25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Biografia de um dos principais responsáveis pelo sucesso de CH no Brasil

Discuta aqui tudo relacionado aos trabalhos de Chespirito, como Chaves, Chapolin, Chaves em Desenho e Programa Chespirito. Discuta aqui também o trabalho de outros atores, como as séries do Kiko.
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por RHCSSCHR » 03 Ago 2020, 23:56

Muito se fala da dublagem clássica de Chaves e Chapolin, e de como ela realmente é maravilhosa, e como ela faz as séries de Roberto Gómez Bolaños até parecerem, para alguns, mais engraçadas do que são no áudio original. Porém, poucos conhecem a respeito de um dos principais responsáveis para que isso acontecesse: Marcelo Gastaldi!

Como alguém que admira seus trabalhos, principalmente nas séries CH, e também como alguém que é apreciador da dublagem brasileira, inclusive das dublagens CH, decidi fazer um tópico sobre a carreira dele.

Antes de tudo, permitam-me esclarecer o título do tópico:
Como perceberam a expressão "a voz" está toda em letras maiúsculas. Sim, eu sei que houveram outros dubladores para Chespirito. E de forma alguma estou rabaixando o trabalho dos dubladores posteriores, inclusive o atual, Daniel Müller, que fez um trabalho magistral, em especial nos episódios dublados na Som de Vera Cruz. O que eu quero dizer com o título é que Gastaldi simplesmente criou a IDENTIDADE de Chespirito aqui no Brasil, especialmente no Chaves e no Chapolin. Foi a voz que os dubladores posteriores usaram como base para realizar a dublagem de Chaves.

Muitos consideram Marcelo Gastaldi um gênio, até comparando-o ao próprio Roberto Gómez Bolaños. E de certa forma, isso até é verdade. Assim como Chespirito tomou a dianteira no trabalho, inclusive na escolha do elenco, Gastaldi, além de ser o dono da empresa que dublou Chaves e Chapolin, tomou a dianteira na dublagem, inclusive escalando o elenco de vozes.

Esse texto aqui é uma pequena biografia da carreira deste dublador, que além de se eternizar na voz brasileira de Chespirito, também foi um dos principais contribuintes para o sucesso dos seriados CH aqui no Brasil.

Há uns 5 anos atrás, eu cheguei a descrever em um tópico por aí um pouco dos trabalhos do Gastaldi. Depois de mais algumas pesquisas e descobertas, decidi montar este tópico aqui, e compartilhar com vocês, para que descobrissem mais a respeito dele, já que vários sites e vídeos na internet costumam ser meio "murchos" ao falar sobre ele.

Sim, Chespirito tem os seus méritos, é óbvio. Conseguiu produzir um humor que se tornou um sucesso em toda a América Latina. Mas Marcelo Gastaldi, em especial, teve a genialidade de transformar o humor de Chespirito de uma forma que os brasileiros pudessem também se divertir, assim como todos os nossos vizinhos latino-americanos.

Curioso que muita gente acha que o "MaGa" apenas dublou o Chaves, o Chapolin, o Charlie Brown, o Super Heroi Americano, o loirinho do Tuff Turf e ............. só. (E ele ainda já foi chamado erroneamente de Marcelo GASPALDO e como MAGALDI kkkk). Inclusive é o que muitos vídeos e matérias na internet erroneamente dão a entender. Por causa disso, muitos só conhecem a voz dele apenas por causa dos tons de vozes que ele usou em Chaves e Chapolin, sem saber que Gastaldi fez muito mais do que só Chaves.

No entanto, como verão em mais este "super textão" :] , seu trabalho como dublador não se resume apenas ao tom meio grave que usou para o Chapolin, e o tom meio infantil que ele usou pro Chaves. Pelo contrário, Gastaldi simplesmente foi um dos dubladores mais versáteis que o Brasil já teve. Sim, pessoal, não é só Guilherme Briggs, Alexandre Moreno ou Wendel Bezerra que são versáteis dubladores, não (aliás, Gastaldi tinha uma facilidade de modular a voz pra dublar os mais diversos tipos de personagens. Inclusive tenho certeza que muitos que lerem este texto ficarão bastante surpresos ao descobrirem outros personagens que o Marcelo dublou (alguns até bem conhecidos), mas que nunca perceberam que era ele o dublador! E Gastaldi não foi apenas dublador, quê que é isso! Ele também esteve por trás de outras coisas marcantes como... ahh, vocês descobrirão no texto :P ! O texto vai abordar principalmente a carreira de Marcelo como ator em dublagem! Porém, suas outras funções em que exerceu em sua vida também serão abordadas brevemente. Outras pessoas e detalhes históricos também serão mencionados (até onde for possível, de maneira cronológica) com o objetivo de compreendermos certos detalhes. Procurei organizar as informações da melhor maneira possível. Várias fontes de referência foram usadas, e alguns links de algumas dessas matérias também foram acrescentadas no texto.

Então, embarquem nesta pequena viagem ao passado, e vamos descobrir um pouco mais a respeito deste ser, que se foi muito cedo, e deixa saudades não só entre aqueles que admiram a dublagem brasileira, mas também entre aqueles que admiram o belo trabalho executado pela MaGa nas séries CH. Eis aí a história de MarCHelo GaCHtaldi CHúnior, digo, digo, de Marcelo Gastaldi Júnior!

QUEM ERA O "MAGA"?

Marcelo Gastaldi Júnior nasceu no dia 20 de outubro de 1944. Alguns sites creditam seu ano de nascimento como sendo 1945, mas a data mais aceita, e que pelo visto é a correta, é 20/10/1944. Ele foi ator, cantor, compositor, dublador, diretor de dublagem

E diferente do que alguns sites dizem, Gastaldi começou sua carreira artística em 1956. Quais as provas? Primeira: Em uma palestra em um curso de dublagem com o Gastaldi, de 1988, é exibida uma entrevista com ele (que inclusive está disponível no YouTube), e, durante a exibição da entrevista, Salathiel Lage, diretor do núcleo de dublagem, pelo visto referindo-se à entrevista, fala que é de "agosto do ano passado", ou seja, agosto de 1987 (e pra confirmar isso, a entrevistadora ainda pergunta sobre as "perspectivas de 1988"). E nessa mesma entrevista, é mencionado que Gastaldi tinha 31 anos de carreira!
Segunda prova: em uma matéria do Jornal do Brasil de 7 de fevereiro de 1990, sobre o LP do Chaves, comenta-se que Gastaldi tinha 34 anos de carreira! Confirmando assim que ele começou sua carreira em 1956, ainda criança!
Obs: Ainda neste texto, tanto a palestra de Gastaldi quanto a matéria da Veja serão abordadas novamente!

Parece que Marcelo Gastaldi chegou a cursar Direito, mas decidiu de fato seguir carreira artística.



MARCELO GASTALDI NA TELEDRAMATURGIA, NO TEATRO E NO CINEMA

De acordo com informações catalogadas pelo site Casa da Dublagem, ele ingressou nas Organizações Victor Costa, e começou atuando na TV Paulista, aonde atuou e diversos teleteatros e novelas. Em 1965, atuou na novela "Turbilhão" na Record.

Em 1969 e em 1970, atuou em diversas peças, ao lado de diversos dubladores, e chegou também a dirigir peças, como "Pluft, o Fantasminha", de 1970, e "CVV, Boa Noite", de 1985.

Na década de 70, atuou na TV Cultura em cursos do "Madureza Ginasial", em aulas de matemática. Abaixo alguns trechos desse programa com atuação de Marcelo Gastaldi:




Em 1974, teve sua única atuação no cinema, no filme "Regina e o Dragão de Ouro", ao lado dos também dubladores Carlos Seidl, Cecilia Lemes (que interpretou Regina no filme), Renato Restier, Raymundo Duprat, entre outros -

Em 1976-1977, participa na novela "Tchan - a Grande Sacada" na TV Tupi, e em um programa humorístico chamado "Domingo e Dia de Graça", tembém da TV Tupi, de 1977, ao lado dos também dubladores José Santa Cruz, Roberto Barreiros e Renato Master.
Aqui uma cena da novela Tchan, com participação de Gastaldi (Gastaldi no estilo John Lennon kkkkk):


Em 1978, participa na minissérie "Minha Vida é uma Novela", na TV Gazeta.

No final da década de 70, começa a trabalhar na TVS, não apenas em dublagem, mas também em novelas da emissora. Por exemplo, em 1983, ele atuou na novela "Sombras do Passado", ao lado dos também dubladores Cecília Lemes e Mário Vilela. E também foi um dos diretores da novela brasileira "Pecado de Amor", de 1983, também da TVS.



MARCELO GASTALDI E A MÚSICA

Marcelo, além de ator, também era cantor e compositor! Na década de 60, ele foi parte de um quarteto, na época da Jovem Guarda, chamado Os Iguais, que durou entre 1966-1968. Seus integrantes, além do próprio Gastaldi, foram: Antônio Marcos, Apollo Mori e Mário Lúcio de Freitas.

Essa banda ficou conhecida por adaptar músicas estrangeiras para uma versão brasileira. Eles adaptaram, por exemplo, algumas músicas dos Beatles, como a canção "I'll Follow the Sun", para "Quero Te Dar Meu Coração" -

Mas o maior sucesso da banda foi, sem dúvida, a canção "A Partida", chegando ao terceiro lugar em São Paulo. A música foi composta por Mário Lúcio de Freitas e Marcelo Gastaldi -

Eles chegaram a se apresentar em diversos programas da TV Excelsior, e chegaram a criar seu próprio programa, chamado de "A Partida", que durou alguns meses. Antônio Marcos decidiu deixar a banda, e seguir carreira solo, tornando-se um cantor bem conhecido. Porém, mesmo na época em que Antônio Marcos havia saído, a banda gravou mais algumas coisas, até 1968. Depois, a banda acabou se desfazendo. Apollo Mori deixou a carreira artística; Mário Lúcio de Freitas (também conhecido como Fominha) ainda vamos falar bastante dele; e Marcelo Gastaldi, bom, não preciso nem falar, né!!

Aqui algumas canções da banda Os Iguais:



Com certeza, a experiência de Marcelo Gastaldi com a música sem dúvida lhe serviu muito, em especial no ramo da dublagem, já que poucos dubladores cantam, ainda mais naquela época. E foi de grande ajuda em especial a partir de 1983, pois foi nesse ano que começou... bem, nesse texto a gente ainda vai falar disso, aguardemmme!!!! Ainda vamos falar bastante do Marcelo Gastaldi como músico.



A CARREIRA DE MARCELO GASTALDI NA DUBLAGEM

Em um depoimento para Marco Antônio dos Santos (pesquisador de dublagens antigas desde 1988, principalmente as da antiga AIC, e mantenedor do blog Universo AIC) feita no dia 15 de outubro de 1990, Gastaldi contou um pouco sobre o início de sua carreira como ator em dublagem.

Nessa entrevista, Marcelo conta que quando criança ele "gostava de ouvir as radionovelas, as vozes que não sabíamos os rostos" e que, quando tinha "uns 15 anos" (pelo visto em 1960, ou talvez até mesmo em 1961), ele "já procurava algo em estúdios de rádio". "Nessa época" ele acabou conhecendo Ribeiro Filho (que também trabalhou com dublagem), que viu seu "entusiasmo" e o acabou levando até o estúdio de dublagem GravaSon (o primeiro estúdio de dublagem de São Paulo) "para fazer um teste". De acordo com Gastaldi, o pessoal gostou e ele acabou ganhando seu primeiro personagem na dublagem: o jovem Bud Anderson na série "Papai Sabe Tudo" (interpretado por Billy Gray). Lembrando que Gastaldi foi o segundo dublador do personagem, já que a série já era dublada desde 1959, e Nelson Batista (que também se tornou um grande dublador) tinha sido o primeiro dublador. Em 1962, quando a GravaSon mudou de nome e passou a se chamar AIC, a série continuou sendo dublada, e Marcelo continuou dublando o Bud.

Na AIC, Marcelo Gastaldi teve uma longa carreira como dublador, e conciliava essa nova função com a sua carreira na televisão e na música. Na entrevista citada, ele conta que de início só dublava os "adolescentes, os que falavam pouco". Mas ele continuou persisitindo, e com o tempo foi fazendo "os convidados". Dublou diversos convidados em diversas séries dubladas na AIC, como em Jornada nas Estrelas (1ª dublagem), Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes, Viagem ao Fundo do Mar, Daniel Boone, A Feiticeira, etc.

Na AIC, ele acabou ganhando alguns personagens fixos, principalmente em meados da década de 60. Ele chegou a dublar em apenas um episódio o Alferes Chekov, interpretado por Walter Koenig, na primeira dublagem de "Jornada nas Estrelas" (no episódio "Catspaw", da segunda temporada).

Dublou o personagem Jeremy Bolt (interpretado por Bobby Sherman) na série "E As Noivas Chegaram"; Carlos Ramírez (interpretado por Alejandro Rey) na série "A Noviça Voadora"; a segunda voz de Mike (interpretado por Michael Nesmith) na série "Os Monkees"; e Billy Blue Cannon (interpretado por Mark Slade) na primeira dublagem da série Chaparral.

Sobre estes 4 fixos acima que ele dublou, Gastaldi disse o seguinte a Marco Antônio dos Santos: "O Carlos [A Noviça Voadora] foi gratificante trabalhar ao lado da Aliomar de Matos (aprendi muito com ela) [dubladora da protagonista de A Noviça Voadora], parecia que tínhamos conseguido uma certa magia entre nós, o que se repetiu no desenho Bam-Bam e Pedrita. Já Os Monkees foi interessante para a época. Na minha opinião, o Carlos e o Bam-Bam adolescente foram os mais marcantes. Quanto ao Jeremias [E As Noivas Chegaram], ele era muito apagadinho...O Blue de Chaparral, creio que foi a grande oportunidade de dublar um personagem problemático."

Vale ressaltar que no geral Marcelo Gastaldi era sempre escalado para comédias; já em Chaparral, Gastaldi pôde dublar um personagem dramático.
Curiosidade: Gastaldi dublou o ator Mark Slade em uma participação na série Viagem ao Fundo do Amor.

No final da década de 60, ele passou a dublar, na AIC, o ator e comediante Lou Costello, da dupla Abbott & Costello. Até o momento, foram identificados 16 produções em que ele dublou este ator.

Ainda na AIC, ele acabou acumulando mais uma função na sua carreira artística: o de diretor de dublagem. Na AIC, no final da década de 60, dirigiu a dublagem da série A Noviça Voadora, aonde também dublou o ator Alejandro Rey, como já mencionado acima. É provável que ele tenha dirigido mais trabalhos. Algo curioso é que, na sua entrevista feita em agosto de 1987, Marcelo confessou que não gostava muito de dirigir dublagens, por conta do trabalho cansativo envolvido. Porém, a direção na AIC com certeza o preparou para o que viria.

E como bem destacado acima, Gastaldi dublou o personagem Bam-Bam adolescente em algumas produções dos Flintstones, e já chegou a ser um dos dubladores do Barney, dos Flintstones, além de diversas outras animações.

Por volta do início da década de 70, num estúdio de dublagem chamado Odil Fono Brasil (que fechou em 1985) ele dublou outro comediante em sua carreira: o excelente ator Jerry Lewis. Tudo indica que Gastaldi foi o primeiro dublador do Jerry Lewis no Brasil. Na Odil, Gastaldi o dublou em pelo menos 6 filmes, até onde se sabe (conforme relatado por pessoas que assistiran na época em que tais dublagens foram exibidas na televisão): O Biruta e o Folgado, Os Malucos do Ar, O Rei do Laço, Delinquente Delicado, O Professor Aloprado - 1963 e Boeing Boeing (há quem diga que O Professor Aloprado na verdade foi dublado na AIC, mas por enquanto nada confirmado). Comenta-se que Marcelo Gastaldi "amava" dublar o Jerry Lewis, e considerou uma honra o ter dublado.

Só que infelizmente há uma parte triste nessa história: a distribuidora no Brasil destes filmes (que eram da Paramount) era a Brás Continental. Ela foi também a distribuidora de séries como Jornada nas Estrelas, Missão Impossível (1966), Bonanza, as 4 primeiras temporadas de Agente 86, entre outras produções. E o que aconteceu foi o seguinte: a Brás Continental acabou falindo na década de 80, e segundo algumas fontes (inclusive dubladores) confirmaram, antes de falir, a Bráscontinental (que tinha como dono Michael Stoll, que também foi o fundador da empresa de dublagem Álamo) simplesmente destruiu as dublagens feitas na Odil e até algumas feitas na Álamo (a Álamo foi fundada em 1972). Sim, você não leu errado: as dublagems foram DESTRUÍDAS! Antes disso, já havia a péssima qualidade de conservação, tanto que alguns episódios da primeira dublagem de Jornada nas Estrelas, em sua última exibição no início da década de 80, não foram exibidos porque o áudio da dublagem estava inaudível. E parece que havia um funcionário na Álamo cujo trabalho era justamente destruir dublagens! Ou seja, se você acha que só a Televisa não cuidou, e não cuida bem, de seus produtos, já tá aí mais uma empresa pra lista!

Por que isso? Não podemos afirmar com certeza os motivos. Uma teoria é que Michael Stoll mandava destruir dublagens pra que assim pudessem redublar na Álamo, e isso renderia mais grana. Mas não podemos afirmar se era isso mesmo. O que nós sabemos é que houve destruição de dublagens, e por causa disso várias produções, como Jornada nas Estrelas, Agente 86 e outras acabaram sendo redubladas, inclusive............. o que mais???......
Isso mesmo que você deve estar pensando, e é aonde eu quero chegar: os filmes do Jerry Lewis dublados pelo Gastaldi na Odil também foram redublados!! Pois é. E não foram só esses não. Ainda na década de 70, alguns outros filmes do Jerry Lewis chegaram a ser dublados na Álamo, sendo que em alguns destes, Nelson Batista (já falamos dele aqui) e Nelson Machado (dublador do Quico) dublaram Lewis. Machado o dublou em 3 produções na época: A Barbada do Biruta, a Farra dos Malandros e a Família Fuleira. Estes filmes também foram redublados em meados da década de 80.
Aqui um vídeo com Nelson Machado falando sobre tais produções:

(E aproveitando o gancho, uma chamada de A Família Fuleira com sua 1a dublagem, pela Globo, em 1982, com Thelma Lúcia dublando a menina):


Todos estes filmes do Jerry Lewis (dublados por Marcelo Gastaldi, Nelson Machado e Nelson Batista) foram redublados em meados da década de 80, todos eles com o Nelson Batista (portanto, Batista tornou-se a voz oficial e mais conhecida do ator no Brasil). As redublagens foram realizadas em meados da década de 80, mandadas para a Herbert Richers por escolha da nova distribuidora brasileira. Comenta-se inclusive que a Globo teria exigido o Nelson Batista, já que ele já o tinha dublado antes.

Ou seja, não é só em CH que temos "dublagens perdidas". Acabamos perdendo muita coisa dublada por Gastaldi. E são coisas que se perderam pra sempre. O que nós temos por aí são trechos de colecionadores que fizeram gravações na época. O único registro no YouTube do Gastaldi dublando Jerry Lewis é este, da 1a dublagem de "O Delinquente Delicado" (o áudio está um pouco atrasado):
Inclusive muitos comentam que Nelson Batista meio que seguiu as "pisadas" do Gastaldi ao dublar o Jerry Lewis.


Mas voltando a falar do Gastaldi:
Em 1976, a AIC fechou. A propriedade foi comprada, e virou um novo estúdio de dublagem: a BKS. Marcelo Gastaldi teve uma grande participação no início da BKS.
Por exemplo, por volta de 1977, a BKS dublou a animação do "Andy Panda". Além de realizar a locução dos títulos de alguns episódios, ele foi o segundo dublador do Andy Panda (a primeira voz foi de Márcia Gomes). Eis aqui um episódio em que Gastaldi faz tanto a locução do título quanto a voz do Andy Panda:

Nessa mesma época, também encontramos resgistros de sua voz nas animações: "A Família Urso" (dublando o Charlie Urso Jr., além da locução dos episódios), "Picolino" (locução dos episódios) e em "Walter Lantz Cartune" (dublando o Doutor Nervosinho e a locução de alguns episódios).
Vou deixar aqui os guias de dublagens destas 3 séries (além de Andy Panda), se quiserem obter mais informações:

Andy Panda - https://casadadublagem10.blogspot.com/2 ... a.html?m=1

A Família Urso - https://casadadublagem10.blogspot.com/2 ... o.html?m=1

Picolino - https://casadadublagem10.blogspot.com/2 ... o.html?m=1

Walter Lantz Cartune - https://casadadublagem10.blogspot.com/2 ... e.html?m=1



Entre 1977 até 1979, uma fase do Pica-Pau foi dublada na BKS, inclusive os curtas mais antigos do Pica-Pau, que já tinham sido dublados na década de 60, no Rio de Janeiro, na Herbert Richers e na Dublasom Guanabara, com Luis Manuel dublando o Pica-Pau (nesta época da BKS o jovem Garcia Júnior era a voz do Pica-Pau). Gastaldi teve uma grande participação nesta fase da BKS, não só na locução dos títulos de alguns episódios, como também dublou alguns personagens (alguns deles bem marcantes e que até viraram meme, e muita gente nem imagina que é o dublador do Chaves ali). Aqui vai uma lista do que o Gastaldi dublou nesta época:

Jubileu em "Azares de um Corvo" (Você falou em pipoca??? Pois é: é o Gastaldi!!) -

Squire, ajudante do príncipe John em "Pica-Pau Robin Hood" - A partir de 1:22 -

O Anunciador do Comercial da Bigorna em "Chá Chado Pra Dois" (aos 3:54; Rrrrápido, Rrrrápido, Rrrrápido) -

Raposa Fink em "Esperto Contra Sabido" (1 pra você, 1 pra mim, 2 pra você, 1, 2 pra mim...) - A partir de 0:52 -

Narrador do Rádio em "O Pica-Pau na Barbearia" (Escondam-seem, escondam-seem) - De 1:07 até 1:20, e de 3:57 até 4:07 -


Aqui vai um guia de dublagem de Pica-Pau para mais informações - https://casadadublagem10.blogspot.com/2 ... u.html?m=1


Em 1977, houve uma grande greve dos dubladores brasileiros. Em São Paulo, vários dubladores tiveram grande participação, como João Ângelo, Osmiro Campos, e pelo visto também, Marcelo Gastaldi. No ano seguinte, depois do fim da greve, tanto no Rio quanto em São Paulo foram formadas 2 cooperativas de dubladores. Em São Paulo, foi formada a cooperativa Com-Arte. Criada pelo dublador João Ângelo, esta cooperativa passou a funcionar no núcleo de dublagem da TVS, núcleo este implantado em junho de 1978 e liderado por José Salathiel Lage. O núcleo existiu até meados de 1989. Já a Com-Arte existiu até 1983.

Marcelo Gastaldi teve grande participação no núcleo de dublagem da TVS, inclusive na cooperativa Com-Arte. Foi na Com-Arte que foram dublados, por exemplo, o tokusatsu "Spectreman" (Gastaldi fez a 3a voz o personagem Wada, interprertado por Koji Ozaki) e os curtas do Bozo (Gastaldi dublou personagens secundários), redublados em 2012 na Rio Sound.


MARCELO GASTALDI E A MAGA

No início da década de 80, mais 2 cooperativas foram formadas: a Elenco Produções Artísticas, ou simplesmente Elenco (de propriedade do dublador Felipe Di Nardo, que também era o locutor da empresa) e, claro, a MaGa Produções Artísticas, ou simplesmente MaGa (de propriedade de MArcelo GAstaldi; as iniciais de seu nome e sobrenome formavam o nome da empresa).

Diferente do que muitos sites erroneamente informam, a MaGa NÃO surgiu depois do fechamento da Elenco.
A Elenco, na verdade, só acabou depois do fim do núcleo de dublagem, lá em 1989. Tanto a MaGa quanto a Elenco foram contemporâneas na TVS. Basicamente os elenco de vozes e a equipe técnica das duas empresas eram os mesmos, já que o estúdio era o mesmo. Pelo que parece, a MaGa surgiu por volta de 1983, e, pelo visto, foi depois do fechamento da Com-Arte. Parece que a Elenco já existia antes da MaGa; lembrando que, com o "nascimento do SBT" em agosto de 1981, o volume de dublagens aumentou, principalmente depois do contrato entre a TVS e a poderosa Televisa, do México.

Tanto na Elenco quanto na MaGa, Gastaldi teve grande participação (na MaGa é óbvio, já que ele era o dono kkkk). Não há registros do Gastaldi dublando fora da TVS nessa época, principalmente por estar bastante ocupado na TVS. Mas também por causa da greve de 77, porque como a greve foi contra alguns estúdios de dublagem, aqueles que participaram dela foram impedidos de trabalhar em tais estúdios (provavelmente um desses estúdios foi a Álamo, de Michael Stoll; não há registro algum de Marcelo Gastaldi dublando na Álamo depois da greve).

As primeiras novelas estrangeiras (principalmente mexicanas) que vieram pro Brasil foram dubladas na Elenco, como Os Ricos Também Choram, Chispita, Viviana - Em Busca do Amor, entre outras. Gastaldi esteve no elenco de algumas dessas novelas.
(Obs: É possível que Gastaldi esteja no elenco da maioria, pra não dizer todas, já que não temos catalogado o elenco completo de todas estas novelas; não sabemos nem os principais de algumas delas!!)
Em "Os Ricos Também Choram" (a primeira novela mexicana a vir pro Brasil), que estreou em abril de 1982, Marcelo dá voz ao ator Guillermo Capetillo. Em "Chispita", que estreou em março de 1984, Gastaldi deu voz ao ator Alberto Mayagoitía. E em "A Vingança (La Venganza)", que foi a última novela dublada nos estúdios da TVS, Júnior dublou o ator Xavier Marc.

Gastaldi dublando na novela Chispita:



Para as novelas mexicanas, Gastaldi usou suas habilidades como compositor e cantor. A começar pela novela O Ricos Também Choram: Em 1982, foi produzido um LP da novela, e Gastaldi, juntamente com seu ex-companheiro de banda, Mário Lúcio de Freitas, compuseram faixas desta novela, que tinha Antônio Marcos, Mário Lúcio de Freitas, e até mesmo Amado Batista e Moacyr Franco!
Obs: Mário Lúcio de Freitas foi convidado para trabalhar nas dublagens musicais da TVS, inclusive nas aberturas das novelas dubladas.
Marcelo Gastaldi canta belamente uma das faixas, composta por ele e por Mário Lúcio:


Em 1984, tanto Marcelo quanto Mário Lúcio produziram o LP de Chispita (a primeira novela mexicana infantil exibida na TVS). O Disco vendeu mais de 200 mil cópias, ganhando até um disco de ouro. Entre as canções compostas por Gastaldi estão "Anjo Bom" (música de abertura da novela) e "A Família" (música de encerramento da novela). Ambas foram cantadas por Sarah Regina e a Turma Levada da Breca, e foram um grande sucesso:






Algumas aberturas de novelas foram compostas por Marcelo Gastaldi juntamente com Mário Lúcio, como por exemplo, da novela "Viviana - Em Busca do Amor", e da novela brasileira "Jerônimo", da TVS.


Além das novelas, Gastaldi dublou várias séries e filmes com versão da Elenco, como a série "O Super Herói Americano", dublando o protagonista, interpretado por William Katt (Gastaldi também dublou este ator na 1a dublagem de A Casa do Espanto). Também dublou o ainda jovem James Spader no filme "Tuff Turf - O Rebelde"(não se sabe se foi na Elenco ou na MaGa), chegando inclusive a cantar uma canção no filme, que foi traduzida para "Assim Não Dá" (Talvez ele tenha sido escalado no ator justamente por causa da música). E ainda falando em composição, Marcelo Jr. ainda compôs, em parceria com Mário Lúcio de Freitas, a abertura da série "Punky - A Levada da Breca", que até hoje é nostalgicamente lembrada.

Canção "Assim Não Dá", do filme Tuff Turf - O Rebelde (ai, que romântchico :lol: ):


Abertura dublada de Punky - A Levada da Breca, composta por Mário Lúcio e Marcelo Gastaldi (e cantada por Mário Lúcio de Freitas e Sarah Regina) e que se tornou um clássico:



Na MaGa, sua própria empresa, pelo visto a partir do final de 1983, foram dublados, pela primeira vez, os curtas clássicos do Snoopy / Charlie Brown. Gastaldi dublou o protagonista, o Charlie Brown, além de alguns personagens secundários de vez em quando. Talvez por ordem da TVS, as canções não foram dubladas (seria interessante se a MaGa tivesse dublado as canções). Pra muitos, a versão MaGa de Snoopy é considerada a melhor de todas. No link a seguir, mais informações sobre as dublagens de Charlie Brown / Snoopy - http://dublanet.com.br/forum1/showthrea ... post118272

Dirigiu a primeira dublagem do filme "Papillon", além de dublar o ator Robert Deman no filme. E já na Marsh Mallow, dirigiu, junto com o dublador Gilberto Baroli, a dublagem do filme "Chantecler - O Rei do Rock", inclusive narrando os nomes dos dubladores no final do filme:
A partir de 6:50:



MARCELO GASTALDI & ROBERTO GÓMEZ BOLAÑOS

E, ainda a partir de 1983, é claro, é óbvio, é lógico, Marcelo começou a realizar os trabalhos que o marcariam pra sempre. Gastaldi foi um dos principais responsáveis pela dublagem de Chaves e Chapolin, os quais se tornariam o trabalho de maior reconhecimento de toda a sua carreira. Mas como foi que esses seriados chegaram nas mãos da equipe de Marcelo Gastaldi? Vamos descobrir.

Chegaram ao Brasil, de maneira bem modesta, os seriados CH junto a um pacote de novelas estrangeiras, de BRINDE, ou, como disse Salathiel Lage, como "prêmio de consolação". De acordo com o site Vizinhança do Chaves, do usuário do Fórum Chaves "Guilherme CH", em uma matéria de 2014, as séries CH desembarcaram em terras brasileiras em 1981, mesmo ano do "nascimento do SBT", de Silvio Santos. O brasileiro Augusto Marzagão (falecido em novembro de 2017), que trabalhou na Televisa por 20 anos (chegou a ser vice-presidente da emissora mexicana), e que era alguém que Silvio Santos conhecia, foi o responsável em trazer as novelas mexicanas para o Brasil (entre elas Os Ricos Também Choram lá no início da TVS e, posteriormente, Carrossel lá no início dos anos 90) e, claro, Chaves e Chapolin. Em uma entrevista ao Jornal do Brasil, de 23 de junho de 1991 (citada na matéria de Guilherme) Marzagão disse: "A primeira novela mexicana exibida no Brasil, Os ricos também choram, chegou aqui por meu intermédio. Assim como Chispita, o Chaves, Chapolim."

Primeiramente, de acordo com José Salathiel Lage, diretor do núcleo de dublagem da TVS em uma entrevista recente, foram dublados 12 (ou seriam 13???) episódios das séries como pilotos, de forma gradativa. Tudo indica que isso aconteceu apenas em 1983.
Obs: Algo curioso é que a filha de Salathiel, Roberta Lage, ainda criança, assistiu na época ao piloto; portanto, a primeira criança brasileira a assistir Chaves.

Em seguida, os episódios foram mostrados aos executivos da TVS, para que fossem analisados, para então receberem aprovação. Como reagiram aqueles homens? Será que eles concluíram: "Isso fará um sucesso estrondoso, temos que botar no ar agora"? Se o leitor acha que foi isso o que ocorreu, está muito enganado! Todos simplesmente DETESTARAM e REPROVARAM as séries. "Mas que porcaria é essa? Adultos vestidos de crianças? Um super herói atrapalhado? Como o Silvio quer que seu novo canal cresça exibindo essa série do início da década passada, com esse lixo de imagem?", podem ter sido alguns dos comentários proferidos na ocasião. E não precisamos duvidar que comentários assim possam ter fluído lá na emissora na época, pois Luciano Callegari, executivo da emissora na época, revelou ao livro "Chaves - Foi Sem Querer Querendo?" o seguinte: "Quando a série Chaves me foi apresentada no SBT, não me interessei, em razão da péssima qualidade da imagem, e também me pareceu na oportunidade que não teria grande chance de sucesso na nossa grade."

Mas e qual foi a reação de Senor Abravanel, o Silvio Santos? É provável que ele tenha "caído na onda" dos executivos, por assim dizer. Diferente do que muitos pensam e até ERRONEAMENTE divulgam por aí, Silvio não foi bem "o Salvador dos seriados, já que ele era um VISIONÁRIO que via que as séries mexicanas seriam o MAIOR sucesso de sua emissora por mais de 3 décadas". Balela, conversa furada!! Sim, é verdade que foi o Silvio quem autorizou que as séries fossem pro ar, isso não podemos negar. Mas relatos mostram que SS tinha dúvidas quanto a se valia a pena exibir os seriados, seriados estes que ele nem tinha pedido!!

https://vizinhancadochaves.wordpress.co ... no-brasil/


Mas o que moveu então o Senor Abravanel a exibir os seriados? Uma pessoa, e essa pessoa tem nome: José Salathiel Lage! Como diretor do núcleo de dublagem, Salathiel, que trabalhou na supervisão da dublagem dos episódios pilotos, pôde perceber qual era a proposta das obras de Chespirito. Na já citada entrevista dada a Paulo Pacheco, Salathiel ressaltou que apesar de a imagem não ser lá essas coisas, e de não terem o "padrão Globo de qualidade", ele viu que tais obras tinham na essência uma certa 'pureza do circo que ele assistia na infância'. Inclusive Salathiel teria conversado com o próprio Silvio, destacando que as séries, sim, fariam sucesso, e que ele botaria sua filha pra assistir Chaves, em vez de Os Trapalhões (humorístico da Globo que fazia muito sucesso na época mas que, segundo Lage, estava se encaminhando muito para o lado da "malícia"). Então, com esse "empurrãozinho" dado por Salathiel, Silvio decidiu botar as séries no ar!

Mas como havia sido o processo de dublagem dos primeiríssimos episódios? Salathiel, na entrevista já citada, relata que convidou o Marcelo Gastaldi para ser o responsável pela dublagem do piloto. Portanto, Gastaldi foi o responsável pela escolha do elenco de vozes. Apesar de não gostar muito de dirigir dublagem, mas dá para perceber o quanto ele era observador, e como ele teve a incrível percepção de selecionar os melhores dubladores para cada personagem. E nós conseguimos discernir essa percepção nas entrevistas que os dubladores escolhidos deram sobre esse assunto.

Por exemplo, a saudosa Helena Samara, escolhida para dublar Angelines Fernández, contou em uma entrevista por volta de 2006, que ela estava em um dos corredores da TVS, quando Gastaldi passou por ela, e aí a convidou, dizendo que ela iria dublar "a Bruxa do 71". Depois ele a informou de que seria uma personagem fixa. Outra dubladora, a Marta Volpiani, que trabalhava na época nas novelas da TVS, conta que o Gastaldi a chamou depois de observar o trabalho dela dublando novelas mexicanas, passando diversas vezes no corredor. Depois de dizer pra ela que ela "tinha futuro", Marcelo a convidou pra dublar a atriz Florinda Meza.

Tudo bem que a maioria dos dubladores que foram convidados por Gastaldi já eram pessoas que trabalhavam com constância nas dublagens da TVS, como Sandra Mara, Nelson Machado, Carlos Seidl, Potiguara Lopes, Osmiro Campos, entre outros. Mas o caso das 2 dubladoras do parágrafo anterior era especial, principamente o da Marta. No caso da Helena, ela estava "caçando dublagem" nos estúdios da TVS. E no caso da Marta Volpiani, ela era uma atriz que tinha praticamente acabado de entrar no ramo da dublagem, dublando novela mexicana. Ou seja, podemos notar o quanto Marcelo Gastaldi foi criterioso na escolha do elenco de vozes. E mesmo quando era preciso realizar trocas de vozes, como aconteceu no caso da María Antonieta de las Nieves, da Sandra para a Cecília Lemes, quando Sandra precisou ausentar-se, Gastaldi mostrou um bom critério nessas escolhas. E apesar de não ter dirigido os seriados por completo, devido às suas obrigações como empresário (já que a direção de dublagem passou pelas mãos de Potiguara Lopes, Osmiro Campos, Nelson Machado e Guilherme Lopes), pelo visto as decisões finais, como mudança de elenco, certas alterações na forma de se interpretar um personagem que aparecia, e até mesmo se 2 dubladores eram colocados juntos pra dublar ao invés de apenas um dublar - todas eram executadas por Gastaldi quando ele achava necessário.

Algo que vale ser destacado aqui também é que a Televisa não mandava a trilha internacional (já que não havia), conhecida como M&E (Música & Efeitos)nem das novelas e nem dos seriados mexicanos. E, também, a TVS foi pioneira em utilizar videotape, e não mais rolos de filmes. E quando era realizada alguma dublagens por videotape, o áudio original era apagado na gravação; nada sobrava do áudio original. Por conta disso, além de mexer na questão das vizes na dublagem, o pessoal da parte técnica do núcleo de dublagem tinha ainda o trabalho de recriar, dentro dos estúdios, toda a trilha sonora, bem como o som de passos, de pancadas. Até os instrumentos musicais tinham que ser "dublados", como os violões, por exemplo. Além disso, usavam-se discos de compositores estrangeiros, que eram justamente feitos para serem usados em programas de televisão.

Por conta disso, a trilha sonora brasileira, no geral, ficou bem diferente da trilha sonora original, já que a MaGa não possuía todos os discos da trilha mexicana. Mas, querem saber de uma coisa? Na opinião deste que vos escreve, que bom que isso aconteceu! Porque as BGMs usadas pela MaGa ficaram muito marcantes. Alguns até consideram as trilhas usadas na dublagem melhores que as do áudio original. Claro que mudanças assim seriam impensáveis em outras dublagens atualmente.

Ou seja, não foi nada disso que as pessoas talvez possam pensar: "Ahh, a dublagem quis mudar, quis inovar", como se a MaGa tivesse alternativa neste caso.

Mário Lúcio de Freitas foi o diretor musical das dublagens CH na MaGa, além de ter "dublado" os instrumentoa musicais. Tanto ele quanto o próprio Gastaldi devem ter participado das escolhas das BGM's, ou trilhas de fundo, na versão brasileira. E, claro, Marcelo teve uma boa participação na parte musical dos seriados, já que haviam várias canções. Sob direção de Mário Lúcio, Gastaldi Jr. soltou a voz e marcou gerações com músicas como "Vem Brincar", "Os Astronautas", "Boa Noite, Vizinhança", entre outras.

Lembrando que muitas canções, especialmente de Chapolin, acabaram não recebendo dublagem. Alguns concluem que a MaGa não quis dublar e tal. Só que estes esquecem de um detalhe: dublagens de músicas costumam ser mais caras! Por isso, o SBT pode ter decidido mandar não dublar tais canções. Devido a isso, ficamos sem uma dublagem, por exemplo, para a canção-tema do Chapolin Colorado. Esse detalhe - sobre músicas não dubladas - já foi esclarecido pelo dublador Nelson Machado, dublador do Quico:



Mas qual era a opinião de Gastaldi a respeito das séries de Chespirito? Será que ele tinha a mesma opinião dos executivos da TVS, ou ele compartilhava do mesmo pensamento que Salathiel? De acordo com Marta Volpiani, ele disse pra ela, bem no início das dublagens, que Chaves seria 'o maior sucesso da televisão brasileira.'
Ou seja, Marcelo Gastaldi confiava que Chaves e Chapolin fariam grande sucesso no Brasil. Depois dos pilotos, um lote de episódios, foi dublado, pelo visto, ao longo de 1984. Os episódios pilotos, que pelo que parece, foram dublados durante 1983 (já que foi uma dublagem feita de forma lenta) acabaram ficando conhecidos como episódios com "dublagem beta". É bom recordar que o som dessa dublagem é meio abafado. Como destacado mais acima, pelo visto a MaGa tinha praticamente acabado de surgir, e os equipamentos pelo visto ainda não eram tão modernos assim, o que foi mudando com o passar do tempo.

Então, no dia 20 de agosto de 1984, uma segunda-feira, estreava "Chapolin Colorado" (creditado como Polegar Vermelho), e na mesma semana, no dia 24 de agosto, estreava "Chaves" (creditado como As Aventuras de Chaves), ambos no programa no TV Powww!, que naquela semana estava no comando do apresentador Paulo Barboza (falecido em abril de 2018).

Apesar de o sucesso das séries não ter sido tão imediato assim, a partir do final da década de 80, tal sucesso começou a ficar bem evidente. Depois de ter dublado o primeiro lote de dublagem (conhecido como lote de 84, por ter estreado em 1984), lá pra 1987 viria o próximo lote de episódios comprado pelo SBT para o processo de dublagem - uma evidência de que, de fato, as séries já estavam começando a fazer sucesso.

Como já citado no início deste textão, em agosto de 1987 Gastaldi participou de uma entrevista, onde falou de seus trabalhos na dublagem, inclusive Chaves e Chapolin. Video da entrevista (lembrando que a entrevista está incompleta):



No início de 1988 (talvez em fevereiro), Gastaldi participou de uma palestra de dublagem na TVS, onde deu uma aula, falando de vários tópicos, como a importância da naturalidade ao se dublar, a lição de que dublagem "é a arte da despersonalização" (lições que o Gastaldi pôs em prática), além de algumas brincadeiras, como a brincadeira com a cara de japonês do Gastaldi; o Gastaldi falando em inglês, espanhol e japonês e o Gastaldi dizendo que não vai se estender muito, e desenrola um papel gigantesco kkkkk.
Aqui a palestra completa (inclusive com uma demonstração e com a entrevista de 1987 realizadas por ele incluídas na palestra):



E a partir daí, Marcelo Gastaldi apareceu em diversas entrevistas, em especial pra falar de Chaves. Chegou a ser entrevistado pelo Jô Soares, no programa "Jô Onze e Meia", e participou de um quadro (então novo), junto com a dubladora Cecília Lemes, chamado "Adivinhe se Puder", do Programa do Gugu, em 1989, onde alguns artistas tinham que identificar quem ele e Cecília dublavam (Chaves e Chiquinha). Uma prova clara do sucesso cada vez mais crescente das séries, em especial Chaves.
Aqui a participação de Gastaldi e Cecília no Programa do Gugu:



Nessa época, o processo de dublagem do terceiro lote estava sendo realizado. Porém, foi uma época um pouco tensa, já que em meados de 1989, Silvio Santos decide fechar o núcleo de dublagens da TVS. Por causa disso, Marcelo Gastaldi acaba transferindo sua empresa, a MaGa, para os estúdios da Marsh Mallow, de propriedade, na época, de seu amigo Mário Lúcio de Freitas. A MaGa utilizava um dos 2 estudios da Marsh Mallow para realizar suas dublagens.

Por qual motivo Silvio decidiu fechar o seu núcleo de dublagens? Ainda não temos informações concretas a respeito disso. Uma teoria é que Silvio Santos não queria mais depender de um núcleo de dublagens. Há quem diga que havia reclamações com relação às dublagens das novelas mexicanas pela TVS, talvez na questão da mixagem (lembrando que os idiomas português e espanhol são idiomas muito parecidos). Outra teoria é de que Silvio Santos teria conversado com o empresário Herbert Richers, que o convenceu a transferir as dublagens das novelas mexicanas para sua empresa, localizada no Rio de Janeiro, entre outras teorias. As próximas novelas mexicanas (começando com "Carrossel") passaram a ser dubladas agora na Herbert Richers, no Rio de Janeiro, e talvez por conta do sucesso, em 1991, de Carrossel, que era uma novela infantil, Silvio decide mandar redublar, no ano seguinte, a novela Chispita, que foi a primeira novela mexicana infantil exibida pela emissora, e da qual Gastaldi havia participado da dublagem (porém, a emissora chegou a exibir trechos da novela com a dublagem original em uma reportagrem, como chegou a ser mostrado acima). Porém, Chaves e Chapolin continuaram sendo dublados pela MaGa, agora na Marsh Mallow. Já pensaram se Chaves e Chapolin tivessem ido pra Herbert Richers? :ponder:

Aliás, em outubro de 1989, é produzindo o LP, ou o Disco, do Chaves, com 10 faixas ao todo. Com direção de Mário Lúcio de Freitas, o LP contou com vários dubladores e cantores, entre eles Marcelo Gastaldi interpretando o Chaves. Algumas faixas foram compostas por Marcelo, como as canções "Kiko", "Madruga" (ao lado de Mário Lúcio de Freitas) e "Chiquinha" (ao lado de Fernando Netto).
Aqui uma matéria do Jornal do Brasil, de 7 de fevereiro de 1990 (já citada), sobre o LP, com imagem de Marcelo Gastaldi:
http://dublanet.com.br/forum1/showthrea ... post278899


No dia 15 de outubro de 1990, como já destacado acima, Gastaldi participou de uma entrevista com o Marco Antônio dos Santos, onde falou de sua carreira na dublagem, em especial na AIC. Aqui a matéria completa:
http://universoaicsp.blogspot.com/2009/ ... i.html?m=1

Aqui vai uma curiosidade: em 1990, a série Papai Sabe Tudo foi reprisada pela TV Cultura com a dublagem lá do final da década de 50 e inicio de 60, e Marcelo Gastaldi chegou a se comunicar com Ênio Ferreira (dublador do protagonista da série) sobre os direitos ao uso da voz deles.

Em 1991, Júnior participou do último lote de dublagens dos seriados mexicanos, além de ter dublado e dirigido a dublagem do filme "Charrito - Um Herói Mexicano", e de ter participado na dublagem dos seriados do Kiko dublados na MaGa.

Foi casado com Olga, com quem viveu por cerca de 20 anos. E teve 4 filhos: Márcio, Daniel, Juliana e Gabriela.

Durante a sua carreira, Marcelo Gastaldi dublou muitos jovens e rapazes, mesmo quando adulto, já pai de família. Dublou atores pouco conhecidos, mas chegou a dublar grandes atores, como Jerry Lewis e o próprio Bolaños, além de atores que viriam a ganhar muito sucesso posteriormente, como Dennis Quaid, Ray Liotta, Tom Cruise, entre outros. Dublou até mesmo o Elvis Presley.

Aqui vai uma lista completa dos seus trabalhos na dublagem (a lista pode ser atualizada com o tempo)
Curiosidade: Gastaldi dublou vários personagens com CH no nome:

Filmes

Lou Costello em Uma Noite nos Trópicos, Ordinário Marche!, Marinheiros de Água Doce, Segure o Fantasma, Cavaleiros da Galhofa, Pistoleiros Sem Pistola, Bancando Granfinos, Camisa de Onze Varas, Fantasmas Endiabrados, Frente a Frente com Assassinos, Bruxaria, Perdidos no Alasca, Caçando Múmias no Egito, Abbott e Costello Encontram Frankenstein / Às Voltas com os Fantasmas, Abbott e Costello no Planeta Marte, Abbott e Costello na Legião Estrangeira

Jerry Lewis em O Biruta e o Folgado, Os Malucos do Ar, O Rei do Laço (Dublagem Original - Odil Fono Brasil), O Delinquente Delicado (Dublagem Original - Odil Fono Brasil), O Professor Aloprado - 1963 (Dublagem Original) e Boeing Boeing (Dublagem Original - Odil Fono Brasil)

Harry Carey Jr. em Legião Invencível, A Sétima Cavalaria

Allan Stone em David e Betsabá

Anthony Edwards em Dois Tiras Infernais / Os Quase Tiras

Anthony Newley em Sem Tempo Para Morrer

Bill Morey em Elvira - A Rainha das Trevas

Billy Dee Williams em Glória e Derrota

Boyd Gaines em Garota Sinal Verde / A Coisa Certa

Brian Wimmer em A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (Dublagem Original)

Charles De Vries em A Nau dos Insensatos

David Rappaport em Os Bandidos do Tempo / Os Aventureiros do Tempo

Dennis Olivieri em Interlúdio de Amor

Dennis Quaid em Morte nos Sonhos

Dennis Redfield em Os Aniquiladores

Dewey Martin em Cavaleiros da Bandeira Negra

Don Dillaway em Dois Trapalhões Bem Intencionados

Eric Idle em A Vida de Brian (Dublagem Original)

Elvis Presley em Ama-Me Com Ternura

James Best em O Homem Que Luta Só

James Spader em Tuff Turf - O Rebelde (Dublagem Original)

James Westmoreland em O Último Pôr-do-Sol

Joel S. Rice em A Hora das Sombras / Jovens em Perigo

John Jarratt em Terror Fatal / Asilo do Pavor

Johnny Sands em Uma Mulher Contra o Mundo

Kevin Brodie em A Invasão das Aranhas Gigantes

Louis Gossett Jr. em O Sol Tornará a Brilhar (Versão AIC)

Luigi Antonio Guerra em Sartana

Mako em O Canhoneiro de Yang-Tsé

Manuel Rojas em Fibra de Herói

Marc Price em Heavy Metal do Horror / O Rock do Dia das Bruxas

Mark McGann em John e Yoko - Uma História de Amor

Mart Braverman em Alligator

Martin Amis em Vendaval na Jamaica

Martin Sheen em Três Cartas de Amor

Michael Anderson Jr. em Juramento de Vingança

Michael Callan em Dívida de Sangue

Michael Palin em Jabberwocky: Um Herói Por Acaso

Oliver Reed em O Monstro de Duas Faces

Paul Koslo em Joe Kidd

Paul Lees em O Vale da Ambição

Ray Liotta em O Campo dos Sonhos (Dublagem Original)

Ricky Nelson em O Pior Calhambeque do Mundo

Robert Coleby em A Última Fuga

Robert Deman em Papillon (Dublagem Original)

Robert Redford em Caçada Humana

Roberto Gómez Bolaños em Charrito - Um Herói Mexicano

Rutger Hauer em Buffy - A Caça-Vampiros

Soupy Sales em Cientista Bicão

Timothy Bottoms em O Mundo Louco de Julius Vrooder

Tom Brown em No Velho Chicago

Tom Cruise em Amor Sem Fim (Dublagem Original)

Wally Russell em Sangue Ardente

Will Corry em Coração Rebelde / Herança de um Forçado

William Beckley em A Filha da Obsessão

William Katt em A Casa do Espanto (Dublagem Original)

William Petersen em O Caçador de Assassinos (1a dublagem / SBT)


Seriados e Tokusatsus

Roberto Gómez Bolaños em Chaves, Chapolin, Programa Chespirito (episódios Aventuras em Marte, de 1981, do Chapolin)

Mark Slade em Chaparral (Dublagem Original), Viagem ao Fundo do Mar (2ª voz)

Alejandro Rey (Carlos Ramíres) em A Noviça Voadora

Billy Gray (Bud Anderson - 2a Voz) em Papai Sabe Tudo

Bob Okazaki (Watanabe, o senhor japonês) em A Feiticeira

Bobby Hart (ele mesmo) em A Feiticeira

Bobby Sherman (Jeremy Bolt) em E As Noivas Chegaram

Dennis Cole (Bobby Cooper) em Lancer

Denver Mattson (Homem do Reator 3) em Viagem ao Fundo do Mar

Don Quine (Corey) em Lancer

Gary Clarke (Steve Hill) em O Homem de Virgínia (Versão AIC)

Geoffrey Binney (Compton) em Jornada nas Estrelas (Dublagem Original)

Gil Rogers (Bartolomeu) em Perdidos no Espaço

Gordon De Vol (Bob Paikowski) em A Feiticeira

Hagan Beggs (Tenente Hansen) em Jornada nas Estrelas (Dublagem Original)

Hal England (Waldo) em A Feiticeira

Harry Lauter (Comandante Finch) em Viagem ao Fundo do Mar

Henry Gibson (Napoleão Bonaparte/Henri) em A Feiticeira

Jack Chaplain (Joey) em Terra de Gigantes

Jan Merlin (Tenente Froelich) em Viagem ao Fundo do Mar

Jerry Davis (Torg) em Terra de Gigantes

Jerry Quarry (Jerry) em Jeannie é um Gênio

Jim Begg (John Morgan) em A Feiticeira

Johnny Crawford (Jeff Dane) em Lancer

Jonathan Hole (Clerk) em Jeannie é um Gênio

Koji Ozaki (Wada - 3a voz) em Spectreman

Larry Bishop (Dick) em Jeannie é um Gênio

Lou Antonio (Chimpanzé na forma humana/Harry Simmons) em A Feiticeira

Michael Lipton (Helasco) em Jeannie é um Gênio

Michael Nesmith (Mike - 2a voz) em Os Monkees

Paul Petersen (Jeff Stone) em The Donna Reed Show

Richard Lapp (Gino) em Jeannie é um Gênio

Robert F. Lyons (Nalor) em Terra de Gigantes

Robert Pine (Craig) em Perdidos no Espaço

Robert Sorrells (Billy Joe) em Lancer

Roddy McDowall (O Traça) em Batman (1966)

Roger Garrett (Clyde Farnsworth) em A Feiticeira

Scott Marlowe (Billy Kells) em Lancer

Steve Franken (Hawkins / Primo Henry) em A Feiticeira

Walter Koenig (Alferes Chekov - 1 episódio) em Jornada nas Estrelas (Dublagem Original)

William Bassett (Clem) em Jeannie é um Gênio

William Katt (Ralph Hinkley) em O Super-Herói Americano


Desenhos e Animes

Charlie Brown em O Natal de Charlie Brown / Feliz Natal, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Todas as Estrelas de Charlie Brown / Você é um Tapado, Charlie Brown (Dublagem MaGa); É a Grande Abóbora, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Você Está Apaixonado, Charlie Brown (Dublagem MaGa); O Cachorro é Seu, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Foi um Rápido Verão, Charlie Brown / Foi um Verão Curto, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Toque de Novo, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Você Não Foi Eleito, Charlie Brown / Viva o Nosso Presidente Lino (Dublagem MaGa); Isso é um Mistério, Charlie Brown (Dublagem MaGa); É o Beagle da Páscoa, Charlie Brown / Cãozinho da Páscoa (Dublagem MaGa); Seja Meu Namorado, Charlie Brown / O Dia dos Namorados (Dublagem MaGa); É Seu Primeiro Beijo, Charlie Brown / O Primeiro Beijo do Charlie Brown (Dublagem MaGa); Que Pesadelo, Charlie Brown / O Pesadelo de Snoopy (Dublagem MaGa); Você é o Maior, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Que Patinadora, Charlie Brown / Ela é uma Ótima Esquiadora (Dublagem MaGa); A Vida é um Circo, Charlie Brown (Dublagem MaGa); É Mágica, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Um Dia Você Irá Encontrá-la, Charlie Brown (Dublagem MaGa); Adeus, Charlie Brown? / A Breve Despedida (Dublagem MaGa); É uma Aventura, Charlie Brown / As Aventuras da Turma do Minduim

Bam-Bam em Bam-Bam e Pedrita, Flintstones Especial / As Novas Aventuras dos Flintstones (Dublagem Original), Flintstones & Cia.

Andy Panda (2a voz) em Andy Panda

Capitão Blue em Capitão Escarlate

Cédrik em Raccoons

Charlie Urso Jr. em A Família Urso

Chester em Flintstones & Cia.

Cientista em Pica-Pau na Lua (Pica-Pau)

Doutor I. M. Nervosinho em Walter Lantz Cartune

Frank em Chantecler: O Rei do Rock

Garigori - Vespertino (1a voz) em A Princesa e o Cavaleiro (AIC)

Gazoo em Os Flintstones

Jonathan (1a voz) em Kimba, o Leão Branco (1a dublagem)

Jubileu em Azares de um Corvo (Pica-Pau)

Ken em Barbie: A Estrela do Rock

Narrador do Comercial da Bigorna em Chá Chado Pra Dois (Pica-Pau)

Narrador do Rádio em O Pica-Pau na Barbearia (Pica-Pau)

Pc em Popples (Versão MaGa)

Raposa Fink em Esperto Contra Sabido (Pica-Pau)

Raposinha em Wendy e Breezy

Reginaldo em Picolino

Saber Rider em Saber Rider (Dublagem Original)

Shmoo em Flintstones & Cia.

Squire, servo do príncipe John em Pica-Pau Robin Hood (Pica-Pau)

Tom em Rei Arthur

Zak em Sectaurs - Os Guerreiros de Symbion

Zé Goteira em Andy Panda



Novelas

Alberto Mayagoitía (Anjo da Guarda) em Chispita (1a Dublagem)

Guillermo Capetillo (Beto) em Os Ricos Também Choram

Xavier Marc (Rafael Narváez) em A Vingança (La Venganza)


Outras Produções:

Roberto Gómez Bolaños em Entrevista ao programa Viva a Noite (SBT), em 1989 e 1991


O TRISTE FIM DE MARCELO GASTALDI

Infelizmente, no dia 3 de agosto de 1995, há exatos 25 anos, Marcelo Gastaldi falecia, com apenas 50 anos de idade. Devido à sua morte, a MaGa acabou encerrando suas atividades.

Sua morte chegou a ser citada em uma matéria da Folha de São Paulo, de 15 de outubro de 1995, como tendo acontecido "há pouco mais de um mês", sendo que, na verdade, já faziam mais de 2 meses. :mellow:

Até hoje, a causa de sua morte é uma verdadeira incógnita, não tendo sido totalmente esclarecida, nem mesmo por seus familiares. Há quem diga que ele foi atropelado. Há quem diga também que ele tinha diabetes, e ele acabou tendo problemas por conta do diabetes justamente enquanto caminhava na rua, dai a teoria do atropelamento. Também há quem diga que ele tinha leucemia. Mas a causa da morte que é mais difundida é de que ele teria morrido devido a uma forte pneumonia. Ou seja, parece que foi algo repentino, que pegou a todos, em especial os familiares e colegas dubladores, de surpresa.

Mas o mais triste é quando descobrimos mais detalhes sobre o que aconteceu antes e depois da morte deste grande dublador.

Apesar de possuir uma empresa, há informações de que Gastaldi estaria sofrendo com fortes dívidas. E de acordo com o dublador Flávio Dias em um podcast de 2013, Gastaldi teria também câncer no sangue.

Em uma matéria da Folha de São Paulo de março de 2000, relatam que a família de Marcelo Gastaldi passou por sérias dificuldades financeiras, num artigo que falava dos direitos conexos dos dubladores. Aqui vai a parte referente à família de Gastaldi:
"Poucas famílias se beneficiariam tanto do pagamento do direito conexo quanto os Gastaldi. Quando o dublador Marcelo Gastaldi morreu, em agosto de 1995, aos 50 anos de idade, deixou a mulher, Olga, e quatro filhos. Gastaldi era a voz oficial dos personagens Chaves e Chapolin, dois dos programas mais populares da TV mexicana, e que fazem sucesso até hoje no SBT. O SBT continua faturando alto com Chaves e Chapolin (cada comercial de 30 segundos em Chaves custa cerca de R$ 8 mil), mas a família Gastaldi ficou na pior. Olga diz que, se não fosse pela bondade de amigos, a situação estaria insustentável. "A faculdade Mackenzie e o Colégio Paulistano deram bolsas de estudo para meus filhos, e até a administradora de meu prédio abonou o pagamento de nosso condomínio. Ainda há muita gente de bom coração por aí.""
Aqui a matéria completa (é a primeira que aparece):
http://chespiritoweb.atspace.com/odia2.htm


No podcast de 2013 já citado, o dublador Flávio Dias confirmou essa informação sobre a família do Marcelo Gastaldi. Flávio chega a chamar a rotular a Sílvio Santos com um termo pesado.
Aqui o podcast (o link se encontra no final da matéria; a parte sobre o Marcelo começa a partir de 01:29:44)
http://renegadoscast.com/rc-45-papo-...ias-doliveira/


A família do dublador Marcelo Gastaldi chegou a entrar na Justiça contra o SBT, pelo fato de a emissora usar indevidamente a voz do Marcelo (ao exibir constantemente Chaves) sem pagar os direitos ao uso de sua voz aos seus herdeiros. A família do "MaGa" venceu a causa, obrigando o SBT a indenizar a família em dezembro de 2011, conforme a matéria a seguir.
http://www.forumchaves.com.br/viewtopic ... 2869&hilit

Devido a essa decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo a favor da família de Gastaldi, o SBT (provavelmente pra não passar por outros problemas) decidiu, a partir do dia 26 daquele mesmo mês, creditar os nomes dos dubladores na abertura de Chaves.

Abertura de Chaves, veiculada dia 26/12/2011, com os nomes dos dubladores creditados (de forma errada):




COMENTÁRIOS FINAIS

Apesar de a grande maioria de nós não termos conhecido pessoalmente a este dublador, com certeza nos admiramos grandemente com o legado que ele deixou, principalmente nas dublagens clássicas, que tanto amamos, de Chaves e Chapolin.

Para os familiares e aqueles que foram seus amigos na dublagem, com certeza a saudade é enorme. Vários dubladores já expressaram o quanto sentem falta deste grande dublador, como Aliomar de Matos, Carlos Campanile, Cecília Lemes, Marta Volpiani, Sandra Mara Azevedo, além do saudoso Osmiro Campos, entre outros. Aliás, Osmiro chegou a se emocionar depois que Marta começa a falar sobre ele, a partir de 5:50 (neste vídeo tanto Marta quanto Osmiro falam alguns detalhes sobre ele):


E, claro, ele deixa saudades a todos nós. Não só aqueles que são admiradores da dublagem brasileira, como também aqueles que admiram a dublagem desses seriados, que só reforçou ainda mais os trabalhos de Chespirito. Com o talento dos dubladores envolvidos na versão MaGa, em especial com o talento do próprio Marcelo Gastaldi, pode-se dizer que foi produzida uma das melhores (se não a MELHOR) dublagem brasileira de todos os tempos!! Não é à toa que muitos não conseguem assistir aos seriados com outras dublagens, por mais bem feitas que possam ser. Pode-se até dizer, sem medo, que 50% do sucesso das séries de Bolaños no Brasil deve-se sem dúvida à sua maravilhosa dublagem. Se não fosse assim, o que explicaria o fato de o SBT ter exibido, por mais de 30 anos, as séries dubladas, quase sempre elevando a audiência do horário?

A maioria dos dubladores dos seriados mexicanos vieram da AIC, que muitos consideram uma verdadeira escola de dublagem. Gastaldi veio de lá. E ganhou experiência.
Trago aqui algumas fotos de Gastaldi, ao lado de colegas dubladores, no tempo em que dublava na AIC, do blog Universo AIC, lembrando que são de propriedade de Marco Antônio dos Santos, administrador do blog citado:

http://4.bp.blogspot.com/-LUKS_8z6hbM/U ... AIC+10.jpg
http://4.bp.blogspot.com/-lzVoRIzNTXM/U ... /AIC+5.jpg
http://2.bp.blogspot.com/-WevNWOHME30/U ... /AIC+4.JPG
http://3.bp.blogspot.com/_60hh0iozZ-Q/T ... /AIC+7.JPG


Quando ele começou a dublar Chespirito, ele já tinha mais de 20 anos só na dublagem!! Ou seja, Chespirito não foi dublado por alguém aleatório que não sabia o que tava fazendo. Marcelo era uma pessoa inteligente, era um bom observador, tinha uma capacidade interpretativa incrível, e grande versatilidade, e o que ele fez nas séries de Roberto Gomez Bolaños só reforçou ainda mais o talento dele. Conseguiu o que poucos dubladores conseguiram: fazer os que menos admiram a dublagem brasileira acompanhar os seriados mexicanos dublados com muitas gargalhadas. Não foi apenas uma dublagem! Foi algo tão bem feito, que prende tanta atenção, que não parece que é algo dublado. Dizem que uma dublagem bem feita é aquela que nem percebemos que uma produção é dublada. E foi essa a impressão para os brasileiros. Tanto que muita gente acreditava que Chaves e Chapolin fossem produções brasileiras, só descobrindo a sua origem mexicana anos depois! Claro que o SBT tem parte da culpa, por não exibir os créditos dos dubladores, mas a dublagem também tem sua parcela de culpa! Sinceramente pergunto-me se isso teria acontecido se as séries tivessem sido dubladas na Herbert Richers. :ponder:

Grande poeta, compositor e cantor, nos emocionou muito com sua habilidade ao cantar várias canções dos seriados, que mexem com nossas emoções, e até mesmo com nossa memória mais nostálgica. Nos emociona até hoje com o "Boa Noite, Vizinhança":


E o que dizer da Despedida do Chapolin, a qual ele passou a carga dramática que a cena exigia?



E o que dizer também de outras cenas marcantes, como o "Ai, chuchu!"


"Minha tia desentupiu o umbigo":


E o clássico "Hehe Parece a dona hahahahaha":



Claro que os outros citados neste super textão possibilitaram, e muito, que as séries chegassem a esse ponto que chegaram, como Augusto Marzagão, José Salathiel Lage, Mário Lúcio de Freitas, além dos próprios dubladores, diretores, tradutores, adaptadores, o pessoal da parte técnica e da mixagem. E com certeza o trabalho destes não será esquecido. Mesmo com a barreira de idiomas, esses caras produziram algo que cativou a todos os brasileiros - que fez com que os brasileiros se identificassem com os personagens das séries.

O trabalho de Marcelo Gastaldi jamais será esquecido. Ele foi alguém que confiou no sucesso que as séries fariam em território nacional. Aliás, dá pra notar que ele também admirava os trabalhos de Chespirito, como ele deixou claro em entrevistas. Tanto é que ele criou uma série, no final da década de 80, chamada "Feroz e Mau Mau", claramente baseada no humor de Chespirito. Mesmo nunca tendo ido ao ar, dá pra vermos, pelo único episódio gravado e postado na Internet, o quanto ele se baseou, em especial, nos esquetes dos Ladrões, do Chespirito; não é à toa que ele chamou Carlos Seidl, dublador do Seu Madruga, para participar desse projeto, bem como Osmiro Campos. Ao fecharmos os olhos, não tem como dissociarmos as vozes dos seriados mexicanos.

Nesse registro raro a seguir, Gastaldi revela o principal motivo de ter criado essa série inspirada no humor de Bolaños: ele estava preocupado com o rumo que a televisão estava tomando:


E aqui o episódio único de Feroz e Mau Mau:



Pelo visto, era alguém que tinha muito bom gosto. Tinha bom gosto musical. Era alguém que, pelas evidências, tinha muito bom humor.




Quem dera se Gastaldi tivesse dublado tudo dos seriados de Bolaños! De fato, foi uma oportunidade que infelizmente o SBT não soube aproveitar.




Pois é...
25 anos já se passaram desde que o MaGa se foi!!

Puxa, como o tempo passa rápido!
Mas, com certeza, mesmo nessa situação atual em que as séries de Chespirito estão praticamente "banidas", e sejamos impedidos de assistir aos seriados dublados e de curti-los, com certeza continuaremos prestigiando o maravilhoso trabalho realizado pela equipe da MaGa e de seu idealizador: Marcelo Gastaldi Júnior!
Editado pela última vez por RHCSSCHR em 14 Ago 2020, 08:32, em um total de 30 vezes.
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Aqui sim desgosto, oitenta e cinto.
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Engenheiro Pudim
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Engenheiro Pudim » 04 Ago 2020, 00:06

A primeira voz*
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https://www.youtube.com/channel/UCiDWs6 ... 0qYoRtbyKg

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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por arthurdecastro » 04 Ago 2020, 00:37

Muito boa leitura. Sou um grande fã da dublagem nacional (principalmente do final de 2016 até aqui) e o MaGa é real um dos dubladores que mais admiro. Entretanto, nunca tinha lido muito sobre ele, e embora eu não possa ver os vídeos no momento (netbook ruinzinho no momento), só de ler um textão desses já fez valer o dia xD (textão é outra paixão minha, tanto de ler como escrever).

Fiquei triste com essa parte sobre dublagens clássicas sendo destruídas. Meu pai (1961) viu muitas dessas obras no inicio da televisão e eu tive a oportunidade de rever algumas com ele em duas ocasiões: na Rede 21 (2004, 2005 ou 2006) e no TCM (2009). Já estava me perguntando como não pude notar a voz do Gastaldi nelas, mas ai está o motivo creio eu (ou meu ouvido simplesmente não era tão treinado também, vai saber xD). Além disso, sou meio que um seguidor da arte de preservação de obras, principalmente no cinema (mudo em específico) e jogos (que ainda não são bem tratados nesse ponto). A perda de uma dublagem, para mim, é tão triste quanto a de um filme.

Mais triste ainda é ler sobre a morte dele. Com os problemas relacionado aos direitos de CH que venho lendo desde sexta (31), finalmente me dediquei a baixar do máximo de fontes possíveis todas as obras do Bolaños e me deparei com o fato de como eu estava dando prioridade por material dublado. Do ponto de vista de preservação, o idioma original deve ser a prioridade, mas é fato que a dublagem de CH tem características tão marcantes que por si só não consigo ver separadas da imagem. Além das vozes, adoro a sonorização de alguns episódios, só os sons das pancadas já são motivo de rir.

Gostaria de ver mais obras dubladas pelo MaGa, assim como um maior respeito pela dublagem nacional em geral. Vendo dublagens de vários países, é incrível como a brasileira ainda se destaca. E com certeza, Marcelo Gastaldi é um dos maiores símbolos dessa arte.

Descanse em paz Marcelo. Gostaríamos de ouvir sua voz mais uma vez. E obrigado @RHCSSCHR por esse lindo post.

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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Diego@Marinho » 04 Ago 2020, 16:10

Ótima matéria juntando todas as informações de um dos maiores dubladores brasileiros da historia.
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por RHCSSCHR » 04 Ago 2020, 16:16

Alguém já tinha visto essas imagens do Gastaldi que o Chespirotadas postou? :o :chocado: :chocado: É a primeira vez que as vejo:

"Tá loca, está onde México:

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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Hyuri Augusto » 04 Ago 2020, 18:14

Um trabalho sensacional na hora de reunir essas informações, simplesmente incrível!

E que falta faz esse talento impecável da dublagem brasileira. :triste:
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Yoshi Toupeira » 04 Ago 2020, 18:18

Belo tópico! Um nível de detalhes assustador. :ok:
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Clique para ver a ASCII Art em tamanho real.
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por A Turma do Chaves » 04 Ago 2020, 22:08

Ótimo tópico, 25 anos sem o grande Gastaldi :cry:
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Gustavo M M » 05 Ago 2020, 02:18

Ótimo tópico :yes:
Trouxe muita coisa que eu não conhecia sobre o Gastaldi.

Tópicos assim despertam na gente a vontade de fuçar mais e mais no Universo CH.

Por falar nisso, fui pesquisar e encontrei um documento no site da "Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais" intitulado Sicam - Listagem de Obras Musicais 100% Autorais. Nesta lista, constam 3 obras conjuntas do Gastaldi com o Mario Lucio:

1) Punk A Levada Breca;
2) Novo Encanto;
3) Tema do Chapolin :blink:

http://www.sicam.org.br/sicamfiles/List ... canica.pdf

Vocês sabem algo a respeito? :ponder:
Já tinham conhecimento disso?

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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Jacinto » 05 Ago 2020, 02:24

Tema do Chapolin ? Agora fiquei curioso :huh: :ponder: Só que é muita coisa ali, não tive paciência para olhar.

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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Gustavo M M » 05 Ago 2020, 02:33

Jacinto escreveu:
05 Ago 2020, 02:24
Tema do Chapolin ? Agora fiquei curioso :huh: :ponder: Só que é muita coisa ali, não tive paciência para olhar.
Recortei só as três para ficar mais fácil de visualizar:
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Vale a pena indicar que há vários temas instrumentais do Mario Lucio para a TV nessa mesma lista...
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Mensagem por gusta dos biscoitos » 05 Ago 2020, 07:52

Esse "Tema do Chapolin" já tinha sido descoberto pelo @Victor235 antes. Ainda não se sabe do que se trata, alguns na época imaginaram que fosse a trilha de uma abertura perdida do SBT.
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por RHCSSCHR » 06 Ago 2020, 14:14

Dei umas atualizadas no primeiro post, inclusive com acréscimos de mais informações. Procurei deixar o post mais bonitín e mais agradável de ler.

Agradeço os elogios feitos.

Gustavo M M escreveu:
05 Ago 2020, 02:18
Fui pesquisar e encontrei um documento no site da "Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais" intitulado Sicam - Listagem de Obras Musicais 100% Autorais. Nesta lista, constam 3 obras conjuntas do Gastaldi com o Mario Lucio:

1) Punk A Levada Breca;
2) Novo Encanto;
3) Tema do Chapolin :blink:

http://www.sicam.org.br/sicamfiles/List ... canica.pdf

Vocês sabem algo a respeito? :ponder:
Já tinham conhecimento disso?
Muito interessante essas informações aí.

A música Novo Encanto eu já tinha postado o vídeo no primeiro post, que é uma música do LP de Os Ricos Também Choram.

Foi bom aí você ter lembrado de Punky. Eu tinha até esquecido que o Gastaldi foi um dos compositores, mas já acrescentei a informação. Inclusive o próprio Mário Lúcio confirmou que o Gastaldi foi um dos compositores dessa música na descrição deste vídeo:



Já essa do tema do Chapolin: Rapaaaz! O que seria isso? Será que no final das contas foi o Gastaldi o responsável por essa bendita trilha sonora e nunca nos damos conta? :blink:
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por Lucas de Brito » 08 Ago 2020, 09:42

Eu li o tópico esses dias, mas acabei esquecendo de comentar sobre. Sensacional o trabalho de pesquisa e o texto! Grande homenagem a um dos maiores dubladores da história do Brasil: Marcelo Gastaldi, eterno!

Parabéns, @RHCSSCHR!
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25 Anos Sem Marcelo Gastaldi - A VOZ de Chespirito no Brasil

Mensagem por RHCSSCHR » 09 Ago 2020, 22:58

Em 1995, o Marcelo Gastaldi participou (em carne e osso, ou seja, não dublou) do programa "Vila do Mallandro", talvez sua última aparição na TV. Tinha um vídeo no YouTube, mas ele foi excluído. Pelo que disseram, o Gastaldi tava bem magro. Alguém conseguiria achar, então, outra cena desse programa com o Gastaldi no YouTube?

Gastaldi também apareceu muito brevemente em um vídeo das reformas da TVS, em 1987. O vídeo também foi excluído do YouTube.
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