, dizia que era uma série muito ruim, com humor muito infantil, moleque, criança não gosta disso. O fato é que Chaves veio de contrapeso, o Silvio comprou uns programas, umas novelas e veio o Chaves de brinde (risos). Mas o Salathiel insistiu, mesmo com o próprio Silvio Santos não acreditando no Chaves.
Desde o começo da dublagem de Chaves o senhor também participava?
Eu participei de tudo, comecei antes disso. Eu fazia a parte musical. Todas as músicas que cantam na série fui eu que dirigi. O Chaves vai tocar uma música, mas sou eu que estou tocando. E algumas músicas também, que chamamos de “Background Music”, mas que, na verdade, é música e efeitos (ME). Depois, já nos anos 1990, teve o lote dublado na Marshmallow. A Maga foi para lá e alugou alguns estúdios.
Como foi fundada a Marshmallow?
Começou a pintar muita coisa para fazer, então, fiz uma sociedade com o Gilberto Santamaría para fazer o estúdio Marshmallow. Depois entrou um terceiro sócio, o Antônio Paladino, diretor da gravadora do SBT e da Som Livre. Montamos um estúdio de publicidade, e começamos a fazer dublagens. Depois saí e ficou só como dubladora mesmo.
Depois da Marshmallow veio a Gota Mágica. Como foi feita essa transição?
O meu primeiro sócio, Gilberto Santamaría, morreu com 38 anos. A sociedade com o Paladino não estava dando certo. Comecei a montar um estúdio para mim e a Gota Mágica, que estreou em 1994, surgiu dentro do estúdio da Marshmallow.
A dublagem do Clube do Chaves ficou marcada pela adaptação polêmica. Como foi feita a tradução?
Muitas piadas e trocadilhos, com palavras em espanhol, não teriam graça no Brasil. Eu cheguei a traduzir dois capítulos e não era fácil. Com os nomes das personagens, aconteceu isso também. No original, todos os nomes começavam com “Ch”: “Chómpiras”, “Chaparrón”. Nós tentamos traduzir da mesma forma, e colocamos “Chaveco” no “Chómpiras”. Pensamos em um nome para o “Chaparrón”, mas não tinha nenhum bom com “Ch”. Colocamos “Pancada”, mas chegamos a pensar em “Chapado” (risos).
O senhor procurou chamar os mesmos dubladores que dublaram a série clássica?
Sim. O Silton [Cardoso, dublador de Godines] estava perdido, só voltou agora. O Mário [Villela, dublador de Edgar Vivar] estava doente e não conseguiria dublar o Botijão, porque ele fala muito depressa. O Senhor Barriga ele conseguiria, mas o Botijão, não. Tanto que ele não conseguiu na dublagem dos DVDs. E Mário Villela, que dublava no Studio Gabia episódios que seriam lançados em DVD pela Amazonas Filmes, faleceu em 2005.
Como conheceu Cassiano Ricardo, o substituto do Marcelo Gastaldi no Clube?
O irmão dele trabalhou comigo no circo. O Cassiano é ator e estava na peça “Caixa Dois”. Eu o apresentei ao Salathiel Lage, que tinha voltado ao SBT. Procurei alguém que imitasse o Marcelo e o Cassiano nunca tinha dublado. Ele fez o teste e passou. O SBT não devia ter exibido o Chaves do Clube, só os clássicos, e só as outras personagens, Chaveco e Pancada. Por que não deveria? Fica no ar a questão...