Dirigentes, federações e confederações esportivas
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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Mas é diferente, o Sanchez era integrante de uma torcida organizada e sempre teve no futebol a sua prioridade máxima, ao contrário da Palhaça.



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Mas o caso do Andrés é mais parecido com o do Dinamite, ambos pegaram de "ditadores" que estavam no poder há muito tempo (Dualib e Eurico) e acabaram em seu primeiro ano não conseguindo arrumar as coisas e caindo. Já da Patrícia é um pouco diferente, pois ela pegou o time que acabara de ser campeão brasileiro, tendo derrotado inclusive um dos caras responsáveis pela conquista.


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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
http://esportes.terra.com.br/

. A briga política dentro do Goiás pode ter tido um capítulo final no início da noite desta quinta-feira. O atual presidente executivo do clube, Syd de Oliveira, que voltou ao cargo nesta quarta-feira, entregou a carta-renúncia ao Conselho Deliberativo e não é mais presidente do Goiás.
A decisão pegou todos de surpresa e Syd saiu do clube sem falar com ninguém e sem dar sequer um pronunciamento oficial para a imprensa. Syd havia sido suspenso do cargo no último dia 31 de agosto, de forma preventiva, por 30 dias, pelo Conselho Deliberativo, presidido por Hailé Pinheiro, seu "oponente", que então assumiu a presidência de forma interina. Três dias depois, Syd conseguiu uma liminar na justiça comum e voltou ao cargo. O presidente dizia que não havia hipótese alguma de deixar o cargo e chegou a ironizar que isso só aconteceria pro infarte, derrame ou tiro.
Nesta quinta-feira, o presidente, ao lado de seu advogado, tomou a decisão e entregou nas mãos de Edson Ferrari, vice-presidente do Conselho, e saiu do clube. Quem assume novamente o posto é Hailé Pinheiro, já que os vices de Syd, Alexandre Iunes e Sebastião Macalé, também renunciaram a cerca de um mês.
Hailé é quem tem a missão de tirar o time do fundo do poço, saldar as dívidas e convocar novas eleições, já que ele afirmou de forma categórica que não quer ser presidente do clube por mais um mandato.
Outra medida deve ser investir em contratações, já que as inscrições se encerram no dia 27 de setembro e o técnico Jorginho já pediu a chegada de dois meias.
Um clube desses tem que ser rebaixado ! Que bagunça ! . A briga política dentro do Goiás pode ter tido um capítulo final no início da noite desta quinta-feira. O atual presidente executivo do clube, Syd de Oliveira, que voltou ao cargo nesta quarta-feira, entregou a carta-renúncia ao Conselho Deliberativo e não é mais presidente do Goiás.
A decisão pegou todos de surpresa e Syd saiu do clube sem falar com ninguém e sem dar sequer um pronunciamento oficial para a imprensa. Syd havia sido suspenso do cargo no último dia 31 de agosto, de forma preventiva, por 30 dias, pelo Conselho Deliberativo, presidido por Hailé Pinheiro, seu "oponente", que então assumiu a presidência de forma interina. Três dias depois, Syd conseguiu uma liminar na justiça comum e voltou ao cargo. O presidente dizia que não havia hipótese alguma de deixar o cargo e chegou a ironizar que isso só aconteceria pro infarte, derrame ou tiro.
Nesta quinta-feira, o presidente, ao lado de seu advogado, tomou a decisão e entregou nas mãos de Edson Ferrari, vice-presidente do Conselho, e saiu do clube. Quem assume novamente o posto é Hailé Pinheiro, já que os vices de Syd, Alexandre Iunes e Sebastião Macalé, também renunciaram a cerca de um mês.
Hailé é quem tem a missão de tirar o time do fundo do poço, saldar as dívidas e convocar novas eleições, já que ele afirmou de forma categórica que não quer ser presidente do clube por mais um mandato.
Outra medida deve ser investir em contratações, já que as inscrições se encerram no dia 27 de setembro e o técnico Jorginho já pediu a chegada de dois meias.



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Como diria Ferruccio Tagliavini: "Addio sogni di gloria" . Quem manda no Goiás desde sempre é o Hailé, ele pôe e tira presidente quando bem entende. Claro q o time já vinha mal, mas o q realmente causou essa crise toda foi q o Syd bateu de frente com o Hailé. Agora o dono do Goiás vai indicar outro fantoche e tudo volta ao normal.

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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas

http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com ... peladeiro/

(entrevista com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo)
Felipão pegou pesado demais ao dizer que o time cometeu contra o Cruzeiro erros que não acontecem nem em jogo de casados contra solteiros de 60 anos ?
Pelo contrário. É isso que esperamos do nosso treinador : comprometimento. O Felipão fez uma crítica certa. Nos últimos 10 minutos o time estava jogando errado. Ele gritava, gritava e ninguém fazia nada. Tomar um gol no final, daquele jeito, é coisa de casados contra solteiros. E ele está certo, tem que dar no meio dos jogadores para ligar o sinal de alerta, para mostrar que vida de jogador não é mole.
Muitos palmeirenses comentaram neste blog que o time atual é o pior do clube que já viram.
De jeito nenhum. Então eles nasceram nos anos 80 e não viram os times daquela época. Esse time é inferior ao de 94, mas é muito melhor do que outros que vi. Agora temos Valdívia, Kléber… Não é para falarem desse jeito. Não vou dizer que está uma maravilha, mas também não vou dizer que está tão ruim.
Mas o time não engrena.
O time não é fraco. Vai levar um tempo para entrosar. Alguns jogadores só chegaram agora, o Felipão só veio agora. Talvez seja culpa da diretoria, mas em muitos casos não tinha como trazer o jogador antes, o Felipão também não tinha como. Tenho certeza de que ele vai fazer o time reagir. Você viu como está o Campeonato Brasileiro ? Muito equilibrado, você ganha três jogos e vai lá para cima.
O Valdívia não está jogando abaixo do esperado ?
Ele precisa entrar em forma, leva um tempo. Ele estava jogando no futebol árabe, com outro nível de exigência. Precisa se adaptar de novo.
E o Pierre ? Muitos torcedores reclamam dele.
Coitado do Pierre ! Ele está com problemas na planta do pé. Muitos torcedores não sabem o que está acontecendo, só conhecem as coisas por fora.
E os atrasos nos pagamentos, não prejudicam o rendimento do time ?
Vocês jornalistas não entendem nada de finanças. O Palmeiras tem a menor dívida de todos. Os outros clubes copiaram nosso modelo, alongando suas dívidas. A questão financeira não atrapalha em nada o time, não assusta. Não tem salário atrasado, é um pequeno atraso na imagem. Essa discussão sobre atrasos no Palmeiras está muito exagerada. Por qual motivo vocês não vão falar dos atrasos nos outros clubes. Estão com muito mais problemas.
É que foi no Palmeiras que um jogador, o Lincoln, cobrou dívida por escrito.
Mas não era salário, não era imagem. Era de uma outra situação, referente à transferência dele. Explicamos a ele como estamos fazendo os pagamentos, ele entendeu.
Mudando de assunto, qual projeto é melhor : o do Palestra Itália ou o do estádio corintiano, em Itaquera ?
O nosso é melhor porque não estamos fazendo um estádio para a Copa do Mundo. Estamos fazendo para ganhar dinheiro. E o potencial do nosso projeto para ganhar dinheiro é maior.

(entrevista com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo)
Felipão pegou pesado demais ao dizer que o time cometeu contra o Cruzeiro erros que não acontecem nem em jogo de casados contra solteiros de 60 anos ?
Pelo contrário. É isso que esperamos do nosso treinador : comprometimento. O Felipão fez uma crítica certa. Nos últimos 10 minutos o time estava jogando errado. Ele gritava, gritava e ninguém fazia nada. Tomar um gol no final, daquele jeito, é coisa de casados contra solteiros. E ele está certo, tem que dar no meio dos jogadores para ligar o sinal de alerta, para mostrar que vida de jogador não é mole.
Muitos palmeirenses comentaram neste blog que o time atual é o pior do clube que já viram.
De jeito nenhum. Então eles nasceram nos anos 80 e não viram os times daquela época. Esse time é inferior ao de 94, mas é muito melhor do que outros que vi. Agora temos Valdívia, Kléber… Não é para falarem desse jeito. Não vou dizer que está uma maravilha, mas também não vou dizer que está tão ruim.
Mas o time não engrena.
O time não é fraco. Vai levar um tempo para entrosar. Alguns jogadores só chegaram agora, o Felipão só veio agora. Talvez seja culpa da diretoria, mas em muitos casos não tinha como trazer o jogador antes, o Felipão também não tinha como. Tenho certeza de que ele vai fazer o time reagir. Você viu como está o Campeonato Brasileiro ? Muito equilibrado, você ganha três jogos e vai lá para cima.
O Valdívia não está jogando abaixo do esperado ?
Ele precisa entrar em forma, leva um tempo. Ele estava jogando no futebol árabe, com outro nível de exigência. Precisa se adaptar de novo.
E o Pierre ? Muitos torcedores reclamam dele.
Coitado do Pierre ! Ele está com problemas na planta do pé. Muitos torcedores não sabem o que está acontecendo, só conhecem as coisas por fora.
E os atrasos nos pagamentos, não prejudicam o rendimento do time ?
Vocês jornalistas não entendem nada de finanças. O Palmeiras tem a menor dívida de todos. Os outros clubes copiaram nosso modelo, alongando suas dívidas. A questão financeira não atrapalha em nada o time, não assusta. Não tem salário atrasado, é um pequeno atraso na imagem. Essa discussão sobre atrasos no Palmeiras está muito exagerada. Por qual motivo vocês não vão falar dos atrasos nos outros clubes. Estão com muito mais problemas.
É que foi no Palmeiras que um jogador, o Lincoln, cobrou dívida por escrito.
Mas não era salário, não era imagem. Era de uma outra situação, referente à transferência dele. Explicamos a ele como estamos fazendo os pagamentos, ele entendeu.
Mudando de assunto, qual projeto é melhor : o do Palestra Itália ou o do estádio corintiano, em Itaquera ?
O nosso é melhor porque não estamos fazendo um estádio para a Copa do Mundo. Estamos fazendo para ganhar dinheiro. E o potencial do nosso projeto para ganhar dinheiro é maior.



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
A hora certa pra demitir o Rogério e o Toninho Oliveira era depois do jogo contra o Goiás, no primeiro turno. Depois, haveria um mês para um novo treinador e uma nova comissão técnica preparar o time.
A diretoria tentou o Felipão, não deu certo, tentasse imediatamente depois o Adilson Batista.
Não. Preferiram deixar o clube com o Rogério Lourenço até agosto.
E contrataram o Silas, quando não havia mais tempo pra trabalhar, com a equipe jogando duas vezes por semana na maratona.
Foi um erro do Zico e um erro da Patricia Amorim (sim, ela também tem culpa, porque, afinal de contas, por culpa dela que o Felipão não veio para o clube).
Agora, creio ser tarde demais. A equipe "jogando" parece um bando, nem na várzea é assim.
--
A diretoria tentou o Felipão, não deu certo, tentasse imediatamente depois o Adilson Batista.
Não. Preferiram deixar o clube com o Rogério Lourenço até agosto.
E contrataram o Silas, quando não havia mais tempo pra trabalhar, com a equipe jogando duas vezes por semana na maratona.
Foi um erro do Zico e um erro da Patricia Amorim (sim, ela também tem culpa, porque, afinal de contas, por culpa dela que o Felipão não veio para o clube).
Agora, creio ser tarde demais. A equipe "jogando" parece um bando, nem na várzea é assim.
--
SÁBADO
21:00 Juca Entrevista Piscina Amadorim - ESPN
--21:00 Juca Entrevista Piscina Amadorim - ESPN
http://flamengonet.blogspot.com/
Projeto de José Maria Sobrinho
AUTONOMIA DO FUTEBOL
Clube de Regatas do Flamengo
“... o desastre que pode realmente ocorrer
mataria a nossa “bala de prata do Zorro”: o Zico.”
Considero essa frase, de autoria de um amigo, sócio atuante no Flamengo, muito oportuna e pertinente. Falávamos sobre as dificuldades políticas para acertar a Administração do Clube e de uma hipotética retirada do Zico, acontecimento de conseqüências inimagináveis.
Sem dúvida, os deuses rubro-negros atuaram para entregar ao Zico essa tarefa hercúlea de transformar, atualizar o modelo de gestão do CRF, a começar e tendo como exemplo a Autonomia do Futebol.
Como maior ídolo, pelo seu carisma, pela sua credibilidade, pela sua experiência, pela aceitação quase unânime, realmente, nesse momento, só o Zico pode levar a cabo essa missão.
Àqueles descompromissados com a politicagem do CRF, que abominam a luta fratricida pelo Poder, cabem cerrar fileiras no apoio ao Zico e ao seu Plano.
Ao Zico compete apresentar, tão logo seja possível, as diretrizes básicas e o seu planejamento para se alcançar a Autonomia do Futebol.
“Grilado” e preocupado com a frase de início citada e com a situação atual, resolvi prestar a minha modesta colaboração, através do presente trabalho, com o intuito de fornecer, em forma de sinopse, subsídios a uma discussão isenta e profícua.
Assim, o trabalho foi enviado, primeiramente, ao Zico e à Presidenta Patrícia Amorim.
Questões Básicas Autonomia do Futebol
O encaminhamento da discussão sobre a Autonomia do Futebol passa por três questões básicas:
Por que a Autonomia?
Em que consiste a Autonomia?
Como alcançar a Autonomia?
I. Por que a Autonomia?
Pela direção do CRF, nos últimos 25 anos, passaram todas as correntes políticas, com presidentes, vice-presidentes, diretores, de qualificações e personalidades distintas. E o Flamengo, como instituição, a cada ano, se enfraquece mais. Então, não é só uma questão de pessoas, como alguns dizem.
Títulos importantes, nacionais e internacionais, tornaram-se acidentais e raros.
O Futebol representa cerca de 80% da receita do CRF, estimada em R$ 150 milhões, para 2010. Esses números, por si sós, exigem uma gestão própria, ágil, autônoma, profissional, especializada, planejada, que tenha continuidade e comprometimentos com metas (resultados), livre da influência direta e permanente dos dirigentes de outros setores do Clube.
Os fatos que justificam a transformação são crônicos, inúmeros e incontestáveis, demonstrando ser evidente que o Flamengo tem que mudar urgentemente o seu modelo de administração/gestão. A seguir uma amostra desses fatos:
Fatos
- a interminável construção do CT;
- o continuado aumento do passivo do CRF;
- a reforma do Estatuto. A atuação dos Conselhos;
- a inexistência de Planejamento, de um Plano Plurianual;
- a falta de gestão orçamentária (um absurdo!);
- a falta de compreensão da verdadeira grandeza do Flamengo, com o incompreensível distanciamento da Nação Rubro-Negra;
- a queda acentuada e constante no número de sócios;
- a inexistência de uma política salarial, para funcionários e atletas;
- o apadrinhamento nas contratações de funcionários;
- as funções executivas, que exigem dedicação integral, a cargo de voluntários, com tempo reduzido;
Cordiais Saudações Rubro-Negras.
José Maria Sobrinho
Sócio Emérito do CRF
Projeto de José Maria Sobrinho
AUTONOMIA DO FUTEBOL
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“... o desastre que pode realmente ocorrer
mataria a nossa “bala de prata do Zorro”: o Zico.”
Considero essa frase, de autoria de um amigo, sócio atuante no Flamengo, muito oportuna e pertinente. Falávamos sobre as dificuldades políticas para acertar a Administração do Clube e de uma hipotética retirada do Zico, acontecimento de conseqüências inimagináveis.
Sem dúvida, os deuses rubro-negros atuaram para entregar ao Zico essa tarefa hercúlea de transformar, atualizar o modelo de gestão do CRF, a começar e tendo como exemplo a Autonomia do Futebol.
Como maior ídolo, pelo seu carisma, pela sua credibilidade, pela sua experiência, pela aceitação quase unânime, realmente, nesse momento, só o Zico pode levar a cabo essa missão.
Àqueles descompromissados com a politicagem do CRF, que abominam a luta fratricida pelo Poder, cabem cerrar fileiras no apoio ao Zico e ao seu Plano.
Ao Zico compete apresentar, tão logo seja possível, as diretrizes básicas e o seu planejamento para se alcançar a Autonomia do Futebol.
“Grilado” e preocupado com a frase de início citada e com a situação atual, resolvi prestar a minha modesta colaboração, através do presente trabalho, com o intuito de fornecer, em forma de sinopse, subsídios a uma discussão isenta e profícua.
Assim, o trabalho foi enviado, primeiramente, ao Zico e à Presidenta Patrícia Amorim.
Questões Básicas Autonomia do Futebol
O encaminhamento da discussão sobre a Autonomia do Futebol passa por três questões básicas:
Por que a Autonomia?
Em que consiste a Autonomia?
Como alcançar a Autonomia?
I. Por que a Autonomia?
Pela direção do CRF, nos últimos 25 anos, passaram todas as correntes políticas, com presidentes, vice-presidentes, diretores, de qualificações e personalidades distintas. E o Flamengo, como instituição, a cada ano, se enfraquece mais. Então, não é só uma questão de pessoas, como alguns dizem.
Títulos importantes, nacionais e internacionais, tornaram-se acidentais e raros.
O Futebol representa cerca de 80% da receita do CRF, estimada em R$ 150 milhões, para 2010. Esses números, por si sós, exigem uma gestão própria, ágil, autônoma, profissional, especializada, planejada, que tenha continuidade e comprometimentos com metas (resultados), livre da influência direta e permanente dos dirigentes de outros setores do Clube.
Os fatos que justificam a transformação são crônicos, inúmeros e incontestáveis, demonstrando ser evidente que o Flamengo tem que mudar urgentemente o seu modelo de administração/gestão. A seguir uma amostra desses fatos:
Fatos
- a interminável construção do CT;
- o continuado aumento do passivo do CRF;
- a reforma do Estatuto. A atuação dos Conselhos;
- a inexistência de Planejamento, de um Plano Plurianual;
- a falta de gestão orçamentária (um absurdo!);
- a falta de compreensão da verdadeira grandeza do Flamengo, com o incompreensível distanciamento da Nação Rubro-Negra;
- a queda acentuada e constante no número de sócios;
- a inexistência de uma política salarial, para funcionários e atletas;
- o apadrinhamento nas contratações de funcionários;
- as funções executivas, que exigem dedicação integral, a cargo de voluntários, com tempo reduzido;
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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Eu não sei se vcs sabem, mas chegou a ser sugerido ao Serra a escolha da Patrícia Amorim, q é vereadora no Rio pelo PSDB, para ocupar a vaga de vice em sua chapa.

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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Pensando em votos no Rio, mas agora ela tá sendo odiada pela massa, então não teria sido um bom negócio.


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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
O Índio da Costa, perto da Patrícia Amorim, é um Honoris Causa da política brasileira. 



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Você acha a Patrícia tão ruim assim mesmo E.R? Mais que o Edmundo inclusive?


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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
Globo Esporte.com

. No primeiro ano de gestão, Patrícia Amorim conseguiu realizar um desejo de quase todos os rubro-negros. E que muitos dirigentes tentaram e não conseguiram viabilizar : trazer Zico de volta à Gávea, no comando do futebol do Flamengo.
Mas apenas três meses depois do acerto com o Galinho, a presidente do Fla mostra insatisfação com o tratamento que o maior ídolo do Rubro-Negro carioca vem recebendo de setores ligados ao clube.
- O Zico está assustado - revelou Patrícia em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, lamentando a pouca tolerância com o dirigente.
- Politicamente, (o clima) está pesadíssimo. Alguma oposição eu imaginava porque tem gente que nasce contra tudo e contra todos. Mas bater no Zico é de uma covardia enorme, monstra. O que essas pessoas fizeram de relevante para o clube ? Eu escrevi alguns bons capítulos do clube, mas o Zico escreveu os melhores, talvez o melhor. O nível de tolerância tem que ser muito maior. Com tão pouco tempo, acho lamentável. Essa desconfiança... Isso não existe. Só quem assina contrato sou eu - garante, se referindo aos rumores que um dos filhos do craque, Júnior, tivesse participado de contratações de jogadores pelo clube. O que foi negado enfaticamente pelo Galinho.
A dirigente pede mais paciência para que o trabalho do diretor-executivo de futebol comece a dar frutos.
- Banco o Zico. Tenho confiança, é um cara do bem. Se ele escuta o filho, a mulher ou quem quer que seja, tem todo o direito. É comovente ver a dedicação dele. Às vezes fico emocionada. As pessoas têm que ter mais paciência porque ele chegou aqui em junho, dez dias antes do caso Bruno.
--
http://esporte.uol.com.br
(entrevista com Patrícia Amorim)
Avaliação dos quase noves meses no comando do Flamengo
“Aconteceram muito mais problemas do que esperava. Porém, para o que me programei, estou mais tranquila. Estudei bastante o Flamengo e a gestão que desejava. Peguei um clube com dois salários atrasados no futebol (dezembro e décimo terceiro) e mais a premiação do Campeonato Brasileiro. As outras modalidades tinham três meses de salários atrasados. Consegui equacionar tudo no quarto mês de gestão. Continuamos em dia com os salários e impostos. Peguei um clube com R$ 350 milhões em dívidas e com todas as verbas antecipadas. Só não está nesta lista o dinheiro novo que conseguimos com patrocínios e receitas. Avançamos muito em termos de estrutura física. Desde que cheguei já entraram 1.481 novos sócios. Isso permite melhorar a manutenção e manter algumas modalidades que ainda não possuem patrocínios. Em termos de administração o clube está muito bem servido. As coisas estão andando em uma velocidade bastante razoável. Penso que só falta realmente o resultado do futebol”.
Polêmicas e influência nos resultados
“Esse ano foi um ano muito diferente. Se você me perguntar se estava preparada para o furacão de problemas, digo que não. Nunca imaginei que as coisas pudessem chegar a esse ponto. Tivemos casos de pedofilia, associação com o tráfico, homicídio, estelionato. Não tem como achar que isso não gera repercussão. A torcida demorou a voltar aos estádios e gerou um efeito direto em nossas relações. Foi uma influência gigantesca em nosso trabalho”.
“Caso Bruno” : o Flamengo fora dos trilhos
“O episódio nos atingiu muito. Não acho que tenha sido a causa de toda a crise, mas foi a situação que mais nos tirou dos trilhos. Vejo que tivemos muita competência em retirar o Flamengo do caso. No início, era o goleiro do Flamengo... No final, já estava sendo chamado de “Caso Bruno”. Agimos na hora certa e tivemos a serenidade de passar por isso com muita habilidade. Entretanto, isso nos atormenta muito até hoje. É uma situação muito sofrida. Ele era o capitão do time campeão brasileiro, o jogador que falava comigo em nome dos jogadores, e convivíamos diariamente. O Flamengo só é capaz de superar por ser um clube muito grande”.
Procedimentos envolvendo a rescisão de contrato
“Não houve um desfecho do caso. Por isso, o contrato dele está suspenso e estamos tratando tudo com muita calma. Ele não pode receber por um serviço que não está prestando. O Bruno não está treinando e nem jogando. Estamos aguardando os desdobramentos para realizar a rescisão contratual futuramente e com a responsabilidade necessária”.
Trabalho de Zico como diretor executivo
“Por todo esse período que falamos anteriormente, era preciso resgatar a alegria do torcedor. Imaginei que trazer o Zico de volta ao Flamengo poderia ajudar bastante. As diretorias anteriores tentaram trazê-lo e não conseguiram. Eu consegui e tenho esse título. Não é uma taça, mas trazer o Galo de volta não tem preço. É emocionante observar a dedicação dele, o carinho pelo trabalho, e o comportamento mesmo levando tanta pancada. É uma falta de tolerância que ele não merecia. Ao final de uma temporada, de um determinado tempo, poderíamos fazer uma análise, mas ainda está muito cedo. É uma covardia o que estão fazendo. Não existe nenhuma referência maior do que o Zico para o clube. Esperava que tivessem um período maior de tolerância com ele. Esse problema vem da política interna do clube e não de fora. Tenho a certeza de que será um trabalho de acerto. Acho que isso só pode ser não ter o que falar”.
Denúncias do Conselho Fiscal contra o Galinho
“Podem investigar tudo isso. Como presidente, garanto que não existe. Sou a mandatária do clube. Assino os contratos, faço os acordos e não tem conflito de interesse. O Zico veio com o objetivo de unir o Flamengo e existe um terrorismo dentro do clube contra ele. É lógico que o dever do Conselho Fiscal é checar as contas... Por que não fazem isso internamente ? Por que jogam para fora as coisas que eles acham e ouvem falar ? Isso atrapalha o nosso dia-a-dia e causa turbulência. Não se constrói um clube melhor promovendo terrorismo. Isso precisa ser feito com diálogo, debatendo as melhores coisas”.
Piores adversários dentro do próprio Flamengo
“O Flamengo acaba perdendo para ele mesmo com essas atitudes. A proposta da chegada do Zico foi unir o clube. Não tenho a prepotência de achar que sou a solução e melhor pessoa aqui. Não quero ser a melhor presidente da história, nada disso. Só vou trabalhar e estou aqui de segunda a domingo. Não tenho hora para sair. Gostaria que essas pessoas contribuíssem desta forma. Todos trabalhando para o Flamengo e não jogando para a galera. Acaba criando um clima tenso que não deve existir. Nosso adversário tem de estar fora daqui e não aqui dentro. O mais importante é perceberem que prejudicam o clube desta forma. É o momento de buscar o melhor para o Flamengo”.
Relação com o presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro
“Minha relação com ele é boa e sempre vai ser. Em nome do Flamengo engulo qualquer vaidade, procuro apenas trabalhar. Acho que o trabalho vence. Discurso sem credibilidade se perde. Acho que falo pouco e trabalho muito. Quem fala demais acaba cometendo muitos erros".
Causa dos sete jogos sem vitória e má campanha no Campeonato Brasileiro
“Os jogadores que foram contratados não chegaram na mesma condição física dos que já estavam aqui. A demora pela chegada também impediu um pouco a integração. Mas acho que as coisas estão começando a funcionar. Fiquei feliz quando vi todos os jogadores abraçando o Silas no segundo gol contra o Prudente. Me deu a sensação de que somos um time novamente. Isso foi muito legal após todas as turbulências. Estou gostando do trabalho do Silas, que está conduzindo a relação com o Pet e outros jogadores com uma competência incrível. Sinto um ambiente muito bom, uma relação bacana dele com os atletas”.
Decepção momentânea com Val Baiano e Renato
“O Zico reconhece que as contratações do Borja e do Val Baiano não foram excelentes. A nossa expectativa era outra quando contratamos um jogador que foi o vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro. O Cristian Borja foi uma indicação do Rogério Lourenço. Até agora eles não renderam e posso acabar queimando a língua. Na verdade, torço para que essa conversa continue em outro momento com eles marcando gols. Sempre soubemos que seriam jogadores para compor o elenco. Tanto que depois trouxemos o Deivid e o Diogo. O Renato era uma unanimidade. Do mais humilde ao mais graduado torcedor, todos disseram que seria bom trazê-lo. No entanto, ele chegou fora de forma. Você esperava isso ? Eu não esperava. Aprendemos muito com esses episódios e os jogadores que chegarem de fora precisam vir mais preparados”.
Dívida com Cristian Borja
“Ele está recebendo o salário em dia. Existe um problema normal neste tipo de caso. Quando tivemos de trazer o Diogo e o Deivid, ficamos com um grande número de parcelas para equacionar e vamos priorizando sem deixar de arcar com o nosso compromisso. Acontece que tivemos um desembolso muito grande no mês para o pagamento de salários e impostos. O pior foi o presidente do Caxias do Sul ter jogado para a imprensa sem nem sequer ter ligado para o Flamengo. Quando telefonamos, ele fez o acordo na mesma hora. Vamos pagar nos próximos dias. Atrasamos, mas ninguém disse que o Flamengo não iria pagar. Pago o salário e luvas em dia. Essa era a minha preocupação principal, pois o jogador precisa ter o dinheiro para pagar as suas contas. Também contrato jogador para fazer gol e o Borja não faz gol. Está atrasado e não fico cobrando dele isso. Ele e o procurador podem esperar um pouquinho. Não estou esperando o gol dele ? Paciência dos dois lados. Posso garantir que o procurador vai receber o dinheiro antes de o Cristian Borja ter feito o seu primeiro gol pelo Flamengo
”.
Willians : o melhor jogador do Flamengo
“Meu pai já pediu para vir aqui algumas vezes tirar uma foto com o Willians. Ele é fã dele e diz que é um jogador com pele rubro-negra. Concordo plenamente. Hoje, o Willians é disparado o melhor jogador do Flamengo. Dá gosto vê-lo jogar com a camisa do clube. É gratificante”.
Sonhos : Juan, Ibson e Ronaldinho Gaúcho
“A curto prazo quero repatriar o Ibson e o Juan (zagueiro). Eles têm um simbolismo fantástico. E isso é muito importante no Flamengo. A longo prazo penso no Ronaldinho Gaúcho, o meu sonho de consumo. Chegamos a conversar com ele, que tem o interesse em jogar pelo Flamengo, gosta do Rio de Janeiro, e algumas coisas podem ser interessantes para ele. É o tipo de negociação que depende muito do jogador. Quando conversamos em julho, o Flamengo teria de pagar um ano inteiro de contrato, o que complica. Temos tentado manter uma conversa, mas cada vez ele joga melhor para dificultar ainda mais (risos)...”.
Vale a pena ser presidente do Flamengo ?
“Vale muito a pena. Pelo Flamengo tudo vale, todo o esforço e sacrifício. Estou sempre rindo, minha melhor arma é o sorriso. Tenho muita coragem, acho que isso é a maior virtude. Tenho prazer de estar aqui. Quando estou de baixo astral ando pelo clube, converso com as pessoas e proponho sempre uma gestão compartilhada. Assim o equilíbrio é maior e a chance de erro cada vez menor. Acho que ser Flamengo é isso. Você nunca me vai ver falando mal de um ex-presidente, adversário político, Acho que todos têm a sua contribuição. Sentar nessa cadeira é difícil para caramba e respeito quem já sentou aqui. É normal passar por isso e situações complicadas. Não levo isso para casa. Infelizmente, aqui no Flamengo as pessoas querem destruir a pessoa física, sua família. Sou blindada quanto a isso e não vou deixar mesmo aconteça. Não adianta inventar coisa, pois não vai aparecer. Só se plantarem. E nem assim vai. O dirigente ajuda se não atrapalhar, só tem de aparecer quando solicitado".

. No primeiro ano de gestão, Patrícia Amorim conseguiu realizar um desejo de quase todos os rubro-negros. E que muitos dirigentes tentaram e não conseguiram viabilizar : trazer Zico de volta à Gávea, no comando do futebol do Flamengo.
Mas apenas três meses depois do acerto com o Galinho, a presidente do Fla mostra insatisfação com o tratamento que o maior ídolo do Rubro-Negro carioca vem recebendo de setores ligados ao clube.
- O Zico está assustado - revelou Patrícia em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, lamentando a pouca tolerância com o dirigente.
- Politicamente, (o clima) está pesadíssimo. Alguma oposição eu imaginava porque tem gente que nasce contra tudo e contra todos. Mas bater no Zico é de uma covardia enorme, monstra. O que essas pessoas fizeram de relevante para o clube ? Eu escrevi alguns bons capítulos do clube, mas o Zico escreveu os melhores, talvez o melhor. O nível de tolerância tem que ser muito maior. Com tão pouco tempo, acho lamentável. Essa desconfiança... Isso não existe. Só quem assina contrato sou eu - garante, se referindo aos rumores que um dos filhos do craque, Júnior, tivesse participado de contratações de jogadores pelo clube. O que foi negado enfaticamente pelo Galinho.
A dirigente pede mais paciência para que o trabalho do diretor-executivo de futebol comece a dar frutos.
- Banco o Zico. Tenho confiança, é um cara do bem. Se ele escuta o filho, a mulher ou quem quer que seja, tem todo o direito. É comovente ver a dedicação dele. Às vezes fico emocionada. As pessoas têm que ter mais paciência porque ele chegou aqui em junho, dez dias antes do caso Bruno.
--
http://esporte.uol.com.br
(entrevista com Patrícia Amorim)
Avaliação dos quase noves meses no comando do Flamengo
“Aconteceram muito mais problemas do que esperava. Porém, para o que me programei, estou mais tranquila. Estudei bastante o Flamengo e a gestão que desejava. Peguei um clube com dois salários atrasados no futebol (dezembro e décimo terceiro) e mais a premiação do Campeonato Brasileiro. As outras modalidades tinham três meses de salários atrasados. Consegui equacionar tudo no quarto mês de gestão. Continuamos em dia com os salários e impostos. Peguei um clube com R$ 350 milhões em dívidas e com todas as verbas antecipadas. Só não está nesta lista o dinheiro novo que conseguimos com patrocínios e receitas. Avançamos muito em termos de estrutura física. Desde que cheguei já entraram 1.481 novos sócios. Isso permite melhorar a manutenção e manter algumas modalidades que ainda não possuem patrocínios. Em termos de administração o clube está muito bem servido. As coisas estão andando em uma velocidade bastante razoável. Penso que só falta realmente o resultado do futebol”.
Polêmicas e influência nos resultados
“Esse ano foi um ano muito diferente. Se você me perguntar se estava preparada para o furacão de problemas, digo que não. Nunca imaginei que as coisas pudessem chegar a esse ponto. Tivemos casos de pedofilia, associação com o tráfico, homicídio, estelionato. Não tem como achar que isso não gera repercussão. A torcida demorou a voltar aos estádios e gerou um efeito direto em nossas relações. Foi uma influência gigantesca em nosso trabalho”.
“Caso Bruno” : o Flamengo fora dos trilhos
“O episódio nos atingiu muito. Não acho que tenha sido a causa de toda a crise, mas foi a situação que mais nos tirou dos trilhos. Vejo que tivemos muita competência em retirar o Flamengo do caso. No início, era o goleiro do Flamengo... No final, já estava sendo chamado de “Caso Bruno”. Agimos na hora certa e tivemos a serenidade de passar por isso com muita habilidade. Entretanto, isso nos atormenta muito até hoje. É uma situação muito sofrida. Ele era o capitão do time campeão brasileiro, o jogador que falava comigo em nome dos jogadores, e convivíamos diariamente. O Flamengo só é capaz de superar por ser um clube muito grande”.
Procedimentos envolvendo a rescisão de contrato
“Não houve um desfecho do caso. Por isso, o contrato dele está suspenso e estamos tratando tudo com muita calma. Ele não pode receber por um serviço que não está prestando. O Bruno não está treinando e nem jogando. Estamos aguardando os desdobramentos para realizar a rescisão contratual futuramente e com a responsabilidade necessária”.
Trabalho de Zico como diretor executivo
“Por todo esse período que falamos anteriormente, era preciso resgatar a alegria do torcedor. Imaginei que trazer o Zico de volta ao Flamengo poderia ajudar bastante. As diretorias anteriores tentaram trazê-lo e não conseguiram. Eu consegui e tenho esse título. Não é uma taça, mas trazer o Galo de volta não tem preço. É emocionante observar a dedicação dele, o carinho pelo trabalho, e o comportamento mesmo levando tanta pancada. É uma falta de tolerância que ele não merecia. Ao final de uma temporada, de um determinado tempo, poderíamos fazer uma análise, mas ainda está muito cedo. É uma covardia o que estão fazendo. Não existe nenhuma referência maior do que o Zico para o clube. Esperava que tivessem um período maior de tolerância com ele. Esse problema vem da política interna do clube e não de fora. Tenho a certeza de que será um trabalho de acerto. Acho que isso só pode ser não ter o que falar”.
Denúncias do Conselho Fiscal contra o Galinho
“Podem investigar tudo isso. Como presidente, garanto que não existe. Sou a mandatária do clube. Assino os contratos, faço os acordos e não tem conflito de interesse. O Zico veio com o objetivo de unir o Flamengo e existe um terrorismo dentro do clube contra ele. É lógico que o dever do Conselho Fiscal é checar as contas... Por que não fazem isso internamente ? Por que jogam para fora as coisas que eles acham e ouvem falar ? Isso atrapalha o nosso dia-a-dia e causa turbulência. Não se constrói um clube melhor promovendo terrorismo. Isso precisa ser feito com diálogo, debatendo as melhores coisas”.
Piores adversários dentro do próprio Flamengo
“O Flamengo acaba perdendo para ele mesmo com essas atitudes. A proposta da chegada do Zico foi unir o clube. Não tenho a prepotência de achar que sou a solução e melhor pessoa aqui. Não quero ser a melhor presidente da história, nada disso. Só vou trabalhar e estou aqui de segunda a domingo. Não tenho hora para sair. Gostaria que essas pessoas contribuíssem desta forma. Todos trabalhando para o Flamengo e não jogando para a galera. Acaba criando um clima tenso que não deve existir. Nosso adversário tem de estar fora daqui e não aqui dentro. O mais importante é perceberem que prejudicam o clube desta forma. É o momento de buscar o melhor para o Flamengo”.
Relação com o presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro
“Minha relação com ele é boa e sempre vai ser. Em nome do Flamengo engulo qualquer vaidade, procuro apenas trabalhar. Acho que o trabalho vence. Discurso sem credibilidade se perde. Acho que falo pouco e trabalho muito. Quem fala demais acaba cometendo muitos erros".
Causa dos sete jogos sem vitória e má campanha no Campeonato Brasileiro
“Os jogadores que foram contratados não chegaram na mesma condição física dos que já estavam aqui. A demora pela chegada também impediu um pouco a integração. Mas acho que as coisas estão começando a funcionar. Fiquei feliz quando vi todos os jogadores abraçando o Silas no segundo gol contra o Prudente. Me deu a sensação de que somos um time novamente. Isso foi muito legal após todas as turbulências. Estou gostando do trabalho do Silas, que está conduzindo a relação com o Pet e outros jogadores com uma competência incrível. Sinto um ambiente muito bom, uma relação bacana dele com os atletas”.
Decepção momentânea com Val Baiano e Renato
“O Zico reconhece que as contratações do Borja e do Val Baiano não foram excelentes. A nossa expectativa era outra quando contratamos um jogador que foi o vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro. O Cristian Borja foi uma indicação do Rogério Lourenço. Até agora eles não renderam e posso acabar queimando a língua. Na verdade, torço para que essa conversa continue em outro momento com eles marcando gols. Sempre soubemos que seriam jogadores para compor o elenco. Tanto que depois trouxemos o Deivid e o Diogo. O Renato era uma unanimidade. Do mais humilde ao mais graduado torcedor, todos disseram que seria bom trazê-lo. No entanto, ele chegou fora de forma. Você esperava isso ? Eu não esperava. Aprendemos muito com esses episódios e os jogadores que chegarem de fora precisam vir mais preparados”.
Dívida com Cristian Borja
“Ele está recebendo o salário em dia. Existe um problema normal neste tipo de caso. Quando tivemos de trazer o Diogo e o Deivid, ficamos com um grande número de parcelas para equacionar e vamos priorizando sem deixar de arcar com o nosso compromisso. Acontece que tivemos um desembolso muito grande no mês para o pagamento de salários e impostos. O pior foi o presidente do Caxias do Sul ter jogado para a imprensa sem nem sequer ter ligado para o Flamengo. Quando telefonamos, ele fez o acordo na mesma hora. Vamos pagar nos próximos dias. Atrasamos, mas ninguém disse que o Flamengo não iria pagar. Pago o salário e luvas em dia. Essa era a minha preocupação principal, pois o jogador precisa ter o dinheiro para pagar as suas contas. Também contrato jogador para fazer gol e o Borja não faz gol. Está atrasado e não fico cobrando dele isso. Ele e o procurador podem esperar um pouquinho. Não estou esperando o gol dele ? Paciência dos dois lados. Posso garantir que o procurador vai receber o dinheiro antes de o Cristian Borja ter feito o seu primeiro gol pelo Flamengo
Willians : o melhor jogador do Flamengo
“Meu pai já pediu para vir aqui algumas vezes tirar uma foto com o Willians. Ele é fã dele e diz que é um jogador com pele rubro-negra. Concordo plenamente. Hoje, o Willians é disparado o melhor jogador do Flamengo. Dá gosto vê-lo jogar com a camisa do clube. É gratificante”.
Sonhos : Juan, Ibson e Ronaldinho Gaúcho
“A curto prazo quero repatriar o Ibson e o Juan (zagueiro). Eles têm um simbolismo fantástico. E isso é muito importante no Flamengo. A longo prazo penso no Ronaldinho Gaúcho, o meu sonho de consumo. Chegamos a conversar com ele, que tem o interesse em jogar pelo Flamengo, gosta do Rio de Janeiro, e algumas coisas podem ser interessantes para ele. É o tipo de negociação que depende muito do jogador. Quando conversamos em julho, o Flamengo teria de pagar um ano inteiro de contrato, o que complica. Temos tentado manter uma conversa, mas cada vez ele joga melhor para dificultar ainda mais (risos)...”.
Vale a pena ser presidente do Flamengo ?
“Vale muito a pena. Pelo Flamengo tudo vale, todo o esforço e sacrifício. Estou sempre rindo, minha melhor arma é o sorriso. Tenho muita coragem, acho que isso é a maior virtude. Tenho prazer de estar aqui. Quando estou de baixo astral ando pelo clube, converso com as pessoas e proponho sempre uma gestão compartilhada. Assim o equilíbrio é maior e a chance de erro cada vez menor. Acho que ser Flamengo é isso. Você nunca me vai ver falando mal de um ex-presidente, adversário político, Acho que todos têm a sua contribuição. Sentar nessa cadeira é difícil para caramba e respeito quem já sentou aqui. É normal passar por isso e situações complicadas. Não levo isso para casa. Infelizmente, aqui no Flamengo as pessoas querem destruir a pessoa física, sua família. Sou blindada quanto a isso e não vou deixar mesmo aconteça. Não adianta inventar coisa, pois não vai aparecer. Só se plantarem. E nem assim vai. O dirigente ajuda se não atrapalhar, só tem de aparecer quando solicitado".

Realmente aturar figuras insuportáveis como o Capitão Léo é de chorar ! Mas a Paty teve culpa ao não ajudar o aliado do Márcio Braga a se eleger presidente do Conselho Fiscal (aí, acabou entrando o lixo do Capitão Léo).



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
E eu q achava q a Patricia Amorim iria mandar muito bem na presidencia do Flamengo... 
Meus títulos e conquistas no FCH:
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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
http://globoesporte.globo.com/futebol/t ... o-fla.html

. Em vários momentos nos últimos anos, pressionada por salários atrasados, ameaças de penhoras e dívidas colossais, a diretoria do Flamengo adotou uma tática de “dinheiro na mão”. Mas para tal, necessitava fatiar os direitos econômicos das principais promessas do clube. E assim foi feito.
O exemplo mais clássico da política foi Renato Augusto. Com multa rescisória estipulada em € 30 milhões (R$ 67 milhões), o apoiador foi vendido por um terço disso. E o Rubro-Negro só teve direito a R$ 13 milhões. Antes da saída, o jogador lamentou a estratégia.
- De repente, pode me atrapalhar. Mas é um direito do Flamengo. Gostaria de ser 100% do clube, mas sei que a parte financeira não ajuda.
Na mesma leva, o clube negociou três outros atletas que sequer jogaram nos profissionais: Pedro Beda (Traffic), Michel (Almeria) e Anderson Bamba (Leverkusen). O total arrecadado com as três promessas foi de R$ 3,5 milhões.Em 2010, Fabrício deixou a Gávea a custo zero. Ele foi usado como pagamento de uma dívida para a contratação de Fierro.
Diante dos exemplos, a presidente Patrícia Amorim decidiu se precaver. Durante reunião de diretoria, firmou em ata um novo regulamento. A nova política tem os primeiros alvos.
- Foi uma ideia da minha cabeça. Se surgir uma tsunami aqui, só podemos vender até 50% desses jogadores da base. Recebi propostas por Galhardo e Diego Maurício e não vendi. Vamos valorizá-los. Temos 100% do Diego e 90% do Galhardo – declarou a dirigente.

. Em vários momentos nos últimos anos, pressionada por salários atrasados, ameaças de penhoras e dívidas colossais, a diretoria do Flamengo adotou uma tática de “dinheiro na mão”. Mas para tal, necessitava fatiar os direitos econômicos das principais promessas do clube. E assim foi feito.
O exemplo mais clássico da política foi Renato Augusto. Com multa rescisória estipulada em € 30 milhões (R$ 67 milhões), o apoiador foi vendido por um terço disso. E o Rubro-Negro só teve direito a R$ 13 milhões. Antes da saída, o jogador lamentou a estratégia.
- De repente, pode me atrapalhar. Mas é um direito do Flamengo. Gostaria de ser 100% do clube, mas sei que a parte financeira não ajuda.
Na mesma leva, o clube negociou três outros atletas que sequer jogaram nos profissionais: Pedro Beda (Traffic), Michel (Almeria) e Anderson Bamba (Leverkusen). O total arrecadado com as três promessas foi de R$ 3,5 milhões.Em 2010, Fabrício deixou a Gávea a custo zero. Ele foi usado como pagamento de uma dívida para a contratação de Fierro.
Diante dos exemplos, a presidente Patrícia Amorim decidiu se precaver. Durante reunião de diretoria, firmou em ata um novo regulamento. A nova política tem os primeiros alvos.
- Foi uma ideia da minha cabeça. Se surgir uma tsunami aqui, só podemos vender até 50% desses jogadores da base. Recebi propostas por Galhardo e Diego Maurício e não vendi. Vamos valorizá-los. Temos 100% do Diego e 90% do Galhardo – declarou a dirigente.



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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
http://globoesporte.globo.com/futebol/t ... ibuna.html

. O presidente do conselho fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, também conhecido como Capitão Léo, foi preso
durante o intervalo do clássico entre o Rubro-Negro e o Fluminense, na noite deste domingo, no Engenhão, pela quarta rodada do returno do Campeonato Brasileiro. Após resistir a voz de prisão de um policial militar, ele precisou ser contido por quatro policiais militares e chegou a cair no chão.
Exaltado, ele foi levado para o Jecrim (Juizado Especial Criminal) para prestar esclarecimentos.
A confusão na tribuna se iniciou pouco antes do intervalo. Alguns torcedores do Flamengo estavam na área destinada aos tricolores, que reclamaram da presença dos mesmos no local. A PM chegou para conter os mais exaltados e tentar resolver o problema. A confusão só foi solucionada com a prisão de Leonardo Ribeiro.
- Chegamos para resolver o problema e alguns torcedores apontaram para esse cidadão como o principal causador da confusão. Dei voz de prisão e ele resistiu. Foi preciso imobilizá-lo - explicou um dos policias que participaram da ação.
Segundo relato de amigos, Leonardo Ribeiro afirmou que o seu relógio teria sido furtado. Eles afirmaram que o dirigente rubro-negro acusou os policiais de agressão e que o caso seria resolvido no Jecrim.
Graças a um alvará de soltura, o presidente do Conselho Fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, deixou a 24ª Delegacia Policial (Engenho Novo) na noite desta segunda-feira, onde ficou preso desde a noite de domingo por causa da confusão em que se envolveu no intervalo do Fla-Flu.
Leonardo Ribeiro ficou conhecido como 'Capitão Léo' na década de 80, quando foi chefe de uma das maiores torcidas organizadas do Flamengo. Reeleito presidente do Conselho Fiscal do clube em março, ele já se envolveu em algumas polêmicas no clube. No ano passado, ele acusou o então presidente Marcio Braga de ser mentiroso antes de uma reunião do Conselho Diretor. Braga exigiu sua retirada, mas Ribeiro não saiu nem com a chegada dos seguranças. O dirigente só deixou o local após ser convencido por jornalistas, que se comprometeram a ouvi-lo depois.

Esse Capitão Léo é mais maluco do que eu pensava ! 
. O presidente do conselho fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, também conhecido como Capitão Léo, foi preso
A confusão na tribuna se iniciou pouco antes do intervalo. Alguns torcedores do Flamengo estavam na área destinada aos tricolores, que reclamaram da presença dos mesmos no local. A PM chegou para conter os mais exaltados e tentar resolver o problema. A confusão só foi solucionada com a prisão de Leonardo Ribeiro.
- Chegamos para resolver o problema e alguns torcedores apontaram para esse cidadão como o principal causador da confusão. Dei voz de prisão e ele resistiu. Foi preciso imobilizá-lo - explicou um dos policias que participaram da ação.
Segundo relato de amigos, Leonardo Ribeiro afirmou que o seu relógio teria sido furtado. Eles afirmaram que o dirigente rubro-negro acusou os policiais de agressão e que o caso seria resolvido no Jecrim.
Graças a um alvará de soltura, o presidente do Conselho Fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, deixou a 24ª Delegacia Policial (Engenho Novo) na noite desta segunda-feira, onde ficou preso desde a noite de domingo por causa da confusão em que se envolveu no intervalo do Fla-Flu.
Leonardo Ribeiro ficou conhecido como 'Capitão Léo' na década de 80, quando foi chefe de uma das maiores torcidas organizadas do Flamengo. Reeleito presidente do Conselho Fiscal do clube em março, ele já se envolveu em algumas polêmicas no clube. No ano passado, ele acusou o então presidente Marcio Braga de ser mentiroso antes de uma reunião do Conselho Diretor. Braga exigiu sua retirada, mas Ribeiro não saiu nem com a chegada dos seguranças. O dirigente só deixou o local após ser convencido por jornalistas, que se comprometeram a ouvi-lo depois.




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Re: Dirigentes, federações e confederações esportivas
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(entrevista com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo)

Há pouco mais de nove meses no cargo, dá para resumir a rotina da presidente do Flamengo ?
Trabalho de segunda a domingo. Se não estou na Gávea, estou a serviço do Flamengo. Minha vida é essa e eu estou adorando. Essa é a parte boa. Chego na Gávea às 8h, 10h. Ando no clube, vou lá ver se tem sabonete no banheiro, se a piscina não está verde, se o parquinho está certo. Nunca vi um presidente tão presente como eu. Vou a todas as reuniões de conselho. Muitos desses ex-presidentes que falam muito não vêm aqui discutir Flamengo. Eu me cobro muito. Se daqui a dois anos notar que o Flamengo não está legal, vou para minha casa e volto a ajudar. Optei por servir ao Flamengo. Já fui atleta, funcionária, conselheira, agora sou presidente.
Então, seu trabalho de cuidado, a preocupação com os funcionários tem semelhanças como a de uma síndica de um grande condomínio ?
Particularmente, sempre quis cuidar das instalações do clube. Eu cresci aqui, frequento a Gávea, e meus filhos também. A maioria dos presidentes não vem ao clube e por isso não tem o menor carinho. Não se importam se o banheiro está sujo porque eles não usam. Isso é muito sério. Quando estou de baixo-astral ando no clube porque vejo as pessoas falando. No dia em que os meninos (do futebol) vieram à piscina, as senhoras gritaram: “O clube melhorou muito, só não melhoraram os jogadores.” Tentaram me agradar, mas acabaram me derrubando (risos).
Dá para dimensionar a pressão do cargo ?
Sentar nessa cadeira não é fácil. Acordo e durmo com o peso de uma nação nas costas. Por isso, respeito todos os que passaram aqui. É uma responsabilidade monstra. Leio muitos modelos que deram certo para aprender. Tem um livro do Obama que se chama “Audácia e esperança”. E pensava muito isso. Que era uma audácia e uma esperança eu me tornar presidente do Flamengo. Tem uma parte do livro que diz : "as pessoas só pensam no que destrói. E aqui é assim".
Por quê ?
Ninguém é obrigado a gostar de mim, me aguentar, mas o Flamengo tem que estar acima disso. Isso é o que nos une. Que a crítica e a pancada não sobressaiam ao que tem de bom aqui. Foi o que sempre fiz. Saí escorraçada daqui no início de 2009 (quando era vice de esportes olímpicos) e não falei de ninguém. Não atrapalhei nada, não criei tumulto. Não vou dormir com ódio. O bom dirigente é aquele que não atrapalha. Quem quer ser maior do que o Flamengo não pode estar aqui. Quem manda aqui é a nação.
Mas, por mais que ocorram melhorias no clube, o torcedor de uma maneira geral só se importa com o time de futebol...
Lógico que a torcida quer saber de título. Mas também tenho que atender a quem me elegeu, até por reconhecimento. Lógico que preciso atender a torcida, até porque é o nosso maior cliente, consumidor, e por isso criaremos a ouvidoria. E o sócio porque ele vota, é o dono do patrimônio do clube. Eles têm que estar satisfeitos.
Há também a preocupação com o fim das obras no CT ?
Estamos trabalhando tudo no CT. Quando cheguei aqui, não tínhamos nem a planta. O escritório de arquitetos não recebia, e as plantas estavam confiscadas. A partir daí, tive que tirar as 38 licenças. Depois, o estudo topográfico. Não podemos arrancar nenhuma árvore. Todas dos 130 mil metros quadrados são catalogadas. Tenho o cuidado de começar a coisa direito para não ter a obra embargada. Já conseguimos dinheiro para começar o módulo dez, que são os alojamentos.
Por falar em alojamento, a casa que servia de moradia para os meninos da base era conhecida como Carandiru. Como foi a primeira visita ao local ?
Fiquei até deprimida no dia. Não tinha cortina nas janelas, eles colocavam uns panos para diminuir a claridade. Cheiro horrível, colchões mofados, sem roupa de cama... O Flamengo licencia edredons, roupa de cama e nem pedia isso às empresas. Eu levei para lá. Tudo que a gente tem com a marca do Flamengo, copos, talheres, eu pedi. As coisas estavam quebradas, mofadas, enferrujadas. Geladeira, freezer, tudo muito ruim. E aí começamos a limpeza. Colocamosi persianas, melhoramos banheira, trocamos roupa de cama. Pegamos os meninos, tiramos de lá, alugamos uma casa ao lado para eles ficarem perto do CT. São uns 30 meninos, e aí começamos a melhorar a alimentação. Foram pequenos detalhes: pusemos uma tropa de choque na base para controlar a entrada e saída de tudo.
Mas também houve muitos relatos de indisciplina, como caso de jogador andando pelado pelas dependências da concentração. Como lidar com essa baderna ?
Não tinha limite. Não gosto de falar mal, mas uma coisa necessária é investir na base, o que estamos fazendo. A chegada do Zico deu uma melhorada louca na coisa da disciplina. O que pode, o que não pode. O CT fica um pouco distante. Tenho notícias, mas não vou lá todos os dias. É um trabalho a longo prazo, que não vai aparecer no começo.
De zero a dez, qual a nota para a sua gestão nestes nove meses ?
Eu me dou 7,5. O dez é só se o Flamengo for campeão. Acho que estou acima da média.
Mas nas ruas existe essa aprovação ?
A grande maioria me aborda e fala : “você vai limpar” o Flamengo. A torcida tem essa ideia de limpeza. A leitura que as pessoas fazem é da moralização. Acho bom. Ainda bem que passo isso. Porque resultado vai sair. Na verdade, no Campeonato Brasileiro, um ganha e 19 perdem (risos), mas temos outros objetivos. O Inter não ganhou o Brasileiro e levou a Libertadores. Não pode é ficar em 16º. Isso não pode.
Qual foi o pedido mais inusitado ?
A paixão é uma coisa incrível. Às vezes, falam mal de jogador, perguntam : “Cadê o Ronaldinho Gaúcho ?”. Quando saio, tenho que estar disposta. Cinema nem vou mais porque apagam as luzes e as pessoas berram. Quando janto, percebo que tem alguém falando para que eu escute. Isso quando não cantam o hino de outro clube. A maior arma que tenho é o bom humor.
É complicado o torcedor entender como o time campeão brasileiro está tão mal no Brasileiro. Há alguma conclusão ?
Estamos em outro momento. Fomos campeões e alguns não estão mais aqui. Perder o Adriano é difícil. Não é apenas pela qualidade do jogador. Ele é um cara que segura dois, três marcadores. Quebra o time adversário. E não cai. Apanha, apanha e não cai. Não tem substituto à altura. Perdemos o Bruno, um capitão. Ele brigava pelo grupo, sempre vinha à minha sala. Depois, fica o Lomba tentando se afirmar. No início, com um olhar numa mistura de ansiedade com constrangimento.
Mas dá para notar evolução ?
Acho que com o Silas deu esse estalo. Está todo mundo precisando se abraçar. O time tem elenco, qualidade técnica, bagagem... Faltava o carinho amigo. E aos poucos melhoramos isso passando filmes de motivação, brincando bastante.
Essa preocupação é por causa do trauma provocado pela saída repentina do Bruno ?
Os fatos mexeram. É impossível não mexer. Imagina o que passa na cabeça do Willians, que dormia no quarto do Bruno ? Quando estive no fórum (na tarde de sexta-feira, como testemunha do processo), dei de cara com aquela cena. Magro, abatido, chorando. Por uns minutos você tem vontade de colocá-lo no colo e não quer saber se ele é culpado ou inocente. Você conviveu com a pessoa e só quer ajudar. Passei seis, sete meses com ele. A torcida demorou a voltar ao estádio. É uma coisa muito dura. Está sendo ainda. Uma grande emoção que tive foi quando voltamos da Copa, o comportamento da torcida. Estava todo mundo gritando “time de assassino”. Ganhamos o jogo do Botafogo. Saímos da delegacia e entramos em campo de novo.
O Bruno chegou a conversar com você nesse encontro no fórum ?
Conversei rapidamente porque ele estava passando mal. Dei um beijo, uma força, mas parecia que o Bruno não estava escutando porque tinha tomado remédio.
O advogado do Bruno, Ércio Quaresma, tem feito pesadas acusações ao Flamengo, dizendo que o goleiro foi abandonado e que há dívidas pendentes.
O advogado quer jogar a culpa no Flamengo. O clube é vítima, o que aconteceu fora não podemos abraçar como nosso. A gente tem todo o carinho e sabe da importância do jogador na conquista do Brasileiro e do pentatri. Isso está na história e ninguém tira dele. Bruno sempre foi ídolo, o que aconteceu quem tem que responder é ele. Jamais pode dizer que o clube abandonou.
Qual a situação contratual dele ?
O contrato está suspenso. Não dá para pagar por prestação de serviços que não existe. O advogado deu um show quando veio aqui na Gávea. Dizia que queriam acabar com o Bruno, mas ele não ia deixar. Quem quer acabar com o Bruno aqui ? O clube não o abandonou. Bruno chegou ao status que teve pela contribuição do Flamengo.
Mesmo se for inocentado, ele não joga mais no Flamengo ?
Estou aqui para defender a instituição, e este caso trouxe um desgaste muito grande. Se ele for considerado inocente e sair, joga no Flamengo ? Não, hoje o nosso goleiro é o Marcelo Lomba, a gente já virou essa página e seguiu em frente. Se ele for inocentado, será carinhosamente recebido. Ele e qualquer pessoa que deu contribuição para a história do clube. É diferente de representar e defender a camisa da instituição.
O clube adotou uma postura de não falar sobre o caso. Por quê ?
Acho que nossa postura foi muito certa. Temos que falar de futebol, de esporte. Conseguimos tirar nosso nome disso. O caso Bruno trouxe prejuízos, e não foram pequenos. Tem cicatriz. Não dá para jogar aqui, né ? Isso aqui não é brincadeira. Queremos grandes resultados, grandes atletas e vender credibilidade. Uma história como essa mancha, não é fácil. Não é só a torcida adversária berrar, debochar. Há orientação para os jogadores não falarem no caso.
Além do problema com o Bruno, há uma forte crítica ao período que o Flamengo ficou sem um vice-presidente no futebol (Patrícia acumulou a função) após a saída do Marcos Braz. Foi um erro da sua gestão ?
Ficou sem comando por algum tempo para provar a todos que não tinha intenção de derrubar ninguém. Queria que desse certo. Mas não deu e tive que tomar atitude. Parei e pensei em montar um modelo profissional. Trabalhei quietinha com o Zico. Era uma conversa que estava acontecendo e em determinado momento não tinha esperança. Mas no dia que estava vendo um dos jogos da final do basquete contra o Brasília, o Zico ligou e fui para lá para conversar. Eu tremia. Mas pensei : ele não vai me chamar para dizer não. Foi muito legal, muito bacana.
Pouco mais de 100 dias depois de ele assumir há correntes políticas denunciando supostas irregularidades na gestão. Como você recebe isso ?
Politicamente o clima está pesadíssimo. Alguma oposição eu já imaginava porque tem gente que nasce contra tudo e contra todos. Mas bater no Zico é de uma covardia enorme, monstra. O que essas pessoas fizeram de relevante para o clube ? Eu escrevi alguns bons capítulos do clube, mas o Zico escreveu os melhores, talvez o melhor. Então acho que o nível de tolerância tem que ser muito maior. Com tão pouco tempo, acho lamentável. As pessoas vão se arrepender porque o trabalho vai acontecer. Se houvesse alguma prova teria que ser encaminhado internamente. Mas o que as pessoas estão fazendo, jogando coisas sem cabimento, eu não consigo entender.
Uma das acusações que circulam no clube sugere que houve uma espécie de terceirização das divisões de base para beneficiar o fundo de investimentos MFD, que arrendou o CFZ recentemente.
Nós dispensamos um número grande de jogadores por questão técnica. Alguns do CFZ foram aproveitados porque eram bons. Tenho diretor executivo da base, que é o Noval, filho de um grande benemérito do clube. Quando escuto, pergunto. Mas acho que há um certo exagero.
Como explicar tantos problemas ?
Você pode imaginar uma mulher presidente ? E ainda vindo de esporte olímpico ? Pode imaginar que todos eles tentaram trazer o Zico e não conseguiram ? Pode imaginar que vou receber o clube com 300 milhões de reais de passivo, 70 milhões de verba antecipada, e fui desafiada que não conseguiria sequer pagar o salário de janeiro e agora estamos com salários e impostos em dia sem nenhuma antecipação ? Só consigo imaginar o clube ter uma crise quando não está pagando. Lógico que, se o resultado não vier, é outro tipo de crise. Mas jogador com salário em dia não tem desconforto, tem que pensar em jogar. Essa é a estrutura profissional.
E como você tem notado o Zico diante de toda essa avalanche ?
O Zico está assustado. Primeiro porque pergunta: "Quem é fulano que mandou email ?" Falo para ele não perder tempo, tocar o barco e trabalhar. Nem acho que isso seja importante. Se estiver embasado, vamos discutir. O que mais tem é gente para criar comissão para isso e para aquilo. As pessoas têm que se preocupar é em preservar a instituição.
O projeto do Zico tem três anos. Você dá garantias de que será cumprido ?
Banco o Zico. Tenho confiança, é um cara do bem. Se ele escuta o filho, a mulher ou quem quer que seja, tem todo o direito. É comovente ver a dedicação dele. Às vezes fico emocionada. Perdem tempo com essa pressão.
O Flamengo apostou alto em contratações como as de Deivid, Diogo, Val Baiano e Renato Abreu, que chegaram com problemas físicos e ainda não deram o retorno esperado. Como vê isso ?
Acho que a gente aprende uma lição. O que acontece com jogadores de fora ? Contratamos com currículo e imaginamos que vão chegar aqui muito melhores. O nome do Renato passaria por qualquer comissão técnica e torcedor. Foi uma surpresa ele chegar do jeito que chegou. Nesses campeonatos, eles jogam uma vez por semana, em campos menores. Não têm tanto desgaste, tantas lesões. O corpo demora um tempo a se acostumar com essa mudança. Isso tem reflexo no desempenho.
Dos jogadores que o clube tentou e não conseguiu contratar, qual o que lhe causou mais tristeza ?
Montillo foi quem me deixou frustrada. Eu fico muito sentida quando o jogador quer vir, mas o empresário pega a proposta aqui, leva para outro lado e usa para conseguir algo melhor. E muitas vezes não volta para apresentar. O Montillo eu gostaria que tivesse vindo, sim. Estou falando como torcedora, é o que sinto mais. O Emerson também gostaria que viesse, porque sabia que ele queria. Fico triste quando o jogador quer vir e não consegue. Todo trabalho, quando não tiver prazer, realização, pode não render 100%. Acho que aqui talvez o Emerson estivesse mais feliz. Também chegamos a cogitar o Kleber, mas ele não queria vir e foi correto desde o começo.
Qual o seu sonho de consumo ?
Tenho vários. Num primeiro momento, quero trazer os que foram daqui. Ibson é o primeiro porque acho possível. Juan, o zagueiro, também. E quem sabe o Julio César para o gol. Seria bom resgatar os nossos valores...
Ronaldinho Gaúcho, jogando o que vem jogando no Milan, ficou mais difícil ?
O Ronaldinho eu acho difícil, mas não impossível. Daqui a seis meses ele pode se dar o luxo de vir para cá se quiser.
Traria de volta o Adriano ?
O que acho bacana é que o Adriano passou por aqui, não saiu brigado e não fechou a porta. Mas hoje o clube tem um outro enfoque. Se nosso elenco estiver bem quando ele quiser voltar, não tem por que trazê-lo.
Quando você assumiu, encontrou o clube campeão brasileiro. Manteve a estrutura deixada pelo vice Marcos Braz, mas aí surgiram muitos problemas, e foi obrigada a tomar medidas. Arrepende-se de algo ?
Não tenho sentimento de que seria melhor romper. Queria muito que tivesse dado certo, como no ano passado. Tanto que a ideia era manter todo o time. Do mais humilde funcionário até o vice-presidente de futebol. Mas não deu. Não me arrependo. As coisas se desencontraram. É como se a massa tivesse desandado.
O que houve, na sua opinião ?
Cada um pensava por si, via o seu lado financeiro, pessoal, e o conjunto foi se desintegrando. Queria muito que tivesse dado certo. Pode ter certeza. Mas não deu. Tomo até cuidado porque o Andrade fala que a diretoria plantou matéria para dizer que não existia controle. Isso é uma completa irresponsabilidade, porque quem não o queria desde o começo era o Marcos Braz, que preferia contratar o Celso Roth. Quem segurou o Andrade fui eu. A coisa se agravou depois que vencemos o Caracas, e o Marcos Braz disse que o Andrade não era mais o técnico do Flamengo. Tudo isso é verdade. Sou a pessoa mais transparente do mundo.
E no dia da demissão do Andrade, o que aconteceu ?
Chamei o Andrade para conversar às 13:30, e ele apareceu uma hora e meia depois com o Marcos Braz. Queria muito saber por que ele não veio na hora. Quando chegou aqui, só queria saber o que ia receber, se o prêmio seria pago... Era coisa de maluco. Um não estava satisfeito com o outro, sem contar as brigas no vestiário, que começavam a ficar frequentes. Aliado a isso, teve um dia no hotel que o Andrade veio me perguntar se escalava o Pet ou não. Meu Deus do céu ! Fiquei muito assustada. Vai perguntar para mim se tem que escalar ou não ? Não estou aqui de brincadeira, tenho que defender a instituição. Imagina se o Chupeta (técnico do basquete rubro-negro) ia me perguntar se coloca o Marcelinho ou não... Se ainda fosse uma conversa informal, um jantar e eu desse minha opinião... Mas não foi isso.
Nas recentes entrevistas, ele não esconde a mágoa com a saída...
Sou muito calma, mas tudo tem limite. Ele reclama que o Flamengo não pagou o salário do mês de Abril. Realmente. Estávamos tentando um acordo e não houve. Na quinta-feira, chegamos. Pelo menos foi o relato que tive do Michel Levy (vice de finanças). Existe realmente uma dívida, e a gente nunca escondeu.
Você parece muito chateada também com a situação...
Fiquei muito triste como presidente e torcedora . Quando vejo o Andrade chorar, me sinto como a pior pessoa do mundo. Meus filhos me cobram. Mas a vida continua. Lá na frente a gente pode se encontrar, não tem problema algum.
Voltaria a trabalhar com ele ?
Se encontrá-lo, vou cumprimentá-lo. Não é nada pessoal, amanhã ele pode estar aqui de volta. Quando há um desgaste, tem que dar tempo ao tempo. Mas, neste momento, o desgaste era muito grande. Tinha problemas policiais, de disciplina. Treinador é um líder positivo, tem que ter participação.
Mas era função dele punir ? Não era o caso de o clube aplicar uma multa ?
Punir o jogador que ganha não sei quantos mil não faz efeito. Chega uma hora que ele fala : “Vou faltar e pode descontar.” Não é esse o clima. Achei bem-sucedida uma relação que construí com o Love. No dia que ele não veio, eu disse : "Ou você vem e compensa no dia seguinte ou teremos que tomar atitude. Veio domingo, às 8:30m. Foi a maior resposta que tive. Nosso relacionamento é excelente. Ele não pôde ficar por uma circunstância, Adriano, também. Andrade não ficou porque o clima era insustentável. Mas é ídolo, merece todo o reconhecimento. Só não queria que tivesse fechado a porta comigo. Eu o chamei para conversar e ele não veio... Aí existe uma hierarquia. Sou presidente. Daqui a pouco o funcionário vai escolher o patrão. Ele não veio e já era indisciplina. Lamento tudo. Isso não construiu nada para o Flamengo. Destruiu. Talvez o fim não seria esse. Poderíamos ter conversado e resolvido. Eu não achava certo o Andrade pagar o pato, mas queria ouvir dele o que estava acontecendo. E não ouvi.
O que achou da entrevista do presidente do Barcelona, Sandro Rossel, dizendo que é rubro-negro aqui no Brasil ?
Sensacional. Quero entrar em contato com o presidente do Barcelona para entender esse processo todo. Tenho um sonho de fazer um triangular entre Flamengo, Barcelona e Boca. Futebol e basquete. Servirá para arrecadar dinheiro e dar start internacional. O torcedor compra ingresso para o futebol e assiste ao basquete na preliminar. São coisas bem legais que planejo para o Flamengo do futuro.
Qual o valor da dívida do clube ?
Posso responder mais à frente, depois da auditoria. Vamos estudar o balanço para saber o valor. É muito provável que a gente encontre alguma diferença nesses R$ 330 milhões. A ideia é entregar o Flamengo melhor. Não tenho a ilusão de que vou resolver. Agora, títulos só vamos saber no fim.
E a dívida a com a BWA ?
Já pagamos R$ 5,1 milhões à BWA. A dívida era de R$ 13 milhões. Nenhum centavo de bilheteria vem para o Flamengo. Vai direto. Cinco milhões a antiga diretoria pegou em dezembro para sair com os salários em dia.
Como estão as dívidas trabalhistas ? E com os jogadores ?
Pagamos 15% ao TRT rigorosamente e 5% ao Imposto de Renda. Quando falo com os jogadores explico isso : “Temos tantos milhões, mas só podemos passar a negociar tirando os 15% do TRT e os 5% do IR.” Não estamos com dívida alguma com federação. Cheguei aqui, e o Flamengo devia o mês de dezembro e o 13º. Basquete desde outubro e o futsal, desde abril. Paguei tudo. Só temos dívidas de premiação. Fiz parceria com a Light, pagamos sempre a média de luz. Diminuímos 70% do nosso valor. E agora não pagamos mais multas. Aí começa a sobrar mais um pouco. O clube não tem fins lucrativos, mas não pode dar prejuízo.
Como estão os esportes amadores ?
O remo é o maior centro de problemas políticos do Flamengo. São vários feudos e acumulei a vice-presidência. Recebi cartas horrorosas de que larguei o remo. É o contrário. Exatamente porque sei a importância que acumulei. A natação peguei em 18º lugar, que tal ? Para um clube que já ganhou dez vezes... Já passamos para quinto, e nossa expectativa no José Finkel é disputar terceiro. A ginástica olímpica voltou a ser campeã brasileira, com Diego Hypolito e Danielle Hypolito. O basquete foi reforçado e está com boa expectativa. No vôlei, há chances de se montar um time feminino de 2011 para 2012. No judô, trouxemos o João Gabriel.
Qual o próximo projeto a ser posto em prática ?
O do Museu. Lançaremos a pedra fundamental no aniversário do Flamengo. A garantia é que esse dinheiro venha dos royalties que a Olympikus tem de nos dar.


(entrevista com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo)

Há pouco mais de nove meses no cargo, dá para resumir a rotina da presidente do Flamengo ?
Trabalho de segunda a domingo. Se não estou na Gávea, estou a serviço do Flamengo. Minha vida é essa e eu estou adorando. Essa é a parte boa. Chego na Gávea às 8h, 10h. Ando no clube, vou lá ver se tem sabonete no banheiro, se a piscina não está verde, se o parquinho está certo. Nunca vi um presidente tão presente como eu. Vou a todas as reuniões de conselho. Muitos desses ex-presidentes que falam muito não vêm aqui discutir Flamengo. Eu me cobro muito. Se daqui a dois anos notar que o Flamengo não está legal, vou para minha casa e volto a ajudar. Optei por servir ao Flamengo. Já fui atleta, funcionária, conselheira, agora sou presidente.
Então, seu trabalho de cuidado, a preocupação com os funcionários tem semelhanças como a de uma síndica de um grande condomínio ?
Particularmente, sempre quis cuidar das instalações do clube. Eu cresci aqui, frequento a Gávea, e meus filhos também. A maioria dos presidentes não vem ao clube e por isso não tem o menor carinho. Não se importam se o banheiro está sujo porque eles não usam. Isso é muito sério. Quando estou de baixo-astral ando no clube porque vejo as pessoas falando. No dia em que os meninos (do futebol) vieram à piscina, as senhoras gritaram: “O clube melhorou muito, só não melhoraram os jogadores.” Tentaram me agradar, mas acabaram me derrubando (risos).
Dá para dimensionar a pressão do cargo ?
Sentar nessa cadeira não é fácil. Acordo e durmo com o peso de uma nação nas costas. Por isso, respeito todos os que passaram aqui. É uma responsabilidade monstra. Leio muitos modelos que deram certo para aprender. Tem um livro do Obama que se chama “Audácia e esperança”. E pensava muito isso. Que era uma audácia e uma esperança eu me tornar presidente do Flamengo. Tem uma parte do livro que diz : "as pessoas só pensam no que destrói. E aqui é assim".
Por quê ?
Ninguém é obrigado a gostar de mim, me aguentar, mas o Flamengo tem que estar acima disso. Isso é o que nos une. Que a crítica e a pancada não sobressaiam ao que tem de bom aqui. Foi o que sempre fiz. Saí escorraçada daqui no início de 2009 (quando era vice de esportes olímpicos) e não falei de ninguém. Não atrapalhei nada, não criei tumulto. Não vou dormir com ódio. O bom dirigente é aquele que não atrapalha. Quem quer ser maior do que o Flamengo não pode estar aqui. Quem manda aqui é a nação.
Mas, por mais que ocorram melhorias no clube, o torcedor de uma maneira geral só se importa com o time de futebol...
Lógico que a torcida quer saber de título. Mas também tenho que atender a quem me elegeu, até por reconhecimento. Lógico que preciso atender a torcida, até porque é o nosso maior cliente, consumidor, e por isso criaremos a ouvidoria. E o sócio porque ele vota, é o dono do patrimônio do clube. Eles têm que estar satisfeitos.
Há também a preocupação com o fim das obras no CT ?
Estamos trabalhando tudo no CT. Quando cheguei aqui, não tínhamos nem a planta. O escritório de arquitetos não recebia, e as plantas estavam confiscadas. A partir daí, tive que tirar as 38 licenças. Depois, o estudo topográfico. Não podemos arrancar nenhuma árvore. Todas dos 130 mil metros quadrados são catalogadas. Tenho o cuidado de começar a coisa direito para não ter a obra embargada. Já conseguimos dinheiro para começar o módulo dez, que são os alojamentos.
Por falar em alojamento, a casa que servia de moradia para os meninos da base era conhecida como Carandiru. Como foi a primeira visita ao local ?
Fiquei até deprimida no dia. Não tinha cortina nas janelas, eles colocavam uns panos para diminuir a claridade. Cheiro horrível, colchões mofados, sem roupa de cama... O Flamengo licencia edredons, roupa de cama e nem pedia isso às empresas. Eu levei para lá. Tudo que a gente tem com a marca do Flamengo, copos, talheres, eu pedi. As coisas estavam quebradas, mofadas, enferrujadas. Geladeira, freezer, tudo muito ruim. E aí começamos a limpeza. Colocamosi persianas, melhoramos banheira, trocamos roupa de cama. Pegamos os meninos, tiramos de lá, alugamos uma casa ao lado para eles ficarem perto do CT. São uns 30 meninos, e aí começamos a melhorar a alimentação. Foram pequenos detalhes: pusemos uma tropa de choque na base para controlar a entrada e saída de tudo.
Mas também houve muitos relatos de indisciplina, como caso de jogador andando pelado pelas dependências da concentração. Como lidar com essa baderna ?
Não tinha limite. Não gosto de falar mal, mas uma coisa necessária é investir na base, o que estamos fazendo. A chegada do Zico deu uma melhorada louca na coisa da disciplina. O que pode, o que não pode. O CT fica um pouco distante. Tenho notícias, mas não vou lá todos os dias. É um trabalho a longo prazo, que não vai aparecer no começo.
De zero a dez, qual a nota para a sua gestão nestes nove meses ?
Eu me dou 7,5. O dez é só se o Flamengo for campeão. Acho que estou acima da média.
Mas nas ruas existe essa aprovação ?
A grande maioria me aborda e fala : “você vai limpar” o Flamengo. A torcida tem essa ideia de limpeza. A leitura que as pessoas fazem é da moralização. Acho bom. Ainda bem que passo isso. Porque resultado vai sair. Na verdade, no Campeonato Brasileiro, um ganha e 19 perdem (risos), mas temos outros objetivos. O Inter não ganhou o Brasileiro e levou a Libertadores. Não pode é ficar em 16º. Isso não pode.
Qual foi o pedido mais inusitado ?
A paixão é uma coisa incrível. Às vezes, falam mal de jogador, perguntam : “Cadê o Ronaldinho Gaúcho ?”. Quando saio, tenho que estar disposta. Cinema nem vou mais porque apagam as luzes e as pessoas berram. Quando janto, percebo que tem alguém falando para que eu escute. Isso quando não cantam o hino de outro clube. A maior arma que tenho é o bom humor.
É complicado o torcedor entender como o time campeão brasileiro está tão mal no Brasileiro. Há alguma conclusão ?
Estamos em outro momento. Fomos campeões e alguns não estão mais aqui. Perder o Adriano é difícil. Não é apenas pela qualidade do jogador. Ele é um cara que segura dois, três marcadores. Quebra o time adversário. E não cai. Apanha, apanha e não cai. Não tem substituto à altura. Perdemos o Bruno, um capitão. Ele brigava pelo grupo, sempre vinha à minha sala. Depois, fica o Lomba tentando se afirmar. No início, com um olhar numa mistura de ansiedade com constrangimento.
Mas dá para notar evolução ?
Acho que com o Silas deu esse estalo. Está todo mundo precisando se abraçar. O time tem elenco, qualidade técnica, bagagem... Faltava o carinho amigo. E aos poucos melhoramos isso passando filmes de motivação, brincando bastante.
Essa preocupação é por causa do trauma provocado pela saída repentina do Bruno ?
Os fatos mexeram. É impossível não mexer. Imagina o que passa na cabeça do Willians, que dormia no quarto do Bruno ? Quando estive no fórum (na tarde de sexta-feira, como testemunha do processo), dei de cara com aquela cena. Magro, abatido, chorando. Por uns minutos você tem vontade de colocá-lo no colo e não quer saber se ele é culpado ou inocente. Você conviveu com a pessoa e só quer ajudar. Passei seis, sete meses com ele. A torcida demorou a voltar ao estádio. É uma coisa muito dura. Está sendo ainda. Uma grande emoção que tive foi quando voltamos da Copa, o comportamento da torcida. Estava todo mundo gritando “time de assassino”. Ganhamos o jogo do Botafogo. Saímos da delegacia e entramos em campo de novo.
O Bruno chegou a conversar com você nesse encontro no fórum ?
Conversei rapidamente porque ele estava passando mal. Dei um beijo, uma força, mas parecia que o Bruno não estava escutando porque tinha tomado remédio.
O advogado do Bruno, Ércio Quaresma, tem feito pesadas acusações ao Flamengo, dizendo que o goleiro foi abandonado e que há dívidas pendentes.
O advogado quer jogar a culpa no Flamengo. O clube é vítima, o que aconteceu fora não podemos abraçar como nosso. A gente tem todo o carinho e sabe da importância do jogador na conquista do Brasileiro e do pentatri. Isso está na história e ninguém tira dele. Bruno sempre foi ídolo, o que aconteceu quem tem que responder é ele. Jamais pode dizer que o clube abandonou.
Qual a situação contratual dele ?
O contrato está suspenso. Não dá para pagar por prestação de serviços que não existe. O advogado deu um show quando veio aqui na Gávea. Dizia que queriam acabar com o Bruno, mas ele não ia deixar. Quem quer acabar com o Bruno aqui ? O clube não o abandonou. Bruno chegou ao status que teve pela contribuição do Flamengo.
Mesmo se for inocentado, ele não joga mais no Flamengo ?
Estou aqui para defender a instituição, e este caso trouxe um desgaste muito grande. Se ele for considerado inocente e sair, joga no Flamengo ? Não, hoje o nosso goleiro é o Marcelo Lomba, a gente já virou essa página e seguiu em frente. Se ele for inocentado, será carinhosamente recebido. Ele e qualquer pessoa que deu contribuição para a história do clube. É diferente de representar e defender a camisa da instituição.
O clube adotou uma postura de não falar sobre o caso. Por quê ?
Acho que nossa postura foi muito certa. Temos que falar de futebol, de esporte. Conseguimos tirar nosso nome disso. O caso Bruno trouxe prejuízos, e não foram pequenos. Tem cicatriz. Não dá para jogar aqui, né ? Isso aqui não é brincadeira. Queremos grandes resultados, grandes atletas e vender credibilidade. Uma história como essa mancha, não é fácil. Não é só a torcida adversária berrar, debochar. Há orientação para os jogadores não falarem no caso.
Além do problema com o Bruno, há uma forte crítica ao período que o Flamengo ficou sem um vice-presidente no futebol (Patrícia acumulou a função) após a saída do Marcos Braz. Foi um erro da sua gestão ?
Ficou sem comando por algum tempo para provar a todos que não tinha intenção de derrubar ninguém. Queria que desse certo. Mas não deu e tive que tomar atitude. Parei e pensei em montar um modelo profissional. Trabalhei quietinha com o Zico. Era uma conversa que estava acontecendo e em determinado momento não tinha esperança. Mas no dia que estava vendo um dos jogos da final do basquete contra o Brasília, o Zico ligou e fui para lá para conversar. Eu tremia. Mas pensei : ele não vai me chamar para dizer não. Foi muito legal, muito bacana.
Pouco mais de 100 dias depois de ele assumir há correntes políticas denunciando supostas irregularidades na gestão. Como você recebe isso ?
Politicamente o clima está pesadíssimo. Alguma oposição eu já imaginava porque tem gente que nasce contra tudo e contra todos. Mas bater no Zico é de uma covardia enorme, monstra. O que essas pessoas fizeram de relevante para o clube ? Eu escrevi alguns bons capítulos do clube, mas o Zico escreveu os melhores, talvez o melhor. Então acho que o nível de tolerância tem que ser muito maior. Com tão pouco tempo, acho lamentável. As pessoas vão se arrepender porque o trabalho vai acontecer. Se houvesse alguma prova teria que ser encaminhado internamente. Mas o que as pessoas estão fazendo, jogando coisas sem cabimento, eu não consigo entender.
Uma das acusações que circulam no clube sugere que houve uma espécie de terceirização das divisões de base para beneficiar o fundo de investimentos MFD, que arrendou o CFZ recentemente.
Nós dispensamos um número grande de jogadores por questão técnica. Alguns do CFZ foram aproveitados porque eram bons. Tenho diretor executivo da base, que é o Noval, filho de um grande benemérito do clube. Quando escuto, pergunto. Mas acho que há um certo exagero.
Como explicar tantos problemas ?
Você pode imaginar uma mulher presidente ? E ainda vindo de esporte olímpico ? Pode imaginar que todos eles tentaram trazer o Zico e não conseguiram ? Pode imaginar que vou receber o clube com 300 milhões de reais de passivo, 70 milhões de verba antecipada, e fui desafiada que não conseguiria sequer pagar o salário de janeiro e agora estamos com salários e impostos em dia sem nenhuma antecipação ? Só consigo imaginar o clube ter uma crise quando não está pagando. Lógico que, se o resultado não vier, é outro tipo de crise. Mas jogador com salário em dia não tem desconforto, tem que pensar em jogar. Essa é a estrutura profissional.
E como você tem notado o Zico diante de toda essa avalanche ?
O Zico está assustado. Primeiro porque pergunta: "Quem é fulano que mandou email ?" Falo para ele não perder tempo, tocar o barco e trabalhar. Nem acho que isso seja importante. Se estiver embasado, vamos discutir. O que mais tem é gente para criar comissão para isso e para aquilo. As pessoas têm que se preocupar é em preservar a instituição.
O projeto do Zico tem três anos. Você dá garantias de que será cumprido ?
Banco o Zico. Tenho confiança, é um cara do bem. Se ele escuta o filho, a mulher ou quem quer que seja, tem todo o direito. É comovente ver a dedicação dele. Às vezes fico emocionada. Perdem tempo com essa pressão.
O Flamengo apostou alto em contratações como as de Deivid, Diogo, Val Baiano e Renato Abreu, que chegaram com problemas físicos e ainda não deram o retorno esperado. Como vê isso ?
Acho que a gente aprende uma lição. O que acontece com jogadores de fora ? Contratamos com currículo e imaginamos que vão chegar aqui muito melhores. O nome do Renato passaria por qualquer comissão técnica e torcedor. Foi uma surpresa ele chegar do jeito que chegou. Nesses campeonatos, eles jogam uma vez por semana, em campos menores. Não têm tanto desgaste, tantas lesões. O corpo demora um tempo a se acostumar com essa mudança. Isso tem reflexo no desempenho.
Dos jogadores que o clube tentou e não conseguiu contratar, qual o que lhe causou mais tristeza ?
Montillo foi quem me deixou frustrada. Eu fico muito sentida quando o jogador quer vir, mas o empresário pega a proposta aqui, leva para outro lado e usa para conseguir algo melhor. E muitas vezes não volta para apresentar. O Montillo eu gostaria que tivesse vindo, sim. Estou falando como torcedora, é o que sinto mais. O Emerson também gostaria que viesse, porque sabia que ele queria. Fico triste quando o jogador quer vir e não consegue. Todo trabalho, quando não tiver prazer, realização, pode não render 100%. Acho que aqui talvez o Emerson estivesse mais feliz. Também chegamos a cogitar o Kleber, mas ele não queria vir e foi correto desde o começo.
Qual o seu sonho de consumo ?
Tenho vários. Num primeiro momento, quero trazer os que foram daqui. Ibson é o primeiro porque acho possível. Juan, o zagueiro, também. E quem sabe o Julio César para o gol. Seria bom resgatar os nossos valores...
Ronaldinho Gaúcho, jogando o que vem jogando no Milan, ficou mais difícil ?
O Ronaldinho eu acho difícil, mas não impossível. Daqui a seis meses ele pode se dar o luxo de vir para cá se quiser.
Traria de volta o Adriano ?
O que acho bacana é que o Adriano passou por aqui, não saiu brigado e não fechou a porta. Mas hoje o clube tem um outro enfoque. Se nosso elenco estiver bem quando ele quiser voltar, não tem por que trazê-lo.
Quando você assumiu, encontrou o clube campeão brasileiro. Manteve a estrutura deixada pelo vice Marcos Braz, mas aí surgiram muitos problemas, e foi obrigada a tomar medidas. Arrepende-se de algo ?
Não tenho sentimento de que seria melhor romper. Queria muito que tivesse dado certo, como no ano passado. Tanto que a ideia era manter todo o time. Do mais humilde funcionário até o vice-presidente de futebol. Mas não deu. Não me arrependo. As coisas se desencontraram. É como se a massa tivesse desandado.
O que houve, na sua opinião ?
Cada um pensava por si, via o seu lado financeiro, pessoal, e o conjunto foi se desintegrando. Queria muito que tivesse dado certo. Pode ter certeza. Mas não deu. Tomo até cuidado porque o Andrade fala que a diretoria plantou matéria para dizer que não existia controle. Isso é uma completa irresponsabilidade, porque quem não o queria desde o começo era o Marcos Braz, que preferia contratar o Celso Roth. Quem segurou o Andrade fui eu. A coisa se agravou depois que vencemos o Caracas, e o Marcos Braz disse que o Andrade não era mais o técnico do Flamengo. Tudo isso é verdade. Sou a pessoa mais transparente do mundo.
E no dia da demissão do Andrade, o que aconteceu ?
Chamei o Andrade para conversar às 13:30, e ele apareceu uma hora e meia depois com o Marcos Braz. Queria muito saber por que ele não veio na hora. Quando chegou aqui, só queria saber o que ia receber, se o prêmio seria pago... Era coisa de maluco. Um não estava satisfeito com o outro, sem contar as brigas no vestiário, que começavam a ficar frequentes. Aliado a isso, teve um dia no hotel que o Andrade veio me perguntar se escalava o Pet ou não. Meu Deus do céu ! Fiquei muito assustada. Vai perguntar para mim se tem que escalar ou não ? Não estou aqui de brincadeira, tenho que defender a instituição. Imagina se o Chupeta (técnico do basquete rubro-negro) ia me perguntar se coloca o Marcelinho ou não... Se ainda fosse uma conversa informal, um jantar e eu desse minha opinião... Mas não foi isso.
Nas recentes entrevistas, ele não esconde a mágoa com a saída...
Sou muito calma, mas tudo tem limite. Ele reclama que o Flamengo não pagou o salário do mês de Abril. Realmente. Estávamos tentando um acordo e não houve. Na quinta-feira, chegamos. Pelo menos foi o relato que tive do Michel Levy (vice de finanças). Existe realmente uma dívida, e a gente nunca escondeu.
Você parece muito chateada também com a situação...
Fiquei muito triste como presidente e torcedora . Quando vejo o Andrade chorar, me sinto como a pior pessoa do mundo. Meus filhos me cobram. Mas a vida continua. Lá na frente a gente pode se encontrar, não tem problema algum.
Voltaria a trabalhar com ele ?
Se encontrá-lo, vou cumprimentá-lo. Não é nada pessoal, amanhã ele pode estar aqui de volta. Quando há um desgaste, tem que dar tempo ao tempo. Mas, neste momento, o desgaste era muito grande. Tinha problemas policiais, de disciplina. Treinador é um líder positivo, tem que ter participação.
Mas era função dele punir ? Não era o caso de o clube aplicar uma multa ?
Punir o jogador que ganha não sei quantos mil não faz efeito. Chega uma hora que ele fala : “Vou faltar e pode descontar.” Não é esse o clima. Achei bem-sucedida uma relação que construí com o Love. No dia que ele não veio, eu disse : "Ou você vem e compensa no dia seguinte ou teremos que tomar atitude. Veio domingo, às 8:30m. Foi a maior resposta que tive. Nosso relacionamento é excelente. Ele não pôde ficar por uma circunstância, Adriano, também. Andrade não ficou porque o clima era insustentável. Mas é ídolo, merece todo o reconhecimento. Só não queria que tivesse fechado a porta comigo. Eu o chamei para conversar e ele não veio... Aí existe uma hierarquia. Sou presidente. Daqui a pouco o funcionário vai escolher o patrão. Ele não veio e já era indisciplina. Lamento tudo. Isso não construiu nada para o Flamengo. Destruiu. Talvez o fim não seria esse. Poderíamos ter conversado e resolvido. Eu não achava certo o Andrade pagar o pato, mas queria ouvir dele o que estava acontecendo. E não ouvi.
O que achou da entrevista do presidente do Barcelona, Sandro Rossel, dizendo que é rubro-negro aqui no Brasil ?
Sensacional. Quero entrar em contato com o presidente do Barcelona para entender esse processo todo. Tenho um sonho de fazer um triangular entre Flamengo, Barcelona e Boca. Futebol e basquete. Servirá para arrecadar dinheiro e dar start internacional. O torcedor compra ingresso para o futebol e assiste ao basquete na preliminar. São coisas bem legais que planejo para o Flamengo do futuro.
Qual o valor da dívida do clube ?
Posso responder mais à frente, depois da auditoria. Vamos estudar o balanço para saber o valor. É muito provável que a gente encontre alguma diferença nesses R$ 330 milhões. A ideia é entregar o Flamengo melhor. Não tenho a ilusão de que vou resolver. Agora, títulos só vamos saber no fim.
E a dívida a com a BWA ?
Já pagamos R$ 5,1 milhões à BWA. A dívida era de R$ 13 milhões. Nenhum centavo de bilheteria vem para o Flamengo. Vai direto. Cinco milhões a antiga diretoria pegou em dezembro para sair com os salários em dia.
Como estão as dívidas trabalhistas ? E com os jogadores ?
Pagamos 15% ao TRT rigorosamente e 5% ao Imposto de Renda. Quando falo com os jogadores explico isso : “Temos tantos milhões, mas só podemos passar a negociar tirando os 15% do TRT e os 5% do IR.” Não estamos com dívida alguma com federação. Cheguei aqui, e o Flamengo devia o mês de dezembro e o 13º. Basquete desde outubro e o futsal, desde abril. Paguei tudo. Só temos dívidas de premiação. Fiz parceria com a Light, pagamos sempre a média de luz. Diminuímos 70% do nosso valor. E agora não pagamos mais multas. Aí começa a sobrar mais um pouco. O clube não tem fins lucrativos, mas não pode dar prejuízo.
Como estão os esportes amadores ?
O remo é o maior centro de problemas políticos do Flamengo. São vários feudos e acumulei a vice-presidência. Recebi cartas horrorosas de que larguei o remo. É o contrário. Exatamente porque sei a importância que acumulei. A natação peguei em 18º lugar, que tal ? Para um clube que já ganhou dez vezes... Já passamos para quinto, e nossa expectativa no José Finkel é disputar terceiro. A ginástica olímpica voltou a ser campeã brasileira, com Diego Hypolito e Danielle Hypolito. O basquete foi reforçado e está com boa expectativa. No vôlei, há chances de se montar um time feminino de 2011 para 2012. No judô, trouxemos o João Gabriel.
Qual o próximo projeto a ser posto em prática ?
O do Museu. Lançaremos a pedra fundamental no aniversário do Flamengo. A garantia é que esse dinheiro venha dos royalties que a Olympikus tem de nos dar.









