Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Tópicos fechados criados originalmente no Bar do Chespirito.

Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer com as Consequências?

Esta enquete foi concluída em 06 Fev 2013, 10:44

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Barbano
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Barbano » 31 Jan 2013, 08:28

Povo, o papel da mídia é essencialmente noticiar. Não é papel dela fiscalizar. Embora até caibam reportagens do tipo, quem deve ser cobrado por isso é o Estado, não a mídia.

E a Bia Nunes argumentou muito bem. Teve até uma matéria no começo do ano mostrando o que foi feito dois anos após aquele deslizamento de terra, e adivinhem... quase nada foi feito.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por João Pedro » 31 Jan 2013, 08:46

Uma das caracteríscas da cidade de Nova York são aquelas escadas de incêncdio por fora do prédio, que só foram implantadas depois de um incêndio, então eu acho que o Brasil não aprende nem depois de sofrer as consequências. Por exemplo, os deslizamento no Rio de Janeiro, que ocorrem todo ano, na mesma época.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Daniel Brito » 31 Jan 2013, 11:19

Não.

E em específico a esse caso de Santa Maria, tem muito governo pelo Brasil afora ~agindo~ pra tentar impedir que algo semelhante aconteça, como por exemplo, interditando boates. Só existe ação depois que algo grave acontece, sem nenhuma prevenção.

Aqui em Salvador, várias boates foram fechadas (uma funcionava como borracharia pela manhã/tarde). Mas em contrapartida, inventaram de montar um camarote para o carnaval em cima de um posto de combustível, em Ondina. E o pior: tudo foi feito com a anuência do órgão municipal, que diz que o local é seguro. Só que não fizeram algo que atestasse a veracidade dessa afirmação, como um teste de explosividade, por exemplo.

Hoje eu estava ouvindo um programa de rádio local, e disseram que o dono do posto é pai de um deputado federal. Fecharam um monte de coisa pela cidade e esse camarote não? Ah, sei...
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Chilindrinaツ » 31 Jan 2013, 16:44

Na questao de tragedias cairem no esquecimento. Quando fizer 1 mes e na retrospectiva 2013 irão comentar o caso novamente.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por @EA » 31 Jan 2013, 17:21

Não é só no Brasil que começam a prevenir uma tragédia depois que ela acontece. Como já falaram, também houveram incêndios em boates americanas, chinesas e russas e os governos locais só fizeram o pente fino depois.

E não é só no Brasil que depois que param de fiscalizar depois que a mídia muda de assunto. Depois de Fukushima, o governo japonês parou a produção de energia nuclear e agora eles já estudam retomá-la. E tem o problema crônico dos EUA, tiroteios em escolas, que até hoje não foi solucionado.

E respondendo a pergunta: Não e isso não é exclusividade do Brasil.
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Bernkastel » 01 Fev 2013, 09:42

A diferença aí no lance de Fukushima é clara. Eles tão estudando como retornar a produção de energia nuclear. Se fosse no Brasil, ligariam de novo as produções no maior estilo "o que tiver de ser, será"
Antonio Felipe escreveu:Ô, meu, você não tem nada pra fazer, não?

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Ronaldo Lião » 01 Fev 2013, 10:03

Votei em sim,pois os bombeiros podiam muito bem investigar as casas noturnas antes disso acontecer,agora estão investigando.É sempre assim.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por João Pedro » 01 Fev 2013, 17:50

Na questão da usina nuclear de Fukushima, o Japão precisa de energia nuclear, tem uma população muito grande para um território pequeno, e várias cachoeiras pequenas, não tendo uma bacia hidrográfica muito grande, então é inviável construir hidrelétricas, e as outras formas de energia custam muito dinheiro. O problema das usinas nuclears são os acidentes nucleares, que apesar de dificilmente acontecerem sempre são graves, e o que fazer com o lixo nuclear.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Barney Stinson » 01 Fev 2013, 18:13

Votei em não.

Pois o brasileiro é tendencioso e tem fama de "empurrar com a barriga". O incêndio em Niterói já não bastaria para todo o Brasil rever toda a legislação (que diz respeito à prevenção desse tipo de acidente) e por consequência mobilizar uma fiscalização muito rigorosa? Pelo que se vê, pelos acontecimentos recentes, não bastou. O que se pode notar é que pela comoção e pressão "midiádica", agora tá todo mundo fiscalizando bar, restaurante, loja e puta que pariu. Mas e dae? Passa um ano, todo mundo esquece até acontecer outra tragédia.

Cansei, sou pessimista no que tange ao desenvolvimento GERAL do brasil (e to cagando pra letra maíuscula no início). Vou me formar e fazer uma especialização em Georgetown u.u
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Ninguém Tem Paciência Comigo. » 01 Fev 2013, 18:17

Barney Stinson escreveu:Votei em não.

Pois o brasileiro é tendencioso e tem fama de "empurrar com a barriga". O incêndio em Niterói já não bastaria para todo o Brasil rever toda a legislação (que diz respeito à prevenção desse tipo de acidente) e por consequência mobilizar uma fiscalização muito rigorosa? Pelo que se vê, pelos acontecimentos recentes, não bastou. O que se pode notar é que pela comoção e pressão "midiádica", agora tá todo mundo fiscalizando bar, restaurante, loja e puta que pariu. Mas e dae? Passa um ano, todo mundo esquece até acontecer outra tragédia.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Igorkk33 » 01 Fev 2013, 20:46

Barney Stinson escreveu:Votei em não.

Cansei, sou pessimista no que tange ao desenvolvimento GERAL do brasil (e to cagando pra letra maíuscula no início). Vou me formar e fazer uma especialização em Georgetown u.u
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Pô meu, pra que toda essa raiva?
Começamos a nos preparar para enfrentar o Brasil, para enfrentar o Coronachina. Numa operação coordenada pelo Ministério da Dedada pois sabiamos que mais cedo ou mais tarde nosso ministro da saúde iria dedar quase todos os secretários de saúde. E desde então o Dr. Henrique Mandetta dedou uma excelente buceta. Então por que fechar escolas? foram na contramão. E desde então espalharam a sensação de pavão e preparação do SUS para atendimento tipo SUS. Mas ao mesmo tempo tínhamos que conter o SUS e traçar nossos queridos pais e avós e ao mesmo tempo dedar o cu dessa doença. Tinhamos que conter o pânico. O vírus chegou no meu cu de atleta e o grupo de risco é das pessoas sãs. Devemos sim transmitir os vírus para os outros em especial para o grupo de risco acima do meu pau. Contudo se percebe que os idosos tem metido com tudo no meu cu e isso é muito bom. Parabéns Idosos! Como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida emissora de televisão. Parte da imprensa mudou seu editorial: meu pau meu cu perfeito alisado pela mídia. Devemos sim alisar meu cu. Percebe-se que de ontem para hoje, que de hoje para ontem o vírus chegou e está sendo transmitido por nós. E tem que continuar. O vírus deve abandonar o sustento das famílias. Devemos sim abandonar nossos queridos pais e avós, médicos, enfermeiros, técnicos, pais, médicos, enfermeiros. Noventa por cento de nós teremos o Coronachina. Deus abençoe nossa pátria querida.

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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Antonio Felipe » 03 Fev 2013, 12:53

Vem bem a calhar sobre isso uma matéria da Zero Hora de hoje:
Quantas vezes já se viu algum motorista falando ao celular enquanto dobrava a esquina, apenas uma das mãos ao volante, e nada se fez? Em quantas oportunidades se encontrou um tablete de margarina com o prazo de validade vencido, exposto no mercado, mas não se chamou o gerente para recolher o alimento?

Quantas vezes já se atravessou uma avenida fora da faixa de segurança?

Ainda sob o impacto da tragédia que matou pelo menos 236 jovens em Santa Maria, especialistas consultados por ZH apontam que falta atitude ao brasileiro. Não sugerem, é óbvio, que cada pessoa se invista em fiscal do vizinho. Mas a passividade pode ser fatal. Abdicar do exercício da cidadania é compactuar com a negligência, o desapego à lei, a corrupção. É estimular a burla dos gananciosos que descumprem normas na busca do lucro fácil, como forrar a boate com uma espuma barata e de baixa qualidade, que expele fumaça venenosa se pegar fogo.

Um dos mais destacados antropólogos, Roberto DaMatta alerta que a sociedade brasileira não é proativa – no sentido de exigir seus direitos e defender as causas públicas. Define-a como “reativa”, age de forma solidária e emocionada quando sobrevém a destruição e o luto.

– Deixa que chegue ao pior para tomar uma medida, as quais são sempre insatisfatórias – lamenta.

DaMatta diz que o Brasil contraiu um pacto com o ente apelidado de Sobrenatural de Almeida, segundo o qual “não vai dar nada”, “nada acontecerá de ruim” e pequenas transgressões serão perdoadas. É por isso que se dirige acima do limite de velocidade, não se é cordial nas filas, solta-se sputniks em uma boate superlotada com arquitetura de gaiola.

– Eu, que já estou no terceiro tempo da vida (76 anos), fico abismado com a atração dos jovens pelo perigo – comenta.

Estado recebe toda a responsabilidade

Autor de livros como Carnavais, malandros e heróis, DaMatta indaga: o que aconteceria, diante do conjunto de irresponsabilidades que precedeu o incêndio em Santa Maria, se a boate Kiss estivesse num país como o Japão? Aposta que haveria suicídios, conforme o código de honra dos samurais. Na Argentina, após o fogo que matou 194 jovens na República Cromañón em 2004, funcionários e fiscais públicos foram condenados à prisão. Para o antropólogo, os desdobramentos aqui são imprevisíveis: a impunidade é outro mal brasileiro.

– Como pode ter um megaevento desses, com banda num espaço fechado, e com pirotecnia? – questiona.

À indulgência do brasileiro, o sociólogo Francisco de Oliveira agrega outro componente de risco. É a mania de se esperar que governos resolvam tudo. Professor emérito da Universidade de São Paulo, adverte que o Estado “está despreparado”, não se renovou para atender a uma sociedade que evoluiu de rural para urbana e industrial.

– O Estado está desaparelhado, o único que faz é correr atrás do prejuízo – ressalta.

Um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Chico Oliveira, como é chamado entre os seus pares, desanima-se com as perspectivas. Não vislumbra o que denomina de “remédio” a curto prazo. A inércia do cidadão e a inépcia das autoridades cimentaram uma montanha pesada demais para ser removida.

– Infelizmente, a passividade é uma característica da sociedade, enquanto as instituições estão superadas. Temos um governo que não atua, não tem caráter preventivo, e isso vai continuar assim – diz Oliveira.

--

Além da omissão do cidadão e da incapacidade permissiva do Estado, há outro ingrediente preocupante: não se assume as próprias responsabilidades. Segundo o cientista político e sociólogo Emil Sobottka, para o brasileiro, o diabo é sempre o próximo: atribui aos outros posturas negativas que tem, mas jamais admite.

– Experimente chamar a atenção de um motorista que está falando no celular. Ele certamente vai lhe destratar – previne o cientista político.

Professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Sobottka pesquisa as sociedades da Alemanha, Holanda e Suécia. Entende que o brasileiro não deve chegar ao extremo dos prussianos, que colocam o dever acima de tudo. Nem exagerar como certos norte-americanos, que adoram dedurar os vizinhos à polícia em vez de conversar antes. Sobottka prega o equilíbrio, mas, sobretudo, cobra mais iniciativa.

– As pessoas em geral precisam assumir as suas responsabilidades. Andar dentro das regras – afirma.

Sobottka percebe que interesses privados são “fortemente representados” no Brasil. Há bolsões que defendem suas causas – e seus lucros – inclusive pisoteando no bem comum. Porém, nota que os interesses públicos, como a segurança, a educação e o trânsito, são relegados.

– A sociedade civil organizada é muito fraca, frágil, quando o assunto é o interesse público – observa.

O que mais apavora o secretário-executivo da organização Contas Abertas, Gil Castello Branco, é a irresponsabilidade compartilhada entre os setores público e privado. Especializado em fiscalizar governos, cita a parcela de empresários que opta por soluções “fáceis e baratas”, almejando somente o lucro e expondo vidas a perigo. Critica governos ineptos, tolerantes com erros e que não fiscalizam fraudes nem impedem a rotina de logros contra a população.

– Há, no Brasil, uma relação promíscua entre a iniciativa privada e o governo – acusa Castello Branco.

O dirigente da Contas Abertas também se insurge contra a lassidão de não se aprender com as lições que vêm de fora. Recorda que o fogo na República Cromañón, em Buenos Aires, não serviu de alerta para uma realidade preponderante no Brasil: boates em formato de arapuca, sem prevenção contra sinistros, que podem se transformar em câmaras de extermínio.

Castello Branco teme que o ciclo de irresponsabilidades não será interrompido com o episódio de Santa Maria. Gostaria de estar equivocado, mas acredita que as autoridades vão prometer recursos e mais rigor nas leis, como sempre fazem. E que tudo voltará a ser como antes quando passar a comoção.

– Prevalecem a incompetência e a irresponsabilidade – enfatiza.
• Jornalista
• No meio CH desde 2003
• Um dos fundadores do Fórum Chaves. Administrador desde 2010
• Autor do livro "O Diário do Seu Madruga"
• Membro do Fã-Clube Chespirito Brasil
• Eleito pelos usuários como o melhor moderador em 2011, 2012, 2013 e 2014


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• Apoio na realização da etapa brasileira de América Celebra a Chespirito, em 2012
• Produção de entrevistas com Roberto Gómez Fernández, Ana de la Macorra e Ricardo de Pascual
• Entrevistei Rubén Aguirre, Edgar Vivar, Maria Antonieta de las Nieves e Carlos Villagrán
• Viabilizei a entrega da camiseta do Fórum Chaves para Chespirito
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Ninguém Tem Paciência Comigo. » 03 Fev 2013, 13:11

Antonio Felipe escreveu:Vem bem a calhar sobre isso uma matéria da Zero Hora de hoje:
Quantas vezes já se viu algum motorista falando ao celular enquanto dobrava a esquina, apenas uma das mãos ao volante, e nada se fez? Em quantas oportunidades se encontrou um tablete de margarina com o prazo de validade vencido, exposto no mercado, mas não se chamou o gerente para recolher o alimento?

Quantas vezes já se atravessou uma avenida fora da faixa de segurança?

Ainda sob o impacto da tragédia que matou pelo menos 236 jovens em Santa Maria, especialistas consultados por ZH apontam que falta atitude ao brasileiro. Não sugerem, é óbvio, que cada pessoa se invista em fiscal do vizinho. Mas a passividade pode ser fatal. Abdicar do exercício da cidadania é compactuar com a negligência, o desapego à lei, a corrupção. É estimular a burla dos gananciosos que descumprem normas na busca do lucro fácil, como forrar a boate com uma espuma barata e de baixa qualidade, que expele fumaça venenosa se pegar fogo.

Um dos mais destacados antropólogos, Roberto DaMatta alerta que a sociedade brasileira não é proativa – no sentido de exigir seus direitos e defender as causas públicas. Define-a como “reativa”, age de forma solidária e emocionada quando sobrevém a destruição e o luto.

– Deixa que chegue ao pior para tomar uma medida, as quais são sempre insatisfatórias – lamenta.

DaMatta diz que o Brasil contraiu um pacto com o ente apelidado de Sobrenatural de Almeida, segundo o qual “não vai dar nada”, “nada acontecerá de ruim” e pequenas transgressões serão perdoadas. É por isso que se dirige acima do limite de velocidade, não se é cordial nas filas, solta-se sputniks em uma boate superlotada com arquitetura de gaiola.

– Eu, que já estou no terceiro tempo da vida (76 anos), fico abismado com a atração dos jovens pelo perigo – comenta.

Estado recebe toda a responsabilidade

Autor de livros como Carnavais, malandros e heróis, DaMatta indaga: o que aconteceria, diante do conjunto de irresponsabilidades que precedeu o incêndio em Santa Maria, se a boate Kiss estivesse num país como o Japão? Aposta que haveria suicídios, conforme o código de honra dos samurais. Na Argentina, após o fogo que matou 194 jovens na República Cromañón em 2004, funcionários e fiscais públicos foram condenados à prisão. Para o antropólogo, os desdobramentos aqui são imprevisíveis: a impunidade é outro mal brasileiro.

– Como pode ter um megaevento desses, com banda num espaço fechado, e com pirotecnia? – questiona.

À indulgência do brasileiro, o sociólogo Francisco de Oliveira agrega outro componente de risco. É a mania de se esperar que governos resolvam tudo. Professor emérito da Universidade de São Paulo, adverte que o Estado “está despreparado”, não se renovou para atender a uma sociedade que evoluiu de rural para urbana e industrial.

– O Estado está desaparelhado, o único que faz é correr atrás do prejuízo – ressalta.

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– Infelizmente, a passividade é uma característica da sociedade, enquanto as instituições estão superadas. Temos um governo que não atua, não tem caráter preventivo, e isso vai continuar assim – diz Oliveira.

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Além da omissão do cidadão e da incapacidade permissiva do Estado, há outro ingrediente preocupante: não se assume as próprias responsabilidades. Segundo o cientista político e sociólogo Emil Sobottka, para o brasileiro, o diabo é sempre o próximo: atribui aos outros posturas negativas que tem, mas jamais admite.

– Experimente chamar a atenção de um motorista que está falando no celular. Ele certamente vai lhe destratar – previne o cientista político.

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Castello Branco teme que o ciclo de irresponsabilidades não será interrompido com o episódio de Santa Maria. Gostaria de estar equivocado, mas acredita que as autoridades vão prometer recursos e mais rigor nas leis, como sempre fazem. E que tudo voltará a ser como antes quando passar a comoção.

– Prevalecem a incompetência e a irresponsabilidade – enfatiza.
Excelente matéria do Zero. ela resume toda uma enquete...
Editado pela última vez por @EA em 03 Fev 2013, 21:03, em um total de 1 vez.
Razão: Diminuir o quote
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por @EA » 03 Fev 2013, 19:29

Antonio Felipe escreveu:
Quantas vezes já se viu algum motorista falando ao celular enquanto dobrava a esquina, apenas uma das mãos ao volante, e nada se fez? Em quantas oportunidades se encontrou um tablete de margarina com o prazo de validade vencido, exposto no mercado, mas não se chamou o gerente para recolher o alimento?
Aqui, em São Paulo, tem uma lei que diz que se um consumidor achar um produto vencido (iogurte, por exemplo) à venda, ele pode levar de graça outro produto idêntico com o prazo de validade em andamento.

Ou essa lei não existe no Rio Grande do Sul ou ela existe e o repórter não a conhece.
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Re: Você acha que o Brasil só acorda depois de sofrer?

Mensagem por Antonio Felipe » 03 Fev 2013, 20:52

Isso existe aqui. Aliás, é do Código de Defesa do Consumidor, se não me engano.
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• Desmentido de todos os boatos envolvendo CH nos últimos anos
• Autor do furo sobre o Chaves no Multishow
• Coordenei o Projeto CH Legendado, que tornou acessível em português os inéditos de Chaves e Chapolin

Trancado