DC Comics
Tópico para falar de Batman, Mulher Maravilha, Superman, Lanterna Verde, Flash, Aquaman e outros super-heróis da DC
- Antonio Felipe
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Re: DC Comics
Sentimento depois de ver Batman vs. Superman: decepção.
Depois de tantas expectativas, o encontro dos dois heróis é um filme que funciona como divertimento e em individualidades, mas fracassa como conjunto.
Primeiro, pela narrativa confusa, em que as cenas parecem simplesmente coladas uma ao lado da outra. Não tem fluidez na maioria do filme - isso acontece mais no terceiro ato. Você vê personagens indo daqui para lá, fatos ocorrendo sem qualquer explicação. O tempo é mero acessório.
Não bastasse a narrativa, o roteiro todo soa absurdo em vários momentos. Como algumas partes oníricas (dispensáveis, na maioria) e a forma como o clímax é construído. Fica uma sensação de "pqp, como que isso tá acontecendo?".
O problema reside em dois pontos: o filme é uma sequência (de O Homem de Aço) e ao mesmo tempo, a prequel da Liga da Justiça. Então, são muitas coisas ocorrendo ao mesmo tempo, vários personagens que precisam ser apresentados. Mas tudo é unido de forma atabalhoada, perdida. Não tem um fio narrativo eficiente que ligue tudo com qualidade. E o outro ponto é que o filme todo é construído na base do marketing. A introdução de personagens, a composição de certas cenas (feitas só para o 3D - inútil, aliás) e ainda uma propaganda escancarada deixam isso evidente.
Mas nem tudo são ervas daninhas. Ben Affleck, por exemplo, funciona muito bem como o Batman. Gostei muito de seu lado justiceiro (chupado do Batman do Frank Miller), deixando evidente sua raiva. Henry Cavill também é eficiente ao mostrar a confusão entre ser ou não um deus. A interação dos dois é bem feita - e a luta é muito bacana.
Por outro lado, Jesse Eisenberg é um Lex Luthor varia entre o psicótico e o caricato, exagerado. Soa tão pouco ameaçador, nem parece o supervilão que deveria ser. Já Gal Gadot compõe uma Mulher Maravilha que toma conta da cena sempre que aparece. Vai ser interessante vê-la no filme solo.
Como divertimento, o filme funciona. Mas como parte da mitologia, do universo expandido que a DC está inaugurando, é um filme falho, repleto de erros. Que nos próximos longas da saga, tentem fazer algo coerente do início ao fim. E que por favor, PAREM DE DAR TANTO SPOILER NOS TRAILERS.
Depois de tantas expectativas, o encontro dos dois heróis é um filme que funciona como divertimento e em individualidades, mas fracassa como conjunto.
Primeiro, pela narrativa confusa, em que as cenas parecem simplesmente coladas uma ao lado da outra. Não tem fluidez na maioria do filme - isso acontece mais no terceiro ato. Você vê personagens indo daqui para lá, fatos ocorrendo sem qualquer explicação. O tempo é mero acessório.
Não bastasse a narrativa, o roteiro todo soa absurdo em vários momentos. Como algumas partes oníricas (dispensáveis, na maioria) e a forma como o clímax é construído. Fica uma sensação de "pqp, como que isso tá acontecendo?".
O problema reside em dois pontos: o filme é uma sequência (de O Homem de Aço) e ao mesmo tempo, a prequel da Liga da Justiça. Então, são muitas coisas ocorrendo ao mesmo tempo, vários personagens que precisam ser apresentados. Mas tudo é unido de forma atabalhoada, perdida. Não tem um fio narrativo eficiente que ligue tudo com qualidade. E o outro ponto é que o filme todo é construído na base do marketing. A introdução de personagens, a composição de certas cenas (feitas só para o 3D - inútil, aliás) e ainda uma propaganda escancarada deixam isso evidente.
Mas nem tudo são ervas daninhas. Ben Affleck, por exemplo, funciona muito bem como o Batman. Gostei muito de seu lado justiceiro (chupado do Batman do Frank Miller), deixando evidente sua raiva. Henry Cavill também é eficiente ao mostrar a confusão entre ser ou não um deus. A interação dos dois é bem feita - e a luta é muito bacana.
Por outro lado, Jesse Eisenberg é um Lex Luthor varia entre o psicótico e o caricato, exagerado. Soa tão pouco ameaçador, nem parece o supervilão que deveria ser. Já Gal Gadot compõe uma Mulher Maravilha que toma conta da cena sempre que aparece. Vai ser interessante vê-la no filme solo.
Como divertimento, o filme funciona. Mas como parte da mitologia, do universo expandido que a DC está inaugurando, é um filme falho, repleto de erros. Que nos próximos longas da saga, tentem fazer algo coerente do início ao fim. E que por favor, PAREM DE DAR TANTO SPOILER NOS TRAILERS.
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- E.R
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- Hyuri Augusto
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Re: DC Comics
Só eu que não gostei de Man of Steel? Sei lá, achei muito chato.
Eu estou fazendo o que posso para desviar de spoilers e ver o filme. Chega logo sexta!
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Hyuri Augusto
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- Antonio Felipe
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Re: DC Comics
Eu gostei de Man of Steel. Apesar de ter problemas na montagem, tinha uma narrativa mais fluída, era coerente - e os personagens eram muito bons: o Superman do Cavill bem dividido entre ser humano e ser o Superman; o Zod com toda a sua ira; o Jor-El com sua sabedoria...
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Re: DC Comics
Acho Man of Steel muito bom. Não curti pela primeira vez,mas olhando mais vezes eu comecei a vê-lo com outros olhos. A fotografia é muito boa e o final mega controverso me soou muito considerável,afinal seria sufocante pra um herói ver um genocida matar uma família e não fazer nada simplesmente para não descer do salto. Seria cometer o mesmo erro,já que Clark viu seu pai morrer e não moveu palha.

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Re: DC Comics
Man of Steel pra mim é mediano, mas mais porque eu sou meio conservador em relação à mitologia e ao visual do universo da história.
Se não for parecido com o que os filmes do Reeve e Smallville se basearam, eu já fico com um pé atrás.
Se não for parecido com o que os filmes do Reeve e Smallville se basearam, eu já fico com um pé atrás.
- Anderson silveira
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Re: DC Comics
Uma coisa que eu digo que detestei e não mudei de opinião em relação a primeira quadrilogia e Man of Steel foi a trilha sonora. Achei até um crime mudar o tema do Superman,se bem que a proposta foi fazer algo totalmente novo e não um Superman- O retorno 2.

- E.R
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Re: DC Comics
Eu não achei muito ruim de Batman vs Superman, claro que esperava mais é verdade, mas ainda assim até curti! 
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Re: DC Comics
Assisti o filme hoje e achei mediano.
Vi em 3D e não sei se é pelo efeito, mas o filme me pareceu muito sombrio e escuro.
COMENTÁRIOS COM POSSÍVEIS SPOILERS
Vi em 3D e não sei se é pelo efeito, mas o filme me pareceu muito sombrio e escuro.
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- E.R
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Re: DC Comics
O 3D é desnecessário nesse filme.
O diretor deixou a cor do filme desse filme pra deixar o filme mais sombrio. O interessante é que a roupa do Superman tá mais "viva" no sentido de estar mais colorida do que no Man of Steel.
O diretor deixou a cor do filme desse filme pra deixar o filme mais sombrio. O interessante é que a roupa do Superman tá mais "viva" no sentido de estar mais colorida do que no Man of Steel.



- Hyuri Augusto
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Re: DC Comics
O lado bom (Pelo menos, para a DC e Warner), é que é mais difícil de piratear o filme, já que o mesmo é bastante escuro.
Eu ainda não vi, por incrível que pareça. Mas olha, não sei não hein? Algo me diz que posso me arrepender. Só tem uma coisa que eu não entendi: Se tá o uniforme do Robin lá, por que caralhos ele não tem nenhuma menção com flashback? Sério, espero que pelo menos no Blu-ray apareça. Uma cena com Jared Leto e algum ator como o Jason Todd, seria muito massa.
Mas sabe o que seria ainda melhor? Introduzirem o Capuz Vermelho, Asa Noturna e Robin Vermelho (Tim Drake) nos cinemas. O que não é algo difícil, poderiam fazer um filme próprio (no caso do Asa Noturna), ou introduzirem no novo Batman.
Eu ainda não vi, por incrível que pareça. Mas olha, não sei não hein? Algo me diz que posso me arrepender. Só tem uma coisa que eu não entendi: Se tá o uniforme do Robin lá, por que caralhos ele não tem nenhuma menção com flashback? Sério, espero que pelo menos no Blu-ray apareça. Uma cena com Jared Leto e algum ator como o Jason Todd, seria muito massa.
Mas sabe o que seria ainda melhor? Introduzirem o Capuz Vermelho, Asa Noturna e Robin Vermelho (Tim Drake) nos cinemas. O que não é algo difícil, poderiam fazer um filme próprio (no caso do Asa Noturna), ou introduzirem no novo Batman.
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Re: DC Comics
Muito boa a crítica que saiu no UOL, especialmente essa parte :
http://robertosadovski.blogosfera.uol.c ... -despenca/
Superman foi criado em 1938. O mundo aos poucos se arrastava para fora da Grande Depressão, ao mesmo tempo em que mergulhava no abismo da Segunda Guerra Mundial. Foi neste cenário que dois garotos judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster, criaram o Homem de Aço, que debutou na primeira edição da revista Action Comics. Aos poucos ficou claro que o herói representava um ideal, um homem que podia se colocar acima de todos os outros por causa de suas habilidades, mas escolheu ser um símbolo de esperança, não de opressão.
Mesmo depois que a Marvel lançou seus personagens mais humanizados e menos idealizados nos anos 60, de Quarteto Fantástico ao Homem de Ferro, X-Men, Hulk e Homem-Aranha, a concorrência manteve o Superman não como espelho, e sim como fonte de inspiração. A Marvel estava em seu auge criativo no fim dos anos 70 quando Superman, O Filme chegou aos cinemas. O mundo era mais uma vez um lugar sombrio, com o fantasma da Guerra do Vietnã, a falência do “sonho americano” e uma Nova York, lar de boa parte dos super-heróis (e das duas editoras) cada vez mais violenta. Ainda assim, Christopher Reeve interpretou o Homem de Aço como um escoteiro, que defendia “verdade, justiça e o estilo de vida americano” sem nenhuma ironia, servindo de inspiração necessária em tempos caóticos.
Zack Snyder não quer este Superman habitando seu mundo. Até o lançamento de O Homem de Aço, a versão de Reeve, conduzida pelo diretor Richard Donner, foi o Norte para todas as interpretações do personagem, fosse nos quadrinhos, na TV, no cinema ou como animação. Um exemplo é a série em HQ Grandes Astros Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely. O herói se vê com um ano de vida, com suas células explodindo de sobrecarga de radiação solar. Em vez de abaixar a cabeça esperando pelo fim, são doze meses em que ele é ainda mais super, preparando um legado. Mesmo que Snyder tenha usado frases inteiras do gibi em O Homem de Aço, ele parece ter abandonado de vez as características que definem o herói.
Na interpretação de Henry Cavill, o Superman nunca parece ter prazer em ser este símbolo de esperança: é um fardo, alimentado por conselhos de seus pais adotivos, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) Kent, que basicamente repetem que talvez seja melhor ele virar as costas e deixar pessoas morrerem – afinal, “ele não deve nada a este mundo”. Snyder não entende o conceito do Superman, e mesmo depois de apontar um caminho mais iluminado após a devastação do final de O Homem de Aço, ele escolheu a rota oposta e fez um Superman ainda mais sombrio e desconfortável em seu papel no novo filme. Servir de inspiração definitivamente não é com ele.
Por outro lado, ainda bem que Ben Affleck entende qual é a do Batman, e é sua interpretação que salva o Cavaleiro das Trevas de uma total descaracterização. Assim como ele não “pega” o Superman, Snyder não entende o que faz o Batman funcionar. Embora sua inspiração seja a série Batman: O Cavaleiro das Trevas, em que Frank Miller redefiniu o herói em 1986 como uma força anárquica que faz o que é certo a qualquer custo, aparentemente sua leitura foi superficial. Em Batman vs Superman, o herói é um soldado com o dedo coçando para apertar o gatilho, a materialização dos grandes sonhos de um Bolsonaro da vida, para quem bandido bom é bandido morto – o que não poderia estar mais distante do que define o personagem.
Daí vem o problema principal. Em Liga da Justiça, além do Superman e do Batman, Snyder terá o controle dos primeiros passos de outros grandes ícones do universo DC: Mulher-Maravilha (melhor coisa em Batman vs Superman, talvez até por seu pouco tempo em cena), o Flash, Aquaman e Cyborg. Se ele mantiver a mesma visão que já perdura dois filmes, qualquer vontade de criar um filme de super-heróis divertido (não é esse o objetivo?) será obliterada pela ânsia de deixar tudo “sombrio e realista” – e arrastado, confuso, equivocado e chato. As pistas não animam. Snyder deixou claro, por exemplo, que seu Flash não será o mesmo da atual (e bem sucedida, e excelente) série de TV porque “sua visão não comporta um personagem com tanta leveza”. Como resultado, sai Grant Gustin, entra Ezra Miller.
Se a ideia sugerida em Batman vs Superman é introduzir mundos alienígenas e o vilão Darkseid em Liga da Justiça, não existe melhor exemplo moderno que a reinvenção do grupo no selo Os Novos 52, lançado há alguns anos pela DC. Nas mãos da dupla Geoff Johns (que é produtor executivo dos filmes da DC) e Jim Lee, o gibi da Liga ganhou escopo épico e um senso de aventura e perigo. Cada personagem é bem definido, sua interação ajuda a narrativa e os riscos não são menores porque a série se atreve a ser divertida. Super-heróis, em especial os da DC, são um símbolo de esperança, são arquétipos não de quem somos, mas de quem almejamos ser. É isso que faz deles tão especiais. É isso que Zack Snyder parece não compreender. E é por isso que ele tinha de pedir para sair.
Superman foi criado em 1938. O mundo aos poucos se arrastava para fora da Grande Depressão, ao mesmo tempo em que mergulhava no abismo da Segunda Guerra Mundial. Foi neste cenário que dois garotos judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster, criaram o Homem de Aço, que debutou na primeira edição da revista Action Comics. Aos poucos ficou claro que o herói representava um ideal, um homem que podia se colocar acima de todos os outros por causa de suas habilidades, mas escolheu ser um símbolo de esperança, não de opressão.
Mesmo depois que a Marvel lançou seus personagens mais humanizados e menos idealizados nos anos 60, de Quarteto Fantástico ao Homem de Ferro, X-Men, Hulk e Homem-Aranha, a concorrência manteve o Superman não como espelho, e sim como fonte de inspiração. A Marvel estava em seu auge criativo no fim dos anos 70 quando Superman, O Filme chegou aos cinemas. O mundo era mais uma vez um lugar sombrio, com o fantasma da Guerra do Vietnã, a falência do “sonho americano” e uma Nova York, lar de boa parte dos super-heróis (e das duas editoras) cada vez mais violenta. Ainda assim, Christopher Reeve interpretou o Homem de Aço como um escoteiro, que defendia “verdade, justiça e o estilo de vida americano” sem nenhuma ironia, servindo de inspiração necessária em tempos caóticos.
Zack Snyder não quer este Superman habitando seu mundo. Até o lançamento de O Homem de Aço, a versão de Reeve, conduzida pelo diretor Richard Donner, foi o Norte para todas as interpretações do personagem, fosse nos quadrinhos, na TV, no cinema ou como animação. Um exemplo é a série em HQ Grandes Astros Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely. O herói se vê com um ano de vida, com suas células explodindo de sobrecarga de radiação solar. Em vez de abaixar a cabeça esperando pelo fim, são doze meses em que ele é ainda mais super, preparando um legado. Mesmo que Snyder tenha usado frases inteiras do gibi em O Homem de Aço, ele parece ter abandonado de vez as características que definem o herói.
Na interpretação de Henry Cavill, o Superman nunca parece ter prazer em ser este símbolo de esperança: é um fardo, alimentado por conselhos de seus pais adotivos, Jonathan (Kevin Costner) e Martha (Diane Lane) Kent, que basicamente repetem que talvez seja melhor ele virar as costas e deixar pessoas morrerem – afinal, “ele não deve nada a este mundo”. Snyder não entende o conceito do Superman, e mesmo depois de apontar um caminho mais iluminado após a devastação do final de O Homem de Aço, ele escolheu a rota oposta e fez um Superman ainda mais sombrio e desconfortável em seu papel no novo filme. Servir de inspiração definitivamente não é com ele.
Por outro lado, ainda bem que Ben Affleck entende qual é a do Batman, e é sua interpretação que salva o Cavaleiro das Trevas de uma total descaracterização. Assim como ele não “pega” o Superman, Snyder não entende o que faz o Batman funcionar. Embora sua inspiração seja a série Batman: O Cavaleiro das Trevas, em que Frank Miller redefiniu o herói em 1986 como uma força anárquica que faz o que é certo a qualquer custo, aparentemente sua leitura foi superficial. Em Batman vs Superman, o herói é um soldado com o dedo coçando para apertar o gatilho, a materialização dos grandes sonhos de um Bolsonaro da vida, para quem bandido bom é bandido morto – o que não poderia estar mais distante do que define o personagem.
Daí vem o problema principal. Em Liga da Justiça, além do Superman e do Batman, Snyder terá o controle dos primeiros passos de outros grandes ícones do universo DC: Mulher-Maravilha (melhor coisa em Batman vs Superman, talvez até por seu pouco tempo em cena), o Flash, Aquaman e Cyborg. Se ele mantiver a mesma visão que já perdura dois filmes, qualquer vontade de criar um filme de super-heróis divertido (não é esse o objetivo?) será obliterada pela ânsia de deixar tudo “sombrio e realista” – e arrastado, confuso, equivocado e chato. As pistas não animam. Snyder deixou claro, por exemplo, que seu Flash não será o mesmo da atual (e bem sucedida, e excelente) série de TV porque “sua visão não comporta um personagem com tanta leveza”. Como resultado, sai Grant Gustin, entra Ezra Miller.
Se a ideia sugerida em Batman vs Superman é introduzir mundos alienígenas e o vilão Darkseid em Liga da Justiça, não existe melhor exemplo moderno que a reinvenção do grupo no selo Os Novos 52, lançado há alguns anos pela DC. Nas mãos da dupla Geoff Johns (que é produtor executivo dos filmes da DC) e Jim Lee, o gibi da Liga ganhou escopo épico e um senso de aventura e perigo. Cada personagem é bem definido, sua interação ajuda a narrativa e os riscos não são menores porque a série se atreve a ser divertida. Super-heróis, em especial os da DC, são um símbolo de esperança, são arquétipos não de quem somos, mas de quem almejamos ser. É isso que faz deles tão especiais. É isso que Zack Snyder parece não compreender. E é por isso que ele tinha de pedir para sair.



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Re: DC Comics

O Lex e o Brainiac pra mim sempre vão ser esses acima e os do Smallville.
Botar aquele garoto pra fazer o Lex foi dose !
Espero Liga da Justiça com Superman e Darkseid e com novo diretor.












