http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/
. Reunir os quatro principais ídolos palmeirenses na atualidade foi a maior marca positiva da administração de
Luiz Gonzaga Belluzzo, que deixa hoje a presidência do clube.
As presenças de Felipão, Marcos, Valdivia e Kléber somadas ao fato de a tão sonhada arena começar a sair do papel transformaram Belluzzo em candidato a ter uma estátua no Palestra Itália.
Porém, quase nada deu certo. A construção do novo estádio ainda é vista com desconfiança por conselheiros e torcedores, graças ao ritmo lento das obras. A empreitada foi apresentada como uma ação sem custos para o
Palmeiras. Mas o clube já torrou pouco mais de R$ 1,5 milhão no projeto.
A roda pegou mesmo na aposta em jogadores e treinadores caros para ser campeão. Apesar de na teoria as contratações serem perfeitas, os altos salários causaram derrapadas. Com pagamentos atrasados, ficou difícil cobrar os jogadores. As trocas de técnicos geraram mais gastos.
A insistência de Belluzzo em ouvir um pequeno grupo e em dar amplos poderes para a Gilberto Cipullo, vice de futebol, fez com que aos poucos seus aliados o abandonassem. Parceiros também se afastaram. Como a Traffic, que além de discordar de algumas decisões no futebol teve que aturar a demissão do técnico Antônio Carlos Zago na festa de aniversário da empresa.
Ao alinhar-se com o São Paulo na eleição do Clube dos 13, Belluzzo espantou a Federação Paulista e a CBF. Assim, o presidente que foi eleito com uma legião de admiradores, carregado nos braços até pela maior parte da imprensa, agora volta para casa praticamente sozinho.
O passivo registrado até dezembro, no valor de
R$ 199,8 milhões, um déficit em 2010 de R$ 25,5 milhões e uma equipe desmotivada e rachada com a diretoria são algumas das heranças. Por outro lado, ele deixa um técnico competente e um punhado de bons atletas.
Nos últimos 12 meses, o futebol do Palmeiras gastou cerca de R$ 134 milhões e arrecadou por volta de R$ 130 milhões. Prejuízo de R$ 4 milhões. Em dezembro, porém, o departamento foi superavitário, graças à renovação antecipada de patrocínio com a Adidas. Esse superávit foi pouco superior a R$ 5 milhões.
Tanto para os conselheiros mais velhos como para os mais novos,
o pecado mortal do presidente foi atrasar salários e direitos de imagem. Todos contam que sempre se orgulharam de historicamente o Palmeiras pagar em dia seus jogadores. A quebra da tradição, mais do que qualquer outro fator, transformou a admiração ao economista-cartola em revolta. E o que seria um até breve virou um adeus.