http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2 ... stro.shtml
Entrevista com o Ministro da Educação, Mendonça Filho
Qual a sua expectativa para a aprovação e a implantação da reforma do ensino médio ?
A expectativa é aprovar a estrutura legal – a medida provisória – até o final deste ano.
E quando entraria em vigor ?
De forma gradual, porque consagra princípios muito importantes, como a maior flexibilização do currículo, para que o jovem defina suas prioridades do ponto de vista de conteúdo, e uma base comum curricular que deverá ser seguida por todas as redes, públicas e particulares.
Como compatibilizar o currículo flexível com o vestibular, que cobra um leque maior de disciplinas ?
De acordo com a legislação que está no Congresso, teremos a tarefa de firmar uma nova base curricular comum até meados do próximo ano. Ela vai expressar nos componentes do Enem o que deve ser aprendido pelos estudantes que rumam para a universidade, enfatizando áreas a que o aluno queira se dedicar, como humanidades, ciências da natureza ou exatas, mais especificamente matemática. A reforma apresenta um novo caminho, sintoniza o Brasil com o que é feito no mundo todo. Vamos ofertar um currículo comum e a possibilidade de caminhos formativos de acordo com a vontade do aluno e a oferta das redes estaduais, tendo como base o protagonismo do jovem. Para mim, claramente, isso vai significar maior equilíbrio, mais equidade, principalmente do estudante da rede pública, que se vê excluído do mercado de trabalho pela baixa qualidade do ensino médio no Brasil.
O plano não vai esbarrar na falta de professores para as disciplinas optativas ?
Claramente, o modelo atual com 13 disciplinas obrigatórias é o que enseja a não oferta de professores. Quando há mais flexibilidade você cria áreas de disciplinas que podem ser lecionadas com maior facilidade nas redes estaduais de todo o país. E será sempre prioridade do MEC melhorar a formação de professores, em cooperação do governo federal com os governos estaduais e municipais.
A reforma vai ser implantada gradativamente, mas quem já está no ensino médio agora será afetado ?
Até meados do próximo ano, teremos a discussão da base nacional curricular, e só depois a implantação, a partir de 2018.
Começa pelos alunos do primeiro ano ?
Sim.
E quem estiver no terceiro ano ?
Haverá uma gradação para que não atrapalhe quem está concluindo o ensino médio dentro do modelo tradicional. E nada muda para o Enem deste ano. Não há pressa para uma mudança radical para este Enem. Tudo se dará a partir de 2017 e 2018.
O Congresso discute nesta segunda (10) o teto para gastos públicos. Uma das propostas da reforma do ensino médio é aumentar muito a porcentagem de escolas com ensino integral, o que vai requerer mais investimento. Como conciliar as duas coisas ?
A lógica da gestão hoje do MEC é menos dispersão, menos pulverização de projetos que geram desperdício de recursos públicos. Vamos focar em objetivos centrais, eliminando recursos que estavam consumidos no custeio da máquina pública.