Questões trabalhistas

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Questões trabalhistas

Mensagem por Barbano » 20 Dez 2024, 11:09

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
PIB per capita alto pode coexistir com o consumo baixo (ex: Ilhas Cayman, Doha no Qatar, São Francisco do Conde na Bahia).

E o consumo alto pode coexistir com PIB per capita baixo (que é o exemplo de Salvador).

Ou seja, o que importa para abrir uma lojinha de bairro é a DEMANDA. É o consumo na prática.
Mas estava falando de PIB, não de consumo. Consumo tem relação com demanda e renda. É o óbvio.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
Tá de brincadeira? kkkkkkkk

A concessionária Porsche de Salvador foi inaugurada em 2022 para começar a explorar esse mercado.

A concessionária Porsche de Florianópolis foi inaugurada em 2016. Florianópolis fica a menos de 100 Km de Balneário Camboriú, que é considerada a Dubai brasileira justamente por carros de luxo transitando pela cidade, prédios luxuosos etc.
Cai no que eu disse, que BC por si não tem demanda para comportar uma concessionária da Porshe. A partir do momento que você agrega toda a região (Florianópolis, São José, Palhoça, Balneário, Navegantes, etc) é óbvio que a demana se torna maior.

Começou falando de BC, agora tá botando Floripa no meio pra tentar provar seu ponto :garg:
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
E imagino que você entenda que grande parte desses Porsches catarinenses está na Dubai brasileira, não é? Ou precisa se aprofundar ainda mais nos dados para acreditar que a demanda por Porsches em BC é maior que em SSA?
Falou, falou e não trouxe dado algum.

Oras, se a demanda de Porshes em BC é tão grande, por que abriram a concessionária em Floripa, e não lá?

Como mostrei com dados, a renda média em Florianópolis é maior que a de Balneário Camboriú. Bem maior. A concessionária é lá. Não seria um indício de que a demanda é maior lá do que em BC?

Dado que é bom mesmo você não trouxe...
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
A sua dificuldade até aqui é entender como funciona o aumento de DEMANDA. E como o aumento de custos pode coexistir com o aumento de demanda (pense na Inglaterra ou na China, se não conseguir enxergar isso no Brasil).
A sua dificuldade é entender que aumento de demanda depende de aumento de renda, e não aumento de tempo livre
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
Renda decente = poder de compra maior do que o atual, seja pelo "bico" de maior valor mantendo a segurança da CLT, seja pela faculdade ou curso técnico que a pessoa poderá fazer no tempo livre.

Consegue achar isso ruim? kkkkkkkkk. Ou acha que é fácil pra quem trabalha 6x1 fazer faculdade?
O que é mais difícil, pra quem trabalha 8h48 por dia em 5x2, ou pra quem trabalha 7h20 por dia em 6x1?

Essa 1h30 a mais pode fazer diferença para aguentar mais 4 horas de aulas a noite.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
19 Dez 2024, 23:15
Então vamos tentar o exercício contrário: você consegue imaginar algum cenário de AUMENTO DE DEMANDA na Lasanha da Dona Maria, mantendo a escala 6x1?
Mantendo a 6x1 a demanda se mantém. Alterando ela pode cair (com a redução de renda das pessoas e abrindo um dia por semana a menos).

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 27 Dez 2024, 00:54

Barbano escreveu:
20 Dez 2024, 11:09
Mas estava falando de PIB, não de consumo. Consumo tem relação com demanda e renda. É o óbvio.

Cai no que eu disse, que BC por si não tem demanda para comportar uma concessionária da Porshe. A partir do momento que você agrega toda a região (Florianópolis, São José, Palhoça, Balneário, Navegantes, etc) é óbvio que a demana se torna maior.

Começou falando de BC, agora tá botando Floripa no meio pra tentar provar seu ponto :garg:

Falou, falou e não trouxe dado algum.

Oras, se a demanda de Porshes em BC é tão grande, por que abriram a concessionária em Floripa, e não lá?

Como mostrei com dados, a renda média em Florianópolis é maior que a de Balneário Camboriú. Bem maior. A concessionária é lá. Não seria um indício de que a demanda é maior lá do que em BC?

Dado que é bom mesmo você não trouxe...
Diante desses argumentos circulares e inservíveis (talvez trolladores?), é melhor eliminar temas laterais que não se relacionam diretamente com escala 6x1.

Você argumentou que turismo "tem alto valor agregado quando a população é pequena e o PIB per capita é alto". Se você ainda não entendeu o erro nisso, por mim, não vale a pena continuar esse tema lateral.

Você também argumentou que "cidade com população maior tem mais consumo de luxo que cidade com população menor" baseado em uma estimativa matemática entre as populações de alta renda em Salvador (supostamente 1%) e em Balneário Camboriú (supostamente 10%). Se você realmente acredita, de coração, que o mercado de Porsche em SSA é maior que o de BC porque "a concessionária fica em Florianópolis" (duas lojas a 100 Km obviamente provocaria situação de canibalização, que é um conceito do consumo e da demanda...), então também não vale a pena continuar esse outro tema lateral.

Supondo que a discussão seja de boa-fé, seguem últimas observações sobre carros de luxo: no top 5 de Estados com maior frota de carros de luxo, como já postado, SC só perde para SP, ficando à frente de outros estados com população muito maior (MG, RS, PR) e outros com renda per capita maior (DF, RJ).
NOTÍCIAS
SC tem quase todos os carros mais cobiçados por milionários no Brasil; veja fotos por cidade
Balneário Camboriú lidera a quantidade de veículos de luxo emplacados
29/09/2024

Três municípios se destacam na quantidade de veículos milionários emplacados. O líder é Balneário Camboriú, com 20 unidades, seguido por Florianópolis com nove e Itajaí com cinco.

O único veículo na lista dos onze mais caros à venda no Brasil que ainda não está emplacado em Santa Catarina é o Aston Martin Valour, avaliado em R$ 16,5 milhões.
https://www.nsctotal.com.br/noticias/sc ... por-cidade
Até mesmo se formos procurar Porsches usados, BC lidera com folga no Estado:

BC: 140 carros encontrados
https://www.webmotors.com.br/carros/sc- ... iu/porsche
Salvador: 91 carros encontrados
https://www.webmotors.com.br/carros/ba-salvador/porsche
Floripa: 54 carros encontrados
https://www.webmotors.com.br/carros/sc- ... is/porsche
Joinville: 39 carros encontrados
https://www.webmotors.com.br/carros/sc- ... le/porsche
Blumenau: 32 carros encontrados
https://www.webmotors.com.br/carros-usa ... au/porsche

Ou seja, o consumo de carros de luxo em SC (e principalmente em Balneário Camboriú) é totalmente desproporcional. Não segue os índices que você insiste em trazer (renda per capita, PIB per capita, população etc). Se vai falar de consumo, é melhor se ater aos dados de consumo de fato.

Voltando ao 6x1:
Barbano escreveu:
20 Dez 2024, 11:09
A sua dificuldade é entender que aumento de demanda depende de aumento de renda, e não aumento de tempo livre.

O que é mais difícil, pra quem trabalha 8h48 por dia em 5x2, ou pra quem trabalha 7h20 por dia em 6x1?

Essa 1h30 a mais pode fazer diferença para aguentar mais 4 horas de aulas a noite.

Mantendo a 6x1 a demanda se mantém. Alterando ela pode cair (com a redução de renda das pessoas e abrindo um dia por semana a menos).
Ou seja, você não conseguiu imaginar um cenário de aumento de demanda. É "manter o que está aí, senão piora".

Você ignora mais uma vez (acho que já podemos dizer: ignora de propósito...) que o aumento de custos com mão-de-obra pode coexistir com o aumento de demanda, aumentando assim a oferta de emprego e também a renda. Inglaterra, China etc. Não consegue imaginar isso?

É óbvio, mas é bom lembrar: trocar a escala 6x1 por 5x2 seria reduzir de 44 horas para 40 horas, sem redução da renda nominal. E mesmo que permanecessem as 44 horas, seria um dia a menos de deslocamento até o trabalho (em São Paulo, pelo menos 1h30 para ir e 1h30 para voltar), menos um dia para acordar cedo, lavar o uniforme etc. Seriam dois dias livres para estudar e consumir.

Geralmente quem trabalha 6x1 não trabalha "7h20 por dia"; trabalha 8h de segunda a sexta, e 4h no sábado. Ou seja, esse argumento da aula à noite continua na mesma. É tudo tão óbvio e tão prático na vida do trabalhador, que fico na dúvida da sinceridade desses argumentos de que 6x1 seria bom para quem trabalha... Seria desconhecimento?

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Mensagem por Barbano » 27 Dez 2024, 19:09

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
27 Dez 2024, 00:54
Ou seja, você não conseguiu imaginar um cenário de aumento de demanda. É "manter o que está aí, senão piora".

Você ignora mais uma vez (acho que já podemos dizer: ignora de propósito...) que o aumento de custos com mão-de-obra pode coexistir com o aumento de demanda, aumentando assim a oferta de emprego e também a renda. Inglaterra, China etc. Não consegue imaginar isso?
Uai, pode coexistir, assim como pode coexistir com queda de demanda. A questão é se existe alguma correlação entre as duas coisas. Para existir correlação,você tem que partir do suposto que o que restringe o consumo é o tempo, e não a renda. O que não faz sentido para a realidade brasileira, com poupança baixa, endividamento e inadimplência altos.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
27 Dez 2024, 00:54
É óbvio, mas é bom lembrar: trocar a escala 6x1 por 5x2 seria reduzir de 44 horas para 40 horas, sem redução da renda nominal.
Sem redução da renda nominal, com provável redução da renda real. Afinal, não existe almoço grátis. Se o custo com mão-de-obra por hora aumenta, isso de alguma forma é repassado.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
27 Dez 2024, 00:54
Geralmente quem trabalha 6x1 não trabalha "7h20 por dia"; trabalha 8h de segunda a sexta, e 4h no sábado. Ou seja, esse argumento da aula à noite continua na mesma. É tudo tão óbvio e tão prático na vida do trabalhador, que fico na dúvida da sinceridade desses argumentos de que 6x1 seria bom para quem trabalha... Seria desconhecimento?
Hoje o padrão para quem trabalha em 5x2 é trabalhar 8h48 por dia, que é uma jornada diária mais longa do que a de quem trabalha em 6x1. Então hoje é sim mais difícil conciliar trabalho com estudo para quem trabalha em 5x2 do que para quem trabalha em 6x1.

Essa jornada de 8 horas de seg-sex e 4 horas aos sábados é mais comum no comércio de rua. Mas não é a regra. Em supermercados, shoppings, lanchonetes, etc é comum o 6x1 com 7h20 por dia. Um exemplo é essa cookieria aqui de São Carlos, com vagas e jornadas diversas:

https://www.instagram.com/stories/highl ... 258959291/

Nas vagas de 44 horas tem 6x1 com 7h20, 5x2 com 8h50, e jornadas parciais, com remuneração menor que o salário mínimo (4x3 com 2 dias trabalhando 8h50 e 2 dias trabalhando 4h00; 2x5 com jornada de 8h48).

João Neto (Eng. Camin)
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Mensagem por João Neto (Eng. Camin) » 28 Dez 2024, 13:28

Barbano escreveu:
27 Dez 2024, 19:09
Uai, pode coexistir, assim como pode coexistir com queda de demanda. A questão é se existe alguma correlação entre as duas coisas. Para existir correlação,você tem que partir do suposto que o que restringe o consumo é o tempo, e não a renda. O que não faz sentido para a realidade brasileira, com poupança baixa, endividamento e inadimplência altos.

Sem redução da renda nominal, com provável redução da renda real. Afinal, não existe almoço grátis. Se o custo com mão-de-obra por hora aumenta, isso de alguma forma é repassado.
Existem várias correlações entre as duas coisas (redução da carga horária na CLT e aumento da demanda por consumo). O aumento do tempo livre é somente uma das correlações, e bem óbvia, no caso do consumo que exige a presença física do cliente (serviços de bairro como manicure, tatuador, barbeiro etc... lembrei de um ótimo exemplo soteropolitano que o paulistano talvez desconheça: trançadeira afro, que leva 4 horas para terminar... o empregado(a) 6x1 tem grana, mas não arranja tempo para fazer as tranças).

....Do jeito que você fala sobre renda e dívidas das famílias, até parece que o consumo é muito baixo no Brasil. Já demonstramos diversas vezes que o setor de serviços é o que mais emprega e é disparado a maior parte do PIB (60% ou mais). Esses serviços são prestados para chineses, americanos, guatemaltecos, ou para... brasileiros? Parece até que não existem serviços de bairro hoje, devido à "poupança baixa, endividamento e inadimplência... Mas a realidade é que:
NOTÍCIAS
Consumo das famílias cresce 1,3% no 2º tri, aponta IBGE
03/09/2024
O consumo das famílias registrou alta de 1,3% no segundo trimestre de 2024 ante o primeiro trimestre, informou nesta terça-feira (3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre de 2023, o consumo das famílias apresentou avanço de 4,9%.
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/m ... onta-ibge/
Outra correlação é o aumento do mercado consumidor. O empregado CLT poderá consumir mais dentro do próprio país, comprando de outro brasileiro que também poderá comprar de outro brasileiro, e assim por diante. Comprar tênis na loja do bairro em vez de comprar na Shopee (existem ainda muitas lojas de sapato, apesar de você não frequentar). Comprar uma bicicleta para pedalar no tempo livre, como os empresários dos EUA perceberam no início do Século XX (talvez você não pedale... os trabalhadores 6x1 também não). Tudo isso já foi dito aqui, com os devidos links.

Ou seja, se você trabalha com comércio ou com serviços, vai aumentar a clientela e vai ter mais renda! E tendo mais renda, também poderá consumir mais. Como um islandês comprando do outro. Isso é um aumento do mercado consumidor. Obviamente, não estamos falando de quem trabalha com agro ou indústria.

Com o aumento do mercado consumidor (aumento da demanda), é esperado, sim, que ocorra aumento de preços por aumento de demanda. Se muitas pessoas querem comprar o mesmo produto, e num primeiro momento não há oferta de produtos para todo mundo (gerando filas no salão de beleza...), é óbvio que o preço vai subir.

E claro, o preço também pode subir pelo motivo que é sua obsessão aqui: repassar custos de mão-de-obra ao consumidor. Primeiro, isso só faz sentido em setores que empregam por CLT. O seu tênis chinês produzido em Bangladesh, comprado no site da Shopee, trazido por caminhoneiro que roda 12h tomando arrebite e que ganha por frete (não por CLT), obviamente não terá aumento do custo de mão-de-obra, concorda? E os serviços de bairro, informais e sem CLT, também não terão.

Nos casos dos serviços que realmente contratam por CLT (supermercados, hotéis, farmácias e shoppings), que têm lucros bilionários, existe a opção de não contratar mais ninguém. Adequar horários a uma baixa demanda (cenário imaginado por você), ou contratar mais gente devido à alta demanda (cenário imaginado por mim).

Devido à concorrência de mercado, existe um limite para aumento de preços. Se um concorrente resolver não repassar o novo custo ao consumidor (até porque os lucros já são bilionários, e a mão-de-obra não é o maior custo da empresa, que geralmente é o estoque), terá vantagem na disputa pelo consumidor.

Aumento de custos e de preços (caminho defendido aqui por mim) é o caminho da formação do mercado consumidor na Inglaterra, na Suécia, na República Tcheca etc. Sabe quanto é uma garrafa de água na Europa? Também é o caminho da China, do Japão, da Coréia do Sul etc. E claro, dentro do Brasil, também é o caminho das metrópoles, especialmente São Paulo capital.

Redução de custos e de preços (caminho defendido aqui por você) é adotado por qual país? Tem algum exemplo bom?

O problema da escravidão seria somente moral? Ou você consegue enxergar o problema da mão-de-obra barata que não consome? Se voltarmos com a escravidão, teremos esse "paraíso de preços baixos"... Mas quem vai comprar?

E outra correlação positiva entre a melhoria das condições de trabalho e o aumento da demanda por consumo é o retorno do prestígio do trabalho como fonte de renda. Se o trabalho volta a ser visto como algo que vale a pena, tende a reduzir os gastos em bets e Tigrinho, ameaças ao consumo que fazem sucesso justamente por representarem sonhos de dinheiro fácil - já que o trabalho tem se apresentado como um caminho ruim, especialmente pelo 6x1.
Barbano escreveu:
27 Dez 2024, 19:09
Hoje o padrão para quem trabalha em 5x2 é trabalhar 8h48 por dia, que é uma jornada diária mais longa do que a de quem trabalha em 6x1. Então hoje é sim mais difícil conciliar trabalho com estudo para quem trabalha em 5x2 do que para quem trabalha em 6x1.

Essa jornada de 8 horas de seg-sex e 4 horas aos sábados é mais comum no comércio de rua. Mas não é a regra. Em supermercados, shoppings, lanchonetes, etc é comum o 6x1 com 7h20 por dia. Um exemplo é essa cookieria aqui de São Carlos, com vagas e jornadas diversas:

https://www.instagram.com/stories/highl ... 258959291/

Nas vagas de 44 horas tem 6x1 com 7h20, 5x2 com 8h50, e jornadas parciais, com remuneração menor que o salário mínimo (4x3 com 2 dias trabalhando 8h50 e 2 dias trabalhando 4h00; 2x5 com jornada de 8h48).
Peraí... Em que setor funciona esse padrão de 5x2 por 8h50? Tem algum exemplo?

Primeiramente, a CLT coloca como jornada máxima de trabalho 8 horas por dia (com possibilidade de 2 horas extras), salvo se houver acordo coletivo. Por exemplo, na jornada dos vigilantes e porteiros, trabalha-se 12hx36h por acordo coletivo. Ou seja, apesar de trabalhar 12 horas seguidas, é uma escala melhor que o 6x1, pois tem folga dia sim, dia não.

Se tem empresa botando empregado CLT pra trabalhar 8h50 todo dia, sem pagar hora extra, é caso para processar. Salvo se houver acordo coletivo para isso.

Imagino até que você esteja falando de vagas de informalidade, fora da CLT, que obviamente não entram na discussão do fim do 6x1.

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Mensagem por Barbano » 06 Jan 2025, 15:52

João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
Peraí... Em que setor funciona esse padrão de 5x2 por 8h50? Tem algum exemplo?

Primeiramente, a CLT coloca como jornada máxima de trabalho 8 horas por dia (com possibilidade de 2 horas extras), salvo se houver acordo coletivo. Por exemplo, na jornada dos vigilantes e porteiros, trabalha-se 12hx36h por acordo coletivo. Ou seja, apesar de trabalhar 12 horas seguidas, é uma escala melhor que o 6x1, pois tem folga dia sim, dia não.

Se tem empresa botando empregado CLT pra trabalhar 8h50 todo dia, sem pagar hora extra, é caso para processar. Salvo se houver acordo coletivo para isso.

Imagino até que você esteja falando de vagas de informalidade, fora da CLT, que obviamente não entram na discussão do fim do 6x1.
Você não se deu nem ao trabalho de clicar no link que citou, aí é foda. <_<

A grosso modo toda empresa que adota jornada 5x2 trabalha com 8h48 de jornada diária. Por exemplo, o setor de serviços da concessionária Fiat da minha cidade abre de segunda a sexta das 07h30 às 12h00 e das 13h30 às 17h48, dando exatamente as 44 horas semanais.

Sim, a CLT coloca essa jornada de até 8 horas, mas onde a jornada é 5x2 as empresas adotam a jornada de 8h48, mediante acordo coletivo. Desde a reforma trabalhista não é mais necessário nem o acordo coletivo, basta o acordo individual.

https://www.pontotel.com.br/jornada-de-trabalho/
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
....Do jeito que você fala sobre renda e dívidas das famílias, até parece que o consumo é muito baixo no Brasil.
É exatamente o oposto. Endividamento alto e poupança baixa mostram que no Brasil o consumo é alto (para os padrões de renda) e que não há represamento de consumo por tempo. Se as pessoas não consumissem por falta de tempo, aconteceria o oposto (poupança alta e envidamento baixo). E é por isso que redução de jornada não tende a fazer as pessoas com jornada reduzida aumentarem o consumo. Talvez até reduzam, se houver queda no rendimento real.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
Outra correlação é o aumento do mercado consumidor. O empregado CLT poderá consumir mais dentro do próprio país, comprando de outro brasileiro que também poderá comprar de outro brasileiro, e assim por diante. Comprar tênis na loja do bairro em vez de comprar na Shopee (existem ainda muitas lojas de sapato, apesar de você não frequentar). Comprar uma bicicleta para pedalar no tempo livre, como os empresários dos EUA perceberam no início do Século XX (talvez você não pedale... os trabalhadores 6x1 também não). Tudo isso já foi dito aqui, com os devidos links.
Pra que o brasileiro, já com a corda no pescoço, vai deixar de comprar um tênis na Netshoes por 200 reais para comprar na lojinha do Seu Alfredo por 300?

Isso é caminho sem volta. Quem embarca no e-commerce não migra de volta pro modelo antigo, mais caro.

O dinheiro de quem hoje trabalha em 6x1 não evapora pela falta de tempo. Se ele não gasta com uma bicicleta, tá gastando com outras coisas. Pode ser pedindo uma pizza pelo iFood, por exemplo. Ou comprando um colchão novo para repousar melhor. Perde a bicicletaria, ganha a pizzaria do bairro e o motoboy, e a loja de colchões. E a economia segue girando, só de outra forma.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
Nos casos dos serviços que realmente contratam por CLT (supermercados, hotéis, farmácias e shoppings), que têm lucros bilionários, existe a opção de não contratar mais ninguém. Adequar horários a uma baixa demanda (cenário imaginado por você), ou contratar mais gente devido à alta demanda (cenário imaginado por mim).

Devido à concorrência de mercado, existe um limite para aumento de preços. Se um concorrente resolver não repassar o novo custo ao consumidor (até porque os lucros já são bilionários, e a mão-de-obra não é o maior custo da empresa, que geralmente é o estoque), terá vantagem na disputa pelo consumidor.
Esse papo de lucros bilionários é bem furado. Em setores que existe concorrência de mercado a margem costuma ser apertada, justamente por isso. Não é a toa que volta e meia tem redes fechando lojas, pedindo recuperação judicial ou até mesmo quebrando. O repasse é inevitável.
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
O problema da escravidão seria somente moral? Ou você consegue enxergar o problema da mão-de-obra barata que não consome? Se voltarmos com a escravidão, teremos esse "paraíso de preços baixos"... Mas quem vai comprar?
Sim, é um problema basicamente moral/humanitário. Por que você acha que havia tanta resistência à abolição se seria interessante para as elites?
João Neto (Eng. Camin) escreveu:
28 Dez 2024, 13:28
E outra correlação positiva entre a melhoria das condições de trabalho e o aumento da demanda por consumo é o retorno do prestígio do trabalho como fonte de renda. Se o trabalho volta a ser visto como algo que vale a pena, tende a reduzir os gastos em bets e Tigrinho, ameaças ao consumo que fazem sucesso justamente por representarem sonhos de dinheiro fácil - já que o trabalho tem se apresentado como um caminho ruim, especialmente pelo 6x1.
Isso sim seria excelente.

Passa pelo governo revisar políticas que tem tornado desfavorável o trabalho como fonte de renda. Acabar com o Bolsa Família turbinado, por exemplo, e adotar a renda básica do Suplicy. Para todos. Aí quem não trabalha ganha x, quem trabalha ganha salário+x.

Hoje em dia o sistema já favorece quem faz bicos informais e se escora no Estado. Não tem como isso prestar.

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Mensagem por CHarritO » 23 Mar 2025, 12:21

:wacko:
Meus títulos e conquistas no FCH:
Moderador Global do FCH (2012 à 2014 / 2016 à 2020)
Moderador do Meu Negócio é Futebol (2010 à 2012 / 2015 à 2016)
Eleito o 1º vencedor do Usuário do Mês - Março 2010
Campeão do Bolão da Copa do FCH (2010)
Campeão do 13º Concurso de Piadas (2011)
Bicampeão do Bolão do FCH - Brasileirão (2011 e 2012)
Campeão do Bolão do FCH - Liga dos Campeões (2011/2012)
Campeão de A Casa dos Chavesmaníacos 10 (2012)
Campeão do Foot Beting (2014)
Hexacampeão da Chapoliga (2014, 2015, 2016, 2017, 2019 e 2020)
Campeão de O Sobrevivente - Liga dos Campeões (2016/2017)
Campeão de O Sobrevivente - Copa América (2019)
Campeão do Bolão da Copa América (2019)

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