
Em 20 de julho de 1971, o menino Chaves saiu do barril para entrar na história da cultura pop com a estreia na televisão mexicana da esquete 'El Chavo Ocho' dentro do 'Programa Chespirito'. O que era para ser apenas um quadro se transformou no ano seguinte em um programa sobre o cotidiano da vila onde mora o personagem órfão, representado por Roberto Gómez Bolaños, seus vizinhos e eventuais visitantes.
Quatro décadas após a estreia, sem querer querendo, o programa segue sendo exibido na TV em cerca de 30 países, incluindo o Japão, a China, a Austrália, França, Itália, Portugal, Estados Unidos e, é claro, o Brasil. Segundo Tiago Frazão, de 30 anos, analista de sistemas e membro da equipe do fã-clube Chespirito Brasil, acredita que a atração está no ar "querendo por querer. Pelo programa ser formador de caráter, pela fórmula usada no humor não ser desgastante".
Já Antonio Felipe, 21, assessor de comunicação, também membro do fã-clube Chespirito Brasil, diz que "Chaves é um seriado de humor atemporal, qualquer um, de qualquer parte do mundo, poderá compreender as tiradas cômicas, ficará identificado com algum personagem. É por isso que a série segue no ar em tantos países". Ele acredita que o programa vai ficar ainda muito mais tempo no ar - no Brasil, é exibido desde 1984. Com sucesso de audiência, quatro anos depois ele ganhou meia hora diária na grade da emissora, que o exibe diariamente até hoje.
A atração foi dublada para cerca de 50 idiomas e chegou a ser exibida até mesmo para países orientais, como China e Japão. Estima-se que cerca de 350 milhões de pessoas já viram as aventuras da Vila no mundo inteiro. Com tamanho sucesso, os intérpretes da série continuam sendo reconhecidos por este trabalho.
Os atores María Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, Carlos Vilagrán, de 67 anos, o Quico, seguem representando seus personagens em peças de teatro e circos pelo mundo. Vilagrán também é comentarista esportivo na TV mexicana. Florinda Meza, de 63 anos, a Dona Florinda, é diretora e produtora de novelas e peças de teatro no México. Ela é esposa do criador da série, com quem vive até hoje no México.
Edgar Vivar, intérprete do seu Barriga e Nhonho, emagreceu e tem dificuldades para fazer outros trabalhos. Rubén Aguirre, o professor Girafales, sofreu um acidente de carro em 2007, que o afastou da vida pública. Outros três atores já morreram: Ramón Valdez, que interpretava o Seu Madruga, Angelines Fernández, que interpretava Dona Clotilde, e Horácio Gómez Bolaños, interprete de Godinez.
Bordões do Chaves
Os personagens de Chaves têm como marca muitos bordões que comandam suas falas em todos os episódios. Os diálogos marcaram a infância de seus telespectadores.
Entre as principais falas de Chaves estão frases como "Isso, isso, isso", "Foi sem querer querendo", "Tá bom, mas não se irrite", "Ninguém tem paciência comigo", "É que me escapuliu", "Zás, zás, zás...", "Tudo eu, tudo eu" e "Ah, que burro, dá zero pra ele".